Viagens Místicas
2009-04-29 16:32Cada vez mais pessoas procuram, no período de férias, locais considerados místicos ou misteriosos. Também muito procuradas para visita são as ruínas de grandes culturas do passado. Aqui a revista Sexto Sentido apresenta alguns dos locais mais interessantes e procurados do turismo histórico-esotérico.
Várias pessoas estão sentadas em círculo, meditando ou concentradas em algum tipo de mantra. À sua volta erguem-se imponentes construções de pedra, que um dia já foram freqüentadas pelos incas no auge de sua civilização. Os que compõem o círculo podem estar evocando forças da natureza, entrando em contato com alguma entidade da terra, seres intra ou extraterrestres, ou apenas congregando suas energias para se refazer das dificuldades do dia-a-dia nas grandes cidades. Em outros pontos do mesmo lugar há diferentes grupos de turistas observando fabulosos detalhes arquitetônicos, que causam espanto tanto em leigos como técnicos e cientistas.
Essa cena imaginária pode muito bem ser vivida em Machu Picchu, um dos locais mais visitados pelo turismo místico-esotérico, e também por aqueles que desejam apenas entrar em contato com a obra das civilizações ancestrais. A cidadela dos incas — localizada a cerca de 10 quilômetros de Cuzco, a 2130 metros de altitude — reúne ambas as qualidades: ao mesmo tempo em que resume o potencial arquitetônico dos incas, nos últimos tempos tem servido como ponto de contato com todo tipo de entidades ou situações místicas, tornando-se um dos locais mais visitados por turistas de todo o planeta.
O Peru está repleto de sítios arqueológicos que mexem com a imaginação, remetendo seus visitantes a um passado glorioso, muitas vezes conduzindo a mente a um estado elevado de energia, capaz de possibilitar contatos com outras dimensões e entidades espirituais. Tudo depende do que a pessoa está procurando.
Também muito cortejada no Peru é a Festa do Sol, o Inti Raymi, que ocorre no dia 24 de junho — data que marca o solstício de inverno no hemisfério sul. Uma comemoração tradicional inca, considerada a maior festa do país, seu objetivo é chamar o sol de volta por meio de rituais mágicos. A celebração é realizada em Cuzco, nas ruínas de Sacsahuamán, com centenas de participantes que recriam o ambiente do antigo império inca.
A Festa do Sol também pode servir como uma boa desculpa para visitar Sacsahuamán, já que, segundo a arqueologia, o local deve ter sido uma das fortalezas incas e sua arquitetura é impressionante. Próximas ao forte também existem ruínas que, segundo alguns investigadores, não estão relacionadas à fortaleza, lembrando mais as construções semi-acabadas de Puma Punku, na Bolívia. O lugar está repleto de imensos blocos de granito, talhados diretamente na pedra, revelando dois detalhes intrigantes: os blocos parecem ter sido virados de cabeça para baixo, e não existem sinais de junções ou grampos ligando-os. Existem escadas que levam para ao teto, ou que saem do teto em direção a nada, além de arestas talhadas em ângulos retos perfeitos, sem que se consiga definir qual seria seu objetivo. Enquanto especialistas dizem que a obra é anterior aos incas, as lendas contam que os deuses começaram a construir algo e, mudando de idéia, destruíram o lugar virando-o de cabeça para baixo.
Linhas e Esculturas
Mensagens para os deuses ou, segundo alguns, escritas pelos próprios deuses. Isso é o que podemos encontrar em Nazca, também no Peru, onde existem os famosos desenhos e inscrições traçados no chão. Essas formas misteriosas ocupam uma área de 60 quilômetros de comprimento por 2 de largura e representam animais, seres desconhecidos, linhas e figuras geométricas perfeitas, executadas de uma forma que, ainda hoje, a arqueologia não conseguiu determinar. Alguns cientistas explicam que as populações nativas do Peru, anteriores aos incas, poderiam ter feito os desenhos, mas até hoje não foi determinada a técnica empregada.
Entre os sítios arqueológicos do Peru, um dos que mais chama atenção é o de Chavin de Huantar, considerado o conjunto de ruínas que representa a mais elaborada forma de arte encontrada no continente. A datação oficial situa a civilização de Huantar entre 1000 e 500 a.C., anterior ao período inca. O lugar é visto como um centro religioso importante que, possivelmente, recebia muitos peregrinos nesse passado distante.
Algumas fontes situam a civilização de Chavin de Huantar em 3 mil a.C., enquanto outras, mais radicais, chegam a falar em 10 mil a.C. Essa idade não é bem aceita pelos arqueólogos e historiadores ortodoxos, mas cada vez encontra mais adeptos nos meios científicos. Certos estudiosos chegam a estabelecer uma relação entre essa cultura e a olmeca, no México, devido a uma série de semelhanças arquitetônicas e religiosas.
