Ufologia e Misticismo
2009-04-22 15:01Quase sempre despertando grandes suspeitas quanto à sua autenticidade, os grupos de estudo que seguem a ufologia mística têm crescido muito no mundo, merecendo um estudo mais minucioso e imparcial.
A chegada de um novo milênio, e conseqüentemente da tão apregoada Nova Era — período em que o homem passaria por uma espécie de Idade de Ouro ou, segundo querem alguns, sofreria o temido Juízo Final —, deu origem a uma série de grupos e comunidades com o objetivo de receber e divulgar as mais variadas mensagens sobre esse novo tempo. Tais grupos seguem diferentes filosofias ou religiões, utilizando modos particulares de agir, de se relacionar com o mundo, com a sociedade em geral e entre si.
Muitos afirmam estar recebendo uma série de mensagens — quase sempre relacionadas às dificuldades ou necessidades próprias deste período de transformação pelo qual a humanidade está passando —, que estariam sendo transmitidas por extraterrestres. Esses seres, de outros planetas, outras dimensões ou as duas coisas juntas, teriam interesse direto em nosso planeta pelos mais variados motivos. O estudo ou divulgação do contato com tais alienígenas recebeu o nome de ufologia mística, ainda que alguns prefiram o termo ufologia avançada.
De uns tempos para cá, o mundo da ufologia foi invadido por nomes como Ashtar Sheran, Comando Intergaláctico, Frota Suprema Intergaláctica, Hierarquias Interplanetárias, Tribunal Galáctico, Alinhamento Celestial, Arrebatamento, Portal Pleiadiano e muitos mais. Alguns seres humanos passaram a ser considerados como canais para receber e transmitir recados dos ETs. Em certos casos, o processo de canalização assemelha-se à maneira como os médiuns recebem mensagens de espíritos desencarnados. Em outros, o fenômeno se dá por telepatia sem que o canal humano entre em transe — o que desperta ainda mais desconfianças por parte dos ufólogos seguidores da tradicional metodologia de pesquisa científica.
A canalização de mensagens cresceu de forma espantosa a partir dos anos 80, com a publicação de centenas, talvez milhares de livros e revistas sobre o assunto. No entanto, tudo indica que o início das mensagens extraterrestres ao nosso planeta é bem anterior. Por exemplo, muitas pessoas falam sobre o The Urantia Book — um livro com mais de 2 mil páginas, que conteria informações sobre o universo e os habitantes dos mais diferentes mundos. O volume foi supostamente compilado por um médium ou grupo de médiuns a partir de 1911, que receberam os textos de seres às vezes identificados como anjos, às vezes como extraterrestres. As mensagens obtidas até 1934, foram publicadas em 1955.
Mas bem antes disso, entre 1881 e 1882, o médium norte-americano John Ballou Newbrough também havia recebido revelações atribuídas a um anjo, relatando 72 mil anos de história da Terra, sua colonização e a criação dos humanos por anjos e outros seres do universo. Essas informações foram publicadas no livro Oashpe: Uma Bíblia Kosmon nas Palavras de Jeová e Seus Anjos Embaixadores.
Mensagens do Espaço
Na história mais recente da ufologia, o ano de 1952 é visto por alguns como o início da fase verdadeiramente mística. Foi nessa data que George Adamski afirmou ter encontrado seres de Vênus e recebido deles uma série de informações sobre o perigo que nosso planeta corria. Nos anos seguintes, os já costumeiros contatos imediatos com naves e extraterrestres começariam a apresentar cada vez mais mensagens sobre o futuro da Terra — consideradas pelos críticos como informações absolutamente comuns. Nada do que os supostos alienígenas diziam era novidade e nenhum deles pediu para ser levado ao ‘nosso líder’.
Os contatos de Adamski e outras pessoas, segundo relatos, costumavam ser físicos. Os OVNIs surgiam, aterrissavam e os ETs falavam o que desejavam ou enviavam mensagens telepáticas. Coincidentemente ou não, foi também em 1952 que aconteceu um contato que já prenunciava a onda de canalizações dos anos seguintes. Andrijah Puharich, cientista que durante algum tempo esteve envolvido com Uri Geller (ver matéria nesta edição), levou um místico indiano para a Fundação Távola Redonda, criada para pesquisar fenômenos parapsíquicos. Em estado de transe, o vidente manifestou uma entidade que se identificou como Os Nove — extraterrestres que já teriam estado aqui em épocas distantes. Eles afirmavam que em breve haveria uma chegada maciça de naves espaciais à Terra.
Hoje em dia, muitos levantam a hipótese de que a atual onda de Nova Era teve início com as mensagens do tal místico indiano, divulgadas pelo próprio Puharich e outros membros da Fundação. Elas deram origem ao conceito do arrebatamento, que cresceu bastante desde então e está presente em quase todas as chamadas seitas ufológicas, que vêem a presença dos extraterrestres em nosso planeta de forma quase religiosa. Segundo esse modo de pensar, os ETs estariam fornecendo mensagens e informações para modificar a forma do homem se relacionar com o planeta e com seus semelhantes. Então, assim que o processo estivesse consolidado, os seres humanos ‘transformados’ seriam arrebatados, levados embora pelos extraterrestres
Visão Científica?
