Xamanismo Científico
2009-05-06 15:17O físico Patrick Drouot é considerado hoje um dos mais importantes estudiosos do xamanismo, unindo o conhecimento secular com as mais avançadas teorias e técnicas desenvolvidas pela ciência, acreditando que no futuro irá existir uma medicina energética.
Helcio de Carvalho e Gilberto Schoereder
Patrick Drouot já foi chamado de ‘cientista do futuro’, já vendeu mais de um milhão de livros e, especialmente na Europa, é considerado um verdadeiro fenômeno, centrando suas experiências no estudo do xamanismo, mas sempre com um ponto de vista fortemente marcado por sua bagagem científica. Mas como físico, não se pode dizer que Drouot compartilhe do mesmo tipo de visão que a maioria de seus colegas. Dono de uma visão ampla, ele acredita que a medicina do futuro será muito diferente da atual, uma medicina energética que irá tratar dos problemas no nível do corpo etérico.
Ele compartilha a noção mais ou menos popular hoje em dia, de que os xamãs foram os primeiros médicos, com a diferença de que não se limitavam a explicar as coisas a partir da razão, mas respeitando as chamadas forças invisíveis do universo, que consideravam sagradas.
Drouot esteve no Brasil no início de 2001, quando conversou com a Sexto Sentido, e em fevereiro do mesmo ano criou o Instituto Drouot de Ciências Avançadas, no Rio de Janeiro, onde vem desenvolvendo uma série de projetos abordando o estudo dos estados incomuns de consciência e novas técnicas para o trabalho de ciberespaço, ou medicina ciberespacial. “Para mim”, ele explica, “existem corpos quânticos e nós devemos aprender a ler esses corpos, e entender como as doenças se formam nesses corpos. O problema básico nisso tudo é trazer subpartículas do vácuo quântico para o mundo físico, mas nós sabemos que elas existem, nós podemos sondá-las. Na França, já treinamos mais de 600 pessoas em cerca de 13 anos, entre elas 120 médicos. Nós entendemos que todo o potencial da pessoa, suas idéias e novas formas de organização estão escritas nesses campos quânticos. Então, nós trabalhamos com homens de negócio, com pesquisadores, em busca de soluções inovadoras em vários campos”.
No Brasil, além do recém fundado instituto, Drouot já realizou várias palestras e teve publicados os livros Nós Somos Todos Imortais, Reencarnação e Imortalidade, Cura Espiritual e Imortalidade, Memórias de um Viajante do Tempo e O Físico, o Xamã e o Místico (todos na Editora Nova Era), obras fundamentais para entender suas pesquisas, que se estenderam por mais de 20 anos e cobriram a bacia amazônica, América do Norte e Polinésia, estudando tanto as plantas com princípios psicoativos utilizadas pelos xamãs em seu processo de cura quanto o contato com outras dimensões aos quais eles se referem.
O Início
A idéia de medicina ciberespacial não surgiu por acaso, e está diretamente relacionada com a noção das dimensões que os xamãs conseguem acessar em suas atividades. Já em 1979, Drouot era vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento numa empresa francesa, e estava pesquisando justamente sobre realidade virtual. “Em 1980”, ele conta, “eu me especializei na física cerebral e me tornei um neurofisiologista. Eu tentava entender como o cérebro funciona, porque nem a ciência nem a medicina explicavam de forma convincente os mecanismo do cérebro, na época. Não diziam, por exemplo, se a consciência era um produto da fisiologia cerebral ou se era algo externo ao cérebro. Essa era uma pergunta bastante contundente na época”.
Essa busca o levou a procurar não apenas na ciência ocidental como a conhecemos, mas também a estudar várias escolas de yoga tibetanas, budistas, além de passar vários anos com um neurocirurgião indiano e com alguns índios como os navajo, sioux, cheynne e índios do Canadá. “Quando comecei a fazer pesquisas nesse mundo estranho que nós chamamos de espiritual, eu fiz o que qualquer estudante de ciências faz. Eu me perguntava: muito bem, onde está o conhecimento aqui? Então, estudei Kriya Yoga e várias outras escolas, sem pertencer a nenhuma em particular. Mas eu entrei fundo em todos esses conhecimentos, e percebi que a Kriya Yoga era a versão tibetana da Kundalini Yoga dos hindus, ou seja, os dois são a mesma coisa. Essa é uma das poucas escolas que estudou profunda e detalhadamente o despertar do poder da serpente No livro Cura Espiritual e Imortalidade eu falo sobre os efeitos positivos e negativos do kundalini”.