O Chile também tem suas atrações, como a viagem ao deserto de Atacama, repleto de sítios arqueológicos fantásticos, apresentando inclusive desenhos feitos com pedras que lembram os de Nazca. E é do Chile que se chega à fantástica Ilha de Páscoa, isolada no meio do Oceano Pacífico, com suas estátuas gigantescas, eternamente olhando para o mar, como se esperando a chegada dos deuses ou do povo que supostamente colonizou o local.
A Cidade Mais Antiga
Sem sair dos Andes, é possível conhecer Tiahuanaco, vista por muitos como a cidade mais antiga do mundo. O monumento arqueológico está situado às margens do Lago Titicaca, a cerca de 4 mil metros de altitude, próximo à fronteira do Peru com a Bolívia. Quando os espanhóis chegaram ao continente, as origens da construção já estavam envoltas em lendas e mitos muito anteriores ao império inca. Dizem que seu nome original era Chucara, ou A Casa do Sol, e que a cidade teria sido subterrânea — os gigantescos blocos de pedra que hoje podem ser vistos seriam remanescentes das poucas construções existentes na superfície.
Próximo a Tiahuanaco, também na Bolívia, encontra-se Puma-Punku. Sua origem também não está determinada — alguns dizem que as ruínas fazem parte do conjunto de obras de Tiahuanaco; outros, que se trata de um outro tipo de arquitetura. Como em quase todas os sítios arqueológicos da região, as construções são gigantescas, dando a impressão de estar inacabadas, como já foi sugerido em relação a Sacsahuamán. Existem indicações de que pirâmides estavam sendo construídas no local e as lendas, mais uma vez, falam de deuses que construíram Puma Punku em apenas uma noite e a destruíram virando tudo de cabeça para baixo.
O local chegou a ser usado como uma espécie de pedreira pelos espanhóis e habitantes locais, mas muita coisa resistiu à destruição. Os trabalhos são tidos como perfeitos, com encaixes milimétricos e traçados de precisão espantosa. Assim como em Tiahuanaco, não se pode atribuir as construções aos incas ou aos aimarás, devendo ter uma origem bem mais remota. Porém, o mais estranho em Puma Punku é que ninguém conseguiu adivinhar para que serviriam as construções, algumas extremamente complexas.
Maias e Astecas
Para quem estiver disposto a esticar um pouco a viagem, o México é prato cheio para os amantes de lugares históricos. Os maias e astecas deixaram como legado no país uma série de construções fabulosas que figuram entre as mais bem elaboradas do mundo. Geralmente, os sítios arqueológicos mais procurados são os de Chichén Itzá, Palenque, Uxmal, Teotihuacán e Monte Albán.
Chichén Itzá é onde se encontra o famoso Caracol, um observatório astronômico construído com precisão geométrica até hoje reverenciada por especialistas. O Caracol está alinhado de forma a estudar importantes acontecimentos astronômicos, com aberturas nas paredes que permitiam o cálculo dos ângulos dos astros com extrema precisão. Também chama atenção o Templo dos Guerreiros, com suas mil colunas, construído depois que os toltecas conquistaram os maias da região.
Em Palenque encontra-se o Templo das Inscrições, erguido na forma piramidal, tão comum entre os maias. Uma escadaria leva a uma câmara subterrânea onde foi encontrado um sarcófago atribuído ao Senhor Pacal. Segundo historiadores e arqueólogos, o magnífico desenho na tampa do esquife representa a viagem do espírito de Pacal ao reino dos mortos, mas outras explicações foram sugeridas. Principalmente depois dos estudos realizados pelo escritor alemão Erich von Däniken, a imagem foi associada à de um astronauta sentado em posição de vôo dentro de uma cápsula, semelhante à posição em que ficam os viajantes espaciais modernos. A sugestão é que os maias tinham conhecimento ou tiveram contato com extraterrestres, e reproduziram isso na pedra.
Também imperdível é uma visita a Teotihuacán, localizada a 50 quilômetros da Cidade do México. A cidade foi um importante local de veneração para os astecas mas, segundo os historiadores, sua origem é bem anterior a eles. As lendas dizem que o local foi construído por gigantes chamados quinamatzins, e ainda hoje, na antiga língua nahuatl, Teotihuacán significa o lugar onde os homens voam como deuses, ou a morada dos que conhecem o caminho dos deuses. Não se sabe que povo ergueu as construções, mas trata-se de uma das mais impressionantes da América, com inúmeros templos e as gigantescas pirâmides do Sol e da Lua.
Indo um pouco mais longe, na Espanha, os fãs de Paulo Coelho também têm a possibilidade de conhecer o Caminho de Santiago, em Santiago de Compostela. Uma das atrações, além do percurso místico já realizado por inúmeros artistas, é a Catedral de Santiago — uma obra arquitetônica entre as mais belas do mundo e a primeira das grandes catedrais medievais do país, cuja construção foi iniciada em 1074.
E, é claro, o Egito continua sendo uma das maiores atrações do planeta, segundo alguns só rivalizadado pelas construções do México. Pirâmides gigantescas, esfinge, estátuas, museus, túmulos: no Egito — o passado milenar do planeta pode ser encontrado para onde quer que se olhe, apresentando-se como algo sempre grandioso, uma experiência renovadora para o espírito. Muitos grupos de turistas, inclusive, entendem que as pirâmides possuem uma energia muito especial, capaz de modificar a vida das pessoas para melhor e até possibilitar contatos com entidades dimensionais ou seres extraterrestres.
As viagens pela Índia também são grande fonte de inspiração, tanto para os interessados em conhecer a pátria de alguns dos maiores místicos e religiosos da história, quanto para os que buscam a pura beleza arquitetônica, da qual o Taj Mahal é um dos exemplos mais perfeitos. O mausoléu foi construído no século XVII pelo imperador mongol Shah Jahan, possuindo proporções simplesmente perfeitas. Nas palavras do escritor Rudyard Kipling, o Taj Mahal é a corporização de tudo que é puro e sagrado. O Oriente é, na certa, a maior fonte de inspiração da chamada Nova Era, e são inúmeras as visitas que podem ser programadas, do Nepal aos templos fantásticos de Bali e Bangkok, ou as ruínas da civilização de Angkor Vat, no Camboja, que por cerca de 400 anos estiveram escondidas do mundo pela selva.
Misticismo no Brasil
O Brasil também tem muitos locais interessantes para se visitar, alguns bastante visíveis, como é o caso da Pedra da Gávea no Rio de Janeiro. O acesso ao local onde dizem estar gravados textos num idioma desconhecido é bem complicado, mas alguns pesquisadores entendem que a rocha inteira é, na verdade, uma espécie de monumento construído pelos sumérios, que teriam chegado ao Brasil milhares de anos antes dos portugueses.
Outro local bastante procurado é São Thomé das Letras, cidade ao sul de Minas Gerais que serve de palco para muitas histórias interessantes, desde avistamentos de OVNIs até a existência de uma caverna, que teria ligação subterrânea com Machu Picchu. A tal caverna é Carimbado, já explorada pelo exército brasileiro. Dizem que, depois de andar 10 quilômetros em seu interior sem chegar ao final, os soldados desistiram da exploração. Os OVNIs são tão comuns na região que os moradores nem dão muita importância ao fato. Em certa oportunidade, mais de mil pessoas que se encontravam numa praça presenciaram o surgimento de luzes no céu. Mas, mesmo para quem procura apenas um bom passeio, São Thomé é um lugar muito bonito, com inúmeras cachoeiras e passeios interessantes.
Sete Cidades é um nome quase mágico para os estudiosos do passado do Brasil. Localizado perto da cidade de Piracuruca, Piauí, o lugar costuma ser visto como uma formação natural causada pela erosão. Muitos estudiosos, no entanto, entendem que se tratam de ruínas de um povoado antiqüíssimo, possivelmente de origem fenícia, construído há mais de 3 mil anos. Chegou-se a elaborar um mapa detalhado da suposta cidade, onde existiriam dolmens, menires, castelos, templos, monumentos e construções em forma de dragões e outros animais. As paredes de pedra chegam a atingir 45 metros de altura, com algumas inscrições de origem indeterminada.
Nos últimos tempos, um dos lugares mais carregados de misticismo no Brasil tem sido a Serra do Roncador, que começa em Barra do Garças, Mato Grosso, e termina na Serra do Cachimbo, no Pará. Considerado um local de onde emanam energias poderosas positivas, a serra está relacionada à existência da famosa cidade perdida procurada pelo explorador inglês Percy Fawcett, bem como às civilizações subterrâneas ou intraterrenas. Muitos turistas viajam para lá em busca de inspiração, para refletir e meditar.
As histórias sobre a Serra do Roncador são inúmeras. A origem da civilização inca é atribuída ao local, além do Templo de Ibez, o Caminho de Ió, o Templo de Shamballah, Agartha, a Rota do Dragão, e muitos dizem que ali se localiza um dos chacras do planeta, o Portal de Aquarius. Para completar, os aparecimentos de OVNIs na região seriam extremamente comuns. Devido a esse aspecto místico, inúmeras comunidades se instalaram na região e, com os contatos apropriados, é possível participar de rituais e palestras que elas realizam.
Para quem busca repor as energias ou entrar em contato com a natureza durante as férias, as opções são muitas. É só fazer as malas, preparar a mente e embarcar na aventura.
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