Triângulo das Bermudas

2009-04-17 18:21

O nome Triângulo das Bermudas já está incorporado ao vocabulário moderno e continua sendo um dos maiores mistérios do planeta. Hoje, já não se sabe o que é mais estranho: os desaparecimentos que ocorrem no local há séculos ou as teorias para explicar esse fenômeno.

    Em uma época em que satélites são capazes de verificar praticamente tudo o que acontece na superfície e subsolo do planeta, como é possível que os estranhos acontecimentos na região conhecida como Triângulo das Bermudas continuem sendo um mistério?
    É verdade que a ciência procura minimizar o desaparecimento de aviões e navios atribuindo-os ao mau tempo e a condições eletromagnéticas especiais naquela região. Contudo, os relatos de pessoas que estiveram no local e presenciaram de perto alguns fenômenos inexplicáveis mantêm o enigma em aberto e dão origem a uma variedade de teorias, que vão desde a existência de um cristal energético submerso no mar, resquício da Atlântida, até a presença de OVNIs e passagens interdimensionais.
    O Triângulo é delimitado pelo arquipélago das Bermudas, Porto Rico e o litoral da Flórida, mas esse termo só foi utilizado pela primeira vez em 1964, num artigo escrito por Vincent H. Gaddis para a revista Argosy. O que se sabe de concreto é que nessa área do Oceano Atlântico, ocorreram vários incidentes envolvendo o sumiço de aviões e navios, a maioria jamais encontrada. Até onde se sabe, a região recebeu o nome de Triângulo das Bermudas em 1945, quando se deu um dos mais famosos casos já registrados até hoje, em que 6 aviões da marinha americana sumiram com seus tripulantes sem deixar o menor vestígio.
    Quando as estranhas ocorrências começaram a ser estudadas, os pesquisadores  descobriram várias referências históricas remontando ao século XVI, recheadas de lendas sobre a região e os demônios que habitariam nela. Até mesmo os temíveis piratas da época evitavam passar pelo local, e é possível que muitos dos relatos aterrorizantes colhidos ao longo dos anos tenham origem ainda mais antiga, em uma época anterior à chegada dos colonizadores europeus. Inúmeros desaparecimentos foram registrados nos séculos XVII e XVIII, envolvendo mais de mil pessoas, embora muitos estudiosos entendam que os casos mais antigos não devem ser levados em consideração ou entendidos ao pé da letra, tanto pela falta de registros adequados quanto pelo fato de as embarcações da época não terem as mesmas condições de segurança dos navios e aviões modernos, estando mais sujeitas a naufrágios.

Sumindo do Mapa
    O desaparecimento da esquadrilha de aviões TBM Avenger ocorrido a 5 de dezembro de 1945 é uma referência clássica dos mistérios no Triângulo das Bermudas. A patrulha de cinco aviões decolou de Fort Lauderdale, na Flórida, e tudo corria bem até que algo aconteceu com os instrumentos de vôo. Nas mensagens transmitidas por rádio o comandante disse que eles não estavam conseguindo determinar sua posição pois as bússolas tinham enlouquecido. Depois disso, silêncio. Um hidroavião foi enviado à procura da esquadrilha e também sumiu. As buscas envolveram dezenas de aviões e navios, mas não foi encontrado o menor sinal das aeronaves.
    Em relatos de casos posteriores, certos detalhes se mostraram comuns à maioria deles, como radiocomunicação truncada, bússolas inoperantes, uma sensação estranha nas pessoas, e até mesmo o surgimento de uma luminosidade de origem indeterminada, como uma neblina levantando-se do mar. Testemunhas também afirmam terem visto luzes surgirem repentinamente próximas à superfície, às vezes no céu, o que fez alguns pesquisadores considerarem a hipótese de um fenômeno OVNI.
    Também foi comum em vários desaparecimentos o avião ou navio comunicar-se por rádio minutos antes de sumir sem que houvesse qualquer problema climático à vista. Isso elimina as explicações oficiais mais comuns, que atribuem os desaparecimentos às péssimas condições de tempo na região, sempre atingida por tempestades violentíssimas. Até as investigações da marinha e aeronáutica dos EUA deixaram bem claro que, em sua grande maioria, os eventos ocorreram sob condições climáticas excelentes.

Teorias

    Na falta de uma explicação científica válida para os desaparecimentos, várias teorias começaram a surgir, elaboradas tanto por cientistas como estudiosos do assunto. A hipótese da possível interferência de OVNIs passou a ganhar terreno depois que uma série de objetos voadores foram vistos saindo do mar. Ufólogos levantaram a possibilidade de existirem bases no fundo dos oceanos terrestres, de onde os OVNIs partiriam para realizar missões no planeta: abduzir pessoas, navios e aviões, com finalidades desconhecidas. Quando as notícias sobre abduções começaram a ser pesquisadas com mais profundidade pelos ufólogos, essa idéia ganhou novo impulso, mas não se pode dizer que seja a mais aceita. Uma referência famosa sobre o Triângulo está no filme Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de Steven Spielberg: em uma das cenas aparecem, no deserto, vários aviões que sumiram nos anos 40 e 50. E durante a cena final, quando surge a gigantesca nave-mãe, ela traz consigo os pilotos desaparecidos sem nenhum sinal de envelhecimento.
    É quase um consenso entre os que se aprofundaram no assunto que os eventos no Triângulo das Bermudas podem estar relacionados ao mau tempo, à quarta dimensão ou a uma passagem interdimensional. O mistério dos aviões em 1945 reforçou muito as teorias sobre passagem dimensional e intervenção extraterrestre. O escritor e pesquisador Charles Berlitz – um dos primeiros a escrever sobre o tema com seriedade – disse em seu livro O Triângulo das Bermudas que, no dia em que os aviões sumiram, uma base aeronaval de Miami começou a captar uma mensagem muito fraca, que simplesmente repetia as siglas FT, o prefixo das aeronaves. O mais inusitado é que, quando isso aconteceu, os aviões já deveriam estar sem combustível há duas horas.
    Em 1974 mais detalhes vieram à tona quando o repórter Art Ford, que acompanhava o caso desde 1945, revelou num programa de televisão que o tenente Charles Taylor, líder da esquadrilha desaparecida, teria falado pelo rádio, “Não venham atrás de mim! Eles parecem vir do espaço!”. Essas palavras foram captadas por um radioamador, e um relatório posterior da marinha transcrevia parte da última comunicação do tenente com a base, confirmando no mínimo a primeira frase: “Não venham atrás de mim!”.

Outras Dimensões
    A idéia de que existe uma passagem para outra dimensão no loca pode parecer loucura, mas é apoiada por muitos pesquisadores. Vários fenômenos envolvendo alterações de tempo foram registrados na região, um deles bem próximo ao Triângulo: um avião 727 que chegava a Miami sumiu do radar e só voltou a aparecer 10 minutos depois, aterrissando sem problemas. A tripulação achou estranha a preocupação do pessoal de terra, já que nada tinham reparado de anormal. Quando verificaram seus relógios, perceberam que todos estavam 10 minutos atrasados.
    Muitas pessoas já viveram a experiência de repentinamente se ver em algum lugar do passado, como se a realidade à sua volta tivesse sido completamente alterada, ou como se tivessem atravessado algum portal dimensional. A literatura fantástica está repleta desses contos, onde nosso planeta parece dobrar-se para uma outra dimensão, possibilitando o trânsito de objetos e pessoas de um mundo a outro.
    Essa teoria não é apoiada abertamente por cientistas, ainda que muitos defendam a possibilidade de existirem pontos de contato entre dimensões. O biólogo Ivan Sanderson levantou uma questão bem interessante sobre o assunto. Segundo ele, foram detectadas 12 regiões do planeta onde ocorrem desaparecimentos (veja box). Duas localizam-se nos pólos Sul e Norte e as outras 10 entre os paralelos 30º e 40º dos dois hemisférios. Esses lugares apresentam anomalias geomagnéticas que afetam sinais eletromagnéticos e ondas de rádio, podendo ser a razão dos problemas já constatados em certas transmissões. Sanderson levantou a possibilidade de que, sob certas condições, essas anomalias também poderiam criar um tipo de redemoinho capaz de lançar objetos e pessoas para um outro espaço-tempo.
    Seguindo esse pensamento, também surgiu a teoria de que as regiões de anomalias estariam provocando um outro tipo de fenômeno:  em certas ocasiões, o nível do mar poderia descer vários quilômetros de repente, criando uma espécie de redemoinho que levaria consigo não apenas navios, mas também aviões sobrevoando a área afetada. Os objetos seriam arrastados rapidamente para imensas profundezas e, logo em seguida, a massa de água cobriria o espaço aberto. A pressão da água não apenas destruiria os aparelhos como impediria que voltassem à superfície. Apesar dessa idéia ser sustentada por alguns pesquisadores, é difícil entender como um fenômeno tão gigantesco não teria sido detectado até hoje.

Pirâmides no Mar
    Desde 1968 já se sabe da existência de ruínas submersas no Caribe, na área das Ilhas Bimini, tanto relacionadas à civilização maia quanto a uma possível civilização mais antiga – a atlante. A partir daí não causou espanto que, por volta de 1977, começassem a circular notícias de que existiam uma ou mais pirâmides submersa na região do Triângulo das Bermudas. Alguns chegaram a afirmar que as construções haviam sido descobertas pela sonda de um barco e que vários pilotos sobrevoando a região teriam percebido uma formação piramidal sob a água. Imediatamente, cientistas se manifestaram afirmando que as formações piramidais são bastante comuns na região menos profunda do Caribe.
    Em 1978 um industrial grego, Ari Marshall, interessou-se pela história e organizou uma expedição ao Banco Sal, local onde a suposta pirâmide tinha sido vista. A equipe disse que, numa profundidade de 280 metros, a pirâmide não apenas foi encontrada mas também gravada em vídeo. Ela possuiria duas aberturas laterais pelas quais passavam objetos brilhantes e, posteriormente, saíam por uma abertura mais abaixo. Até onde se sabe, esse vídeo jamais foi visto, o que não impediu algumas pessoas de imaginar que, mesmo não se tratando de uma pirâmide construída por mãos humanas, poderia tratar-se de um fenômeno desconhecido, e que partículas luminosas poderiam estar carregadas de eletricidade e causando algumas das anomalias verificadas na região.
    Em 1978 o piloto e político Ed Wilson, de Orlando, Flórida, também foi testemunha de um estranho acontecimento quando voava próximo da costa.     Segundo seu relato, o mar parecia estar mais baixo do que o normal e turbulento, deixando à vista uma estrutura piramidal com cerca de 45 metros de altura. Assim como em outros casos da região, os aparelhos deixaram de funcionar e uma estranha coloração envolveu o avião, obrigando-o a planar por cerca de 3 quilômetros. Quando o motor voltou a funcionar Wilson retornou ao aeroporto e percebeu que todos os aparelhos estavam queimados.

Cristais
    Outro fato misterioso é atribuído a um mergulhador que, ao procurar galeões afundados nas Ilhas Berry, Bahamas, percebeu várias construções submersas, uma delas com forma de pirâmide e contendo uma abertura. O mergulhador entrou e disse ter encontrado um cristal brilhando, sustentado por duas mãos metálicas. Algumas fontes situam esse evento em 1970, antes da ‘febre’ das pirâmides submersas, e afirmam que o mergulhador era o dr. Ray Brown, um naturopata do Arizona. Assim que retirou o cristal da pirâmide submersa, ele disse ter sentido uma ‘presença’ e percebido uma voz lhe dizendo para jamais retornar. Com receio de que o governo dos EUA confiscasse a pedra, Brown a escondeu até 1975, quando foi exibida num seminário sobre psiquismo em Phoenix, Arizona. 
    O cristal foi exibido poucas vezes depois disso, mas quem teve contato com ele afirma ter presenciado estranhos fenômenos: metais tornam-se temporariamente magnetizados e, em alguns casos, ocorreram curas ao simples contato.
    Esse tipo de narrativa, mesmo sem evidências para sustentá-la, abriu espaço para inúmeras pessoas, que se dizem psíquicas, tentarem apontar a origem da pedra – teria pertencido ao deus egípcio Thoth e também feito parte dos tesouros atlantes: antes da submersão do continente, os sacerdotes faziam uso de gemas energéticas poderosíssimas, capazes de ajudar a civilização ou causar problemas, se mal utilizadas. Quando a Atlântida foi tragada pelo mar, essas pedras – ou pelo menos uma delas – teriam afundado e seu poder permanecido intacto. Sem o controle de seus mestres, a energia desgovernada estaria causando os problemas no Triângulo e talvez até possibilitando uma abertura interdimensional.
    Seja como for, o fato é que o Triângulo das Bermudas permanece um mistério. A frase de um oficial da Guarda Costeira dos EUA, envolvido na investigação de 1945, define muito bem os estranhos eventos verificados no local: “Nós não sabemos que diabo anda acontecendo por aqui”. Sem dúvida, uma sensação compartilhada por todo o restante do mundo.

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A Ciência Não Explica
    Cientistas levantaram a hipótese de que nuvens de gás vindas do fundo do oceano poderiam diminuir a concentração da água, causando o afundamento de navios, afetando o motor de aviões voando em baixa altitude e alterando a coloração do ar. O fenômeno natural poderia, inclusive, ter destruído a civilização existente no local, em Bimini.
    Falou-se também na possibilidade de que um meteoro com características magnéticas tivesse caído nas Antilhas, numa época indeterminada, originando tanto os fenômenos magnéticos que afetam os aparelhos quanto as histórias narradas pelos povos da região, sobre uma imensa catástrofe que teria destruído a civilização local.
    Até o momento nenhuma explicação parece englobar todos os fenômenos verificados, mesmo se levarmos em conta que a existência de pirâmides e cristais não seja verdadeira.

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O Mar do Diabo
    Segundo Sanderson, nas 12 regiões do planeta onde existem anomalias geomagnéticas ocorrem desaparecimentos. A diferença é que a região do Triângulo das Bermudas tem tráfego e naval bem mais intensos.
    Das demais regiões misteriosas, a mais comentada é o Mar do Diabo, localizado a sudeste do Japão, entre Iwo Jima e a Ilha Marcus. Os desaparecimentos ali apresentam as mesmas características do Triângulo, sem qualquer sinal de destroços ou manchas de óleo. Um dos casos mais conhecidos e documentados ocorreu com o navio Kaiyo Maru 5 que, em 1955, partiu para a região com o objetivo de pesquisar para o governo a causa de tantos desaparecimentos. A embarcação, devidamente equipada para a missão, também acabou sumindo.
    O grande número de casos não solucionados no Mar do Diabo levou as autoridades japonesas a declarar a área como zona de perigo, mas ela já era evitada por pescadores há muito tempo, considerada um lugar habitado por monstros e demônios.

Para Saber Mais:
O Triângulo das Bermudas – Charles Berlitz (Ed. Nova Fronteira)

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