Casado com Liliane, uma índia do Canadá, Drouot diz que para ele foi muito interessante ver como todos esses povos chamados nativos entravam no que nós chamamos de estados de consciência especiais – ou estados alterados de consciência – e ainda assim continuavam consciente do mundo cotidiano. “É como se o mundo estivesse se tornando mais vivo, como se, de repente, você pudesse entender que a vida estivesse preenchendo tudo. Para mim, e da maneira como eu entendi o xamanismo depois de mais ou menos 20 anos, os xamãs foram os primeiro médicos da era paleolítica. Eles conheciam lugares sagrados, eles eram conduzidos pelas vibrações desses lugares, e cruzavam a fronteira da realidade normal para ir ao além. Mas o além, nas tradições dos nativos, é apenas uma projeção dessa realidade, e a física quântica, como já sabemos, diz que existem muitas realidades. Por exemplo, na matemática nós lidamos com universos de dez dimensões. Portanto, isso não é apenas algo espiritualista, mas um fato científico. Foi muito interessante entender a intuição e entender a natureza do homem e do universo”.
Novo Xamanismo
O físico diz que percebeu que a procura pelo xamanismo na América do Norte começou em meados dos anos 80. “Para mim, foi interessante que as pessoas, ou a nação que apagou os índios, começou a aprender com os índios. É como se as pessoas estivessem buscando suas raízes ou por seus conhecimentos ancestrais. Na Europa ocidental essa tendência começou a se revelar há menos de dez anos. Isso é o que nós vemos também no Brasil. Para nós, o Brasil só está começando a perceber que tem uma herança xamânica. Mas na verdade muitas pessoas ficam confusas quando falamos sobre xamanismo. Elas logo pensam na América do Norte ou nos índios norte-americanos, o que é verdade, mas também é errado. Por exemplo, aqui vocês têm o candomblé, os templos de candomblé ou umbanda: isso também é xamanismo. Se você for à Polinésia verá que eles também têm suas cerimônias locais, e elas também são xamanismo. Por isso, mais uma vez nós temos de voltar ao começo. Xamanismo é uma palavra que foi escolhida pelos antropólogos na década de 40 e 50, e significa que existem sacerdotes ou pessoas especiais em antigas tradições nativas por todo o mundo que podem se comunicar com o mundo espiritual, que podem falar com os espíritos da natureza e fazer profecias através de cerimônias, rituais, iniciações e coisas desse tipo. Portanto, o xamanismo não é nem americano nem índio. É a herança do passado do planeta”.
Patrick e Liliane chegaram ao Brasil em 1985, e quiseram ir para o Amazonas testar a ayahuasca. “Não queríamos fazer isso com algum propósito religioso, nem mesmo achando que poderíamos evoluir espiritualmente. Queríamos, como pesquisadores espirituais, ver o que a planta poderia promover. Hoje nós sabemos que o cérebro é uma espécie de holograma, que interpreta universos holográficos, mas quando nós chegamos à floresta não estávamos interessados no lado religioso, e sim no lado nativo, ou seja, o que estava acontecendo com os índios antes que qualquer religião tivesse surgido. E, principalmente, nós queríamos ver o que iria acontecer com o nosso cérebro sob o efeito da ayahuasca, e eu devo dizer que aquilo que estávamos tentando explicar há quase 15 anos, nós vimos que era verdade: o cérebro trabalha sob um determinado nível de eficiência, mas sob o efeito da ayahuasca é como se você saísse do mundo normal e entrasse para o mundo da Alice no País das Maravilhas. Subitamente, tudo se torna vivo, você vê os espíritos da floresta e vê tudo com uma perspectiva especial.
Ele explica que, após tomar a ayahuasca, saíram caminhando pela floresta com um gravador, fazendo uma série de testes para verificar como estava seu equilíbrio, som, visão, a sensibilidade à dor. Mas Drouot também percebeu que a planta pode levar muitas pessoas a um mundo ilusório. “Por exemplo”, explica, as pessoas ligadas ao Santo Daime rezam para deus e a Virgem Maria, enquanto que os índios trabalham com os espíritos da natureza. Então, o problema maior nisso tudo é: o que é realidade e o que é ilusão? A ayahuasca pode ser uma ferramenta fantástica. Nós tomamos em 1985, mas nunca mais tomamos, porque nós achamos que a bebida é algo que deve ser usado por pessoas com conhecimentos, por verdadeiros xamãs, porque eles sabem como lidar com ela. De outra maneira, o princípio psicoativo da planta leva a pessoa a qualquer projeção mental. Tudo depende do nível de consciência que a pessoa tem e aquilo em que ela acredita. Eu acredito que a planta leva a pessoa às suas ilusões”.
Outras Experiências
Entre as experiências interessantes realizadas por Patrick Drouot, também ganhou destaque sua participação numa pesquisa realizada pelo Monroe Institute. “Eu já conhecia o Instituto Monroe desde 1983 ou 84. Eles trabalham para o Pentágono, investigando telepatia. Em 1987, eu tive um contato com o pessoal do instituto, expliquei quem eu era e o trabalho que estava fazendo, e disse que estava bastante interessado nas pesquisas que eles realizavam, porque eu tinha começado a ver o corpo espiritual, e apenas olhando de um determinado ângulo eu conseguia perceber o estado da força vital das pessoas, às vezes luminosa, outras vezes mais opaca”.
Segundo Drouot, no Instituto Monroe existe uma parte das pesquisas que é bastante conhecida pelo público em geral, mas também existe outra que não é divulgada. “Eles tem um laboratório muito bem equipado, com uma série de instrumentos, e eu disse que estava interessado em saber o que acontecia com o meu cérebro quando eu começava a ver coisas. Eles fizeram uma série de experimentos comigo que duraram por volta de dois anos. Por exemplo, eles me apresentavam uma pessoa que eu nunca tinha visto; depois, eu entrava numa sala totalmente fechada e escura, com aparelhos de monitoração que não apenas registravam a atividade cerebral, mas também minha respiração, resistência da pele, etc. Eu descobri que, vendo a pessoa, eu também podia enxergar sua história. Em outra experiência, eles me mostraram uma foto de uma mulher, para que eu tentasse interpretá-la também. Eu disse que não estava acostumado a trabalhar com fotos. Eu sei que é possível obter alguma informação através de fotos, mas eles disseram para que eu pelo menos tentasse. Então, me submeti ao experimento com a foto, fui para a sala fechada, com uma cama de água, e comecei a falar sobre a vida da mulher, desde sua vida intrauterina, passando por diversos problemas, um início de câncer, problemas nas gengivas, um pequeno problema com álcool, divórcio aos 24 anos, um primo que tinha ido ao Vietnã. O chefe do laboratório disse que eles conheciam aquela mulher, e que ela não tinha qualquer problema nas gengivas. Ela morava a 59km do local onde estávamos. Eles ligaram para ela, e ela disse que estava tendo um sangramento gengival há três dias. As outras informações também foram muito precisas, mas o principal é que nós entendemos que o cérebro pode atingir uma atividade muito mais elevada do que aquela a que estamos acostumados. Todas as coisas que fizemos no Monroe foram muito interessantes, porque mostravam cientificamente que o cérebro pode funcionar em cognições mais elevadas, ao mesmo tempo em que permanece consciente”.
Essa parece ser a chave para entender a busca e as pesquisas de Patrick Drouot. É a certeza de que podemos ser e fazer mais do que estamos acostumados, e que para que isso seja uma realidade cada vez mais presente, é indispensável ter a capacidade de unir os diferentes conhecimentos: os que vêm de nosso passado distante, e os que estamos desenvolvendo na atualidade.
Para Saber Mais:
Nós Somos Todos Imortais
Reencarnação e Imortalidade
Cura Espiritual e Imortalidade
Memórias de um Viajante do Tempo
O Físico, o Xamã e o Místico
(Editora Nova Era)
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