Vikings - O Ideal de uma Paixão
2009-05-05 16:37As discussões sobre a presença dos vikings na América do Sul e do Norte em épocas anteriores à descoberta não é nova. E os indícios que comprovam essa teoria são cada vez maiores.
Ubiratan Schulz
Para decifrar um mistério, vamos começar na origem do nome Brasil. Todos estudamos na escola que nossa terra foi chamada de Ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz, e finalmente a madeira de uma árvore chamada Pau Brasil deu origem ao nome do nosso país. Bem antes disso, nos relatos da viagem de Marco Pólo à Ásia, esse nome já tinha aparecido com diversas variações, como bressil, brasilly, bresilisi ou braxilis. A madeira cujo tronco serviu de colorante no Velho Mundo foi introduzido na Península Ibérica entre 1221 e 1243 pelos comerciantes de Veneza. Nos mapas da Idade Média já aparecia a Ilha do Brasil, como nos mapas de Medice (1351) e Pzigari (1367), nas águas escuras e maléficas do Oceano Atlântico.
Outro documento escrito em Gênova, em 1325, anunciava ao mundo a existência de uma ilha chamada Brasil – La Isola Brazil ou Ilha de Brazil, Berzil ou Brasil. O historiador Gustavo Barroso afirma que o nome de nosso país procede do idioma gaélico, que é um dialeto da língua celta falada até hoje na Irlanda e um pouco na Escócia, e vem do nome Breasil, um antigo semideus de antes do período cristão. Aí também os irlandeses nos contam sobre as Ilhas Afortunadas, a terra prometida das lendas celtas, a HyBreasail ou O Breasail. Todos sabemos das invasões dos bárbaros vikings em toda a Europa, às Ilhas Britânicas e, principalmente, à Irlanda e Escócia. Mas voltemos um pouco na história.
Por volta do ano 500 d.C., uma poderosa tribo germânica de guerreiros conquistou a Itália por um período de 60 anos, sendo derrotada por um general romano oriundo de Narses, na batalha do Monte Vesúvio, em 552 d.C. E então todos os sobreviventes daquela poderosa e famosa tribo desapareceram sem deixar vestígios. Conta a História que os ostrogodos uniram-se a alguns destemidos marinheiros do norte, indo parar na América do Sul — quem sabe talvez por informações antigas de outros navegadores. Então, ali construíram novas cidades circulares, novos muros e defesas, fundiram o ferro e fabricaram armas e proteção. Essa história corresponde curiosamente a uma das lendas sobre o Gran Paititi, em cuja cidade índios brancos usavam armaduras, escudos, espadas e construíram fortificações circulares de madeira e estradas.
Godos no Brasil
Imaginem só navios compridos subindo o Rio Amazonas, repletos de homens barbados a bordo, ostentando uma cabeça de dragão em suas proas. Eram os godos, com suas armaduras de ferro, velas enormes de tecido finíssimo em um mastro principal, carregando até 60 pessoas entre homens e mulheres. Eram quarenta navios e mais de mil guerreiros. Isso ocorreu em 570 d.C. e é lógico que os marinheiros não se fixaram na Amazônia. Só os godos permaneceram e quase todos os barcos voltaram aos países de origem contando histórias de uma terra bem-aventurada, a HyBreasail. Logo mais colonos retornaram, agora da Islândia e Países Baixos, aportando em outros lugares, como o atual México, Golfo do México, sul dos Estados Unidos, Panamá.
Chegaram a construir uma cidade fortaleza na foz do Amazonas, depois atacada por tribos hostis e conseqüentemente abandonada. As mulheres sobreviventes decidiram continuar lutando, desse modo dando início à lenda das Amazonas —mulheres altas, destemidas, louras ou ruivas, de compridas tranças e com uma imensa coragem, que manejavam o arco e flecha com incrível destreza.
Depois de dez gerações de vikings que para cá emigraram, esses colonos procriaram, mataram, morreram, miscigenaram-se, colonizaram, construíram cidades e fortificações e, afinal, deixaram um império viking que ia dos Estados Unidos ao Paraná, no sul do Brasil. Esse império era conhecido por Costa Danea, Costa Dinamarquesa, Kondanemarka ou Província Real Dinamarquesa.
Para estabelecer um paralelo e falar de coisas tipicamente brasileiras, podemos começar com as carrancas encontradas nos barcos que navegam no Rio São Francisco, que se assemelham sobremaneira às figuras de proa dos drakkars vikings. Hoje, já fazendo parte do folclore brasileiro, as carrancas do São Francisco se constituem numa das mais genuínas e enigmáticas manifestações da arte popular brasileira. Elas trazem a escultura de uma cabeça e pescoço de uma figura zooantropomorfa, ou seja, uma mistura de figuras humanas com detalhes animais, representando uma expressão de ferocidade.
