Transformação Interior
2009-04-17 14:40Mais do que um dos maiores sucesso editoriais dos últimos anos, com 20 livros psicografados, Zíbia Gasparetto entende que seu principal papel é ser uma agente para a transformação interna do ser humano. Por ter uma ligação muito especial com o astral superior, a médium procura sempre apresentar suas mensagens com bastante responsabilidade e equilíbrio.
Em entrevista exclusiva concedida à Sexto Sentido, Zíbia fala sobre seu dom, sua filosofia de vida, sobre o ser humano e final do milênio.
Desde quando a você psicografa e como isso aconteceu?
Desde criança, embora eu não soubesse que era psicografia. Aos 5 anos eu já adorava ler e escrever. Aos 8 ou 9 anos eu passava horas trancada no quarto escrevendo. Dois anos depois que me casei começaram a ocorrer uma série de fenômenos paranormais, como a xenoglassia (falar fluentemente, de forma inexplicável, em línguas com os quais a pessoa nunca se teve contato). Nós vínhamos de famílias tradicionais católicas. Vendo as coisas que estavam acontecendo e sendo um homem inteligente, meu marido começou a buscar explicações, estudando, comprando livros. Foi quando ele tomou contato com a filosofia espírita e gostou.
Nós passamos a fazer estudos em casa, o Evangelho no Lar. Durante esses estudos, comecei a sentir que minha mão adormecia e se movia sozinha. Eu queria parar mas não conseguia. Ela ficava gelada. Meu marido, que já estava pesquisando o assunto, falou, “Vamos colocar um papel e ver se você escreve”. Foi quando redigi meu primeiro romance. Ele já veio pronto.
A escrita não era direta ou mecânica. Os espíritos influenciavam minha mão e, quando eu pegava o lápis, surgia uma idéia em minha mente, uma frase inteira. Eu começava a escrever e vinha o resto. Aquilo começou e não parou mais.
Neste processo você tinha alguma consciência de que eram espíritos se comunicando?
Eu sou uma médium consciente: entro em estado alterado de consciência e fecho minha percepção do mundo exterior. Tanto que, no horário em que psicografo (de segunda a quinta, das 15 às 17h), eu fecho tudo: ninguém bate à porta e não atendo telefone. Hoje em dia eu escrevo no computador, mas os espíritos ditam do mesmo jeito – abro o programa, leio a última frase e continuo. Cada dia é uma história diferente. Tenho quatro romances em andamento.
Quantos e quais espíritos se manifestam para você atualmente?
O intermediário dos romances geralmente é o Lucius, um espírito que trabalha comigo há muito tempo. Acho que outros espíritos passam os romances para ele, porque os estilos são diferentes. É através de Lucius que os demais se comunicam. O Chico Xavier me disse que nós fomos amigos em outras vidas, muito ligados, e eu acredito que seja verdade. Mas não procuro saber das minhas encarnações passadas: a revelação vem quando se está maduro para ela. Se você vai atrás, pode se iludir, e qual a vantagem? Quando é preciso, a vida nos mostra.
Qual a relação do seu dom com o de seus filhos?
A mediunidade é trabalhosa, requer muito controle pessoal. Nunca forcei a mediunidade deles. A única coisa que eu fazia quando eles eram crianças era meia hora por semana do Evangelho no Lar, para passar valores morais e espirituais. A coisa foi acontecendo normalmente e, hoje eu sei, por informação espiritual, que minha família é um grupo que se reuniu para realizar um trabalho sobre mediunidade e paranormalidade. Por isso, viemos todos juntos. Meu filho Luiz teve uma infância difícil, por sua paranormalidade, mediunidade e sensibilidade acentuadas. Se ele não tivesse pais compreensivos, que estivessem estudando o assunto, seria levado a um psiquiatra, tomaria muito remédio, seria tido como desequilibrado. Quando os fenômenos começaram a ocorrer, aos 12 ou 13 anos, ele foi compreendido e orientado. Foi a parte espiritual que resolveu seus problemas, através de uma vidente que pertencia à Federação Espírita e morava perto de minha casa. Ela via tudo o que acontecia, explicava e o ajudou a se equilibrar.
Qual é o diferencial entre os seus livros, geralmente best-sellers, e outros psicografados? Quantos foram publicados até hoje?
Tenho 20 livros psicografados e um que é a reunião dos artigos que eu escrevia para a revista Contigo. Faço um trabalho muito sincero dentro da minha área e tenho uma ligação muito boa com o astral superior. Meus livros não são livros comuns. As pessoas me enviam cartas contando coisas que acontecem quando compram um livro meu, e sua vida sempre muda para melhor. Acredito que essas obras sejam acompanhadas por uma energia especial, que age naquela determinada pessoa. Sei que existe uma ligação porque comigo têm acontecido coisas impressionantes.