O problema óbvio que surge com a ufologia mística é a dificuldade de comprovar o que está ocorrendo. Ao contrário da ufologia científica, a mística não se preocupa em obter fotos de OVNIs ou qualquer outro tipo de evidência, uma vez que sua estrutura está baseada na fé, na crença. Quase todos os grupos afirmam que apenas as pessoas espiritualmente evoluídas conseguem ver os Ets e suas naves. Que muitos desses seres já estariam vivendo entre nós, cumprindo suas missões, ainda que a maioria da população não consiga detectá-los. Alguns teriam chegado através de naves espaciais e assumiram aparência humana; outros teriam reencarnado em corpos humanos, o que não seria difícil, uma vez que são vistos como seres de natureza espiritual.
Os ufólogos mais tradicionais vêem um grande perigo nas seitas ufológicas, especialmente depois do suicídio coletivo ocorrido em 1987, quando os membros da Heaven's Gate ingeriram veneno acreditando que, dessa maneira, iriam despertar para uma nova vida a bordo de uma nave espacial.
As mensagens também mudaram muito desde 1952. Hoje, praticamente não se ouve mais falar sobre as bombas nucleares da forma tão simplista como Adamski apresentava. Em alguns casos, os textos de canalizações são tão complexos e envolvem tamanha quantidade de informação que só os especialistas no assunto conseguem desvendar ou ter uma idéia aproximada do que está sendo falado. Segundo os místicos, como as mensagens referem-se a uma transformação espiritual, elas não são dirigidas a cientistas ou aos governantes do planeta — pessoas que realmente teriam poder para modificar as coisas — simplesmente porque não encontrariam qualquer repercussão entre eles. Em outras palavras, a ciência terrestre seria totalmente incapaz de entender o que os alienígenas têm a dizer.
Como era de se esperar, a ufologia científica retruca usando um argumento óbvio: se os cientistas ou líderes planetários fossem levados a bordo de uma nave, ou a uma cidade subterrânea ou interdimensional, como ocorre com alguns dos canais terrestres, o problema de incredulidade estaria totalmente resolvido.
Entre Nós
O início dos estudos ufológicos levantou várias questões sobre a veracidade dos contatos imediatos e fotografias de OVNIs. Muitas fraudes foram detectadas, o que causou certos atrasos e entraves nas pesquisas devido à desconfiança. O mesmo tem ocorrido com a ufologia mística: os casos comprovados de fraude, de gente mal intencionada que se aproveita da crença alheia para ganhar dinheiro e prestígio atravancam a pesquisa séria. Mas não impedem a multiplicação dos grupos.
A quantidade surpreendente de canalizações e mensagens transmitidas por extraterrestres das mais variadas origens — Plêiades, Órion, Sirius, Capela, Arcturus e lugares ainda mais distantes do universo — deixa a impressão de que seria no mínimo difícil tantas pessoas estarem envolvidas em fraudes. Ou que todas estejam, como alguns pesquisadores querem, alucinadas ou mentalmente perturbadas.
Muitos dos relatos são fornecidos por gente de caráter, cultura e sanidade mental acima de qualquer suspeita. O participante de um grupo de pesquisa ufológica mística, que preferiu se manter no anonimato, afirmou que freqüentemente visualiza naves espaciais sobre a cidade de São Paulo, pairando em áreas densamente povoadas. Só que nem todos são capazes de vê-las, como nem todos conseguem receber suas mensagens — da mesma maneira que alguns paranormais manifestam fenômenos e exibem capacidades ausentes no homem comum.
A grande questão que geralmente se coloca tem a ver com o objetivo dos extraterrestres. Afinal, por que estariam em nosso planeta? Alguns ufólogos defendem que os ETs já estiveram por aqui num passado longínquo e, de alguma forma, foram responsáveis por nosso desenvolvimento, talvez alterando geneticamente a raça humana. Desde então eles estariam trabalhando para que atingíssemos níveis mais elevados de desenvolvimento tecnológico e espiritual. Na linha científica prevalece a suposição de que os alienígenas estejam realizando experiências na Terra — algumas envolvendo abduções e experiências genéticas aterrorizantes.
Esse é um dos pontos de divergência entre a abordagem mística e a científica. Certos pesquisadores levantam a possibilidade, por exemplo, de que a atuação dos extraterrestres, desde que chegaram aqui, visa apenas elevar espiritualmente o homem para que este consiga receber e entender suas mensagens.
Outro motivo de discórdia entre as duas linhas é à noção de que a Terra está ligada a outros planetas por uma rede energética. A ciência e a ufologia científica não apenas rejeitam essa concepção como a atribuem a tratados de magia e ocultismo.
Seja como for, apesar das diferenças, é mais ou menos claro que alguma coisa diferente está acontecendo no planeta. Mesmo que seja apenas o surgimento de uma nova religião, como alguns historiadores propõem, a ufologia mística merece uma abordagem mais profunda e menos passional, o que poucas vezes acontece quando se fala sobre OVNIs e extraterrestres.
Para Saber Mais:
Alienígenas Entre Nós - Ruth Montgomery (Ed. Nova Era.)
O 12º Planeta - Zecharia Sitchin (Ed. Best Seller.)
Miz Tli Tlan - Trigueirinho (Ed. Pensamento. Fone:
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