Herança
Toda a construção dos barcos brasileiros se assemelha à dos drakkars, como o encaixe das tábuas, a figura da proa e a amarração dos mastros. As embarcações vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte se chamavam knorrs e eram maiores e mais largas que as de guerra, chamadas drakkars. Uma knorr precisava ser mais larga e maior, pois transportava carga, produtos em geral e até gado. Quando emigravam, as mulheres e crianças viajavam nelas.
Outra coisa: a cerâmica da ilha de Marajó apresenta diversos motivos que lembram runas, assim como a Pedra da Gávea com suas inscrições e lendas. Sobre a Pedra da Gávea explicarei mais em outra reportagem, suas inscrições, traduções e se foram vikings ou fenícios que lá estiveram antes dos portugueses. Ou será que foram os dois?
Segundo outros dados históricos, caracteres rúnicos encontrados em Sete Cidades, no Piauí, representam uma das provas mais claras da presença dos vikings no Brasil. Essas ruínas estão localizadas no interior do Piauí, a 250 km de Teresina, na Vila de Piracuruca, e 28 km mais além encontramos um conjunto de rochas com formatos estranhos e desenhos incompreensíveis, espalhados por uma área de 600 mil metros quadrados. Se colocarmos no contexto histórico e analisarmos o total do conjunto, vemos que se trata, na verdade, de um local sagrado para a civilização viking.
Conforme nos conta o pesquisador Jacques de Mahieu em seu livro Vikings no Brasil (Ed. Francisco Alves), Sete Cidades não só parecem um local de culto germânico, mas lembra também um dos mais célebres, o Externsteine de Teutobuger Wald, na Baixa Saxônia — local onde eram celebrados os festivais ligados a solstícios (atualmente a região se chama Vestfália, no Alto Reno). O local é muito cultuado por diversos grupos ligados ao Partido Nazista e ordens paralelas. Jacques de Mahieu, durante uma conversa com um grupo de altos funcionários do Estado e do Instituto de Desenvolvimento Florestal Alemão, mostrou diversas fotografias sem explicar sua origem. Todos examinaram as fotos, e o formato das rochas pareceu tão familiar que, sem hesitar, reconheceram prontamente as pedras como sendo as do Parque Nacional Alemão. E custou muito fazê-los acreditar que as fotos eram das Sete Cidades.
Índios Brancos
A partir de depoimentos que chegaram até nossa época, ficamos sabendo da existência de indígenas como os mocetenes e os tacamas, que viviam na região que começa no rio Beni, um afluente do rio Madeira. Também ouvimos falar dos índios iurakarés que, segundo descrições da época, tinham um rosto oval, testa estreita, nariz aquilino e narinas pouco abertas. Por sua vez, os oyaricoulets, que viviam em uma área entre a Guiana Francesa e o Suriname, tinham cabelos louros e olhos azuis. No Brasil central temos os índios cebolas, que receberam esse nome devido aos seus cabelos longos, claros e cacheados. O sertanista Orlando Villas Boas conta que a tribo dos açurinis era composta de “índios com a pele mais clara que a dos agentes governamentais que tratam deles. Não possuem a menor semelhança com os outros índios, a não ser os seus colares, plumas e desenhos”. E, apesar disso, a história oficial ainda nos conta e afirma que foi Cristóvão Colombo que descobriu a América em 1492.
No entanto, graças ao trabalho de inúmeros pesquisadores, hoje sabemos da saga dos intrépidos navegadores que atingiram a costa oriental da América do Norte por volta do século X, isto é, cinco séculos antes, vindos da Groenlândia. A saga mais antiga é a de Ari Marson. Esse marinheiro partiu da Islândia em 983, após a conquista da ilha pelos vikings. Chegando à costa, encontrou brancos que falavam o gaélico. Vinte e cinco anos mais tarde o nobre islandês Karselfni e sua mulher, em viagem de núpcias à América, encontraram indígenas chefiados por celtas ou descendentes destes, entre os quais havia “uma mulher de cabelos claros presos por uma fita, e de pele muito clara”. Ela conversou com eles em celta. Com certeza ela fazia parte dos celtas que fugiram da Irlanda antes da invasão dos bárbaros vikings e muitos historiadores se surpreendem que eles tenham se instalado na Islândia e Groenlândia, mas só tenham feito breves incursões no continente americano.
Sabemos que inúmeras tentativas de fixação no continente foram levadas a cabo sem sucesso, mas se os celtas tinham algum contato com os indígenas, com certeza sua preocupação principal era repelir os invasores, e as sagas dos vikings mencionam contatos esporádicos com os celtas de 983 a 1029 — isto é, durante 46 anos. A saga mais famosa, contudo, é a de Leif Eriksson, que chegou a passar o inverno de 1003 a 1004 no continente, com 35 homens. Leif era filho do famoso Erik, O Vermelho, também conhecido como Erik, O Ruivo, que colonizou a Groenlândia. Ou seja, Eriksson é igual a Erik+sson, ou filho de Erik.
O Continente Conhecido
Banido da Noruega, Erik foi viver na Islândia. Expulso de novo em 980, navegou por dois anos com seus seguidores até chegar a uma terra cheia de campos verdes (era verão), que batizou de Gröenland, que significa Greenland, ou Terra Verde. Erik era pagão, mas sua esposa e filhos eram cristãos. Ele fundou um povoado ao qual chamou de Vinland, a terra das vinhas — nome com o qual seu filho Leif Eriksson batizaria o Novo Mundo, chamando os índios americanos de skraelings, ou seja, feios.
Eriksson explorou o novo mundo 500 anos antes de Colombo. Seu irmão, Thorvald, também explorou a região até morrer em combate com os índios. Uma das tentativas de conquista chegou a ser épica: diante dos insucessos dos homens, a irmã de Leif Eriksson, violenta e depravada, organizou uma expedição composta essencialmente de mulheres. Seu nome era Freydis e ela desapareceu sem deixar vestígios, e de novo esbarramos na lenda das amazonas.
Todas essas histórias chegaram a nós através de sagas contadas de geração a geração, mas não são a única fonte de informações sobre a América antes de Cabral e Colombo, pois os arquivos do Vaticano nos fornecem comparações preciosas. Precisamos entender que a Igreja não podia deixar desamparados seus filhos instalados do outro lado do Atlântico, e suas explorações poderiam contribuir para as despesas da Igreja. Assim, em 1026, o Papa Inocêncio III nomeou um arcebispo para a Noruega, Islândia e Groenlândia, bem como suas colônias de além-mar, mas desde o começo o clero reclamou das irregularidades na contribuição obrigatória dos fiéis à Igreja.
Uma expedição em especial nos chama a atenção, porque os enviados do Papa dessa vez não se limitaram a se dirigir à Groenlândia, mas navegaram até o continente americano. Com isso temos a prova de que a Igreja conhecia há tempos a existência de um continente situado além da Islândia, e desde o século XIII possuíam o domínio perfeito do Atlântico. Os arquivos do Vaticano ainda conservam muitos segredos sobre esse assunto, sobretudo devido à dificuldade das consultas. Descobri, no entanto, diversas indicações, como o nome dos dezessete bispos da Groenlândia, as prestações de contas a partir do século XIII, referentes ao dízimo pago pelos cristãos de além-mar, bem como do dinheiro arrecadado da venda da madeira vermelha usada como corante no Velho Mundo, que com certeza vinha do Brasil, bem antes do seu descobrimento.
Lendas e deuses
Uma conhecida lenda celta nos conta sobre São Brandão, um druida convertido ao cristianismo que, acompanhado de dezesseis homens, saiu à procura de outro monge, Mermoc, que não estava perdido, mas atrasado. Aí a lenda se depara com a história, com a presença de Viracochas — homens barbados vestidos em camisolões de algodão em barcos de pele.
Por que barcos de pele? Nessa época usavam barcos de peles, costuradas uma a uma, untadas com betume. E a lenda nos conta que os barcos foram consertados com peles de grandes répteis que abundavam em um grande rio. Será que esserio era o Amazonas com seus jacarés? Só Deus sabe. Não existem documentos sobre as viagens de São Brandão, mas as lendas a seu respeito são numerosas e resistentes, cruzando-se entre si e confirmando as descobertas modernas. Sabemos que os povos do Novo Mundo eram naturalmente imberbes, além do que muitas tribos raspavam o crânio, e muitas lendas chegaram a nós falando sobe a chegada de homens de barba.
Quando Cortez desembarcou no novo mundo e avançou para o interior atrás de riquezas, ficou muito espantado ao encontrar uma civilização desenvolvida e requintada. Nos templos encontrou estátuas que representavam um deus branco. Os astecas, em especial, contavam que esses deuses introduziram algumas leis muito boas e ensinaram aos nativos conhecimentos bastante úteis. No Peru, temos uma antiga tradição de populações costeiras, que fala de tempos remotos nos quais um grupo de gigantes chegou por mar, navegando em barcos de madeira, e se instalou na Península de Santa Elena (Equador). Eram navegantes exímios e viviam de frutos do mar. Esses gigantes escolheram mulheres entre as populações locais e ali se estabeleceram, construindo grandes obras. Entre as obras estão os poços abertos na rocha bruta, que até hoje encontramos no interior.
O histórico viking ainda tem muito a fornecer em informações a esse respeito, porque se apóia em surpreendentes descobertas culturais, não faltando dados, desenhos e inscrições que suscitam a possibilidade da cultura viking ter se estabelecido no Novo Mundo antes e durante a Idade Média. Itens perdidos na história? Curioso é um mapa de 1542, executado por Vulpius, baseado em antigas cartas e levantamentos cartográficos. Ele nos mostra o globo terrestre. E na região que fica entre a baía de Santos e a ilha de Santa Catarina, temos o nome sugestivo de Costa Danea, ou seja, Costa Dinamarquesa.
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