Eu não escrevo sozinha. Sou um instrumento. Eu materializo o livro, a ajuda espiritual, o esclarecimento. Eu e meus filhos somos agentes da transformação interior do ser humano. Desde muito tempo, os mentores espirituais já falavam para não nos preocuparmos com a parte espiritual. Eles diziam, “Se a pessoa está obsidiada ou não, se tem má influência ou não, vocês precisam ajudar a melhorar o ser humano, o indivíduo tem de melhorar. Esta é a função de vocês. O resto, deixa com a gente”.
E que poder nós temos para mudar o astral?
Nenhum! Agora, mudar o eu interior, isso eu posso. Posso passar alguns valores, algumas realidades para que você consiga se esclarecer, escolher melhor seu caminho. Eu nunca quis fazer proselitismo, jamais quis conduzir alguém. Quando uma pessoa vinha com algum problema, eu explicava a ela alguns valores. Nunca disse ‘faça isso ou aquilo’. Apresento algumas opções e ela faz o que quiser. Alguns querem dividir responsabilidades com você, e isso não pode ser. Se alguém está no ‘mundo de fora’, nosso trabalho é trazê-lo para o ‘mundo de dentro’.
Você teve problemas com o dogmatismo do meio espírita?
Para nós, que fomos muito endeusados no espiritismo, foi difícil sair. Até hoje, existem donos de livraria que não compram nossos livros. Principalmente do Luiz. Ele fala mais abertamente, por isso, é mais criticado. Meu filho é muito verdadeiro no que fala, e as pessoas têm muito preconceito.
O que acha da obra de Allan Kardec? Ele indicava uma linha interessante de pesquisa?
Eu acho que Kardec foi um grande pensador, um grande homem. Imagine, naquela época, escrever O Livro dos Espíritos. O livro tem uma série de ensinamentos, mas também diz que as pesquisas deveriam continuar. O que aconteceu com os textos de Kardec aconteceu com outras revelações. Olhem quantas linhas surgiram sobre o que Cristo fez! O homem cria um bocado de religiões; cada um pega uma fatia das revelações e interpreta à sua maneira. Kardec foi um grande revelador. O Livro dos Espíritos tem coisas muito importantes, profundas e interessantes, explicadas a ele pelos espíritos. Mas é claro que foi relativo a uma época, no século passado.
Também devemos lembrar que, quando se trata de mensagens, elas passam pelos médiuns, pelo consciente. Assim, se um espírito quer transmitir algo que o médium não aceita, ele instintivamente vai segurar a mensagem. A não ser que o espírito violente o médium e o deixe inconsciente, o que eles não gostam de fazer.
Nos EUA, muitas universidades estão pesquisando a paranormalidade. Estivemos em Berkeley dando uma palestra e eles tinham um programa bem avançado de estudos há 10 anos. Na França, as pesquisas pararam. No Brasil, o espiritismo se resumiu mais a fazer benfeitoria social, assistência social, do que outra coisa. Não se vêem grupos interessados em pesquisa. Mas existem obras assistenciais maravilhosas, como as Casas André Luiz, que prestam um serviço incrível aos deficientes.
Qual vai ser a religião do próximo milênio?
Eu acredito que um dia não vá mais existir religião. Não sei se até o próximo milênio vamos acabar com as religiões, se o homem vai ter um relacionamento sem intermediários com a essência divina, de maneira mais objetiva. Não sei se vamos precisar de mais mil anos ou se vai ser logo.
Acredito que haverá uma valorização da fé, da religiosidade e da pessoa interior. Às vezes, um ritual pode inspirar, servir como chave para determinadas coisas – mas não sei até que ponto vamos precisar dessa bengala, porque a evolução pressupõe sabedoria, consciência interior e uma ligação direta com a essência divina. Não há como imaginar uma pessoa evoluída sem essas qualidades. A religião foi criada para uma pessoa compartilhar com a outra, uma se amparar na outra dentro de determinada seita. Mas aí surgiu o fanatismo e cada um passou a interpretar as revelações de um jeito. Fica muito difícil.
Será que, no futuro, vai haver um fanatismo maior por parte das religiões institucionalizadas, justamente por elas sentirem que seu tempo está acabando?
A gente percebe que as mudanças sempre trazem uma guerra interior. Aqueles que tem conceitos muito arraigados tentam combater, fazer oposição. Ou porque a mudança não interessa para eles, ou porque estão tão inseridos em determinado processo que não querem largar o que têm e dizer que o que faziam não era bom. Por isso você não consegue fazer a pessoa mudar. Ela não ouve, só está escutando a si mesma. Mas a vida vai mostrando, para cada um, aquilo que ele tem de aprender.
Em termos práticos, como alguém poderia desenvolver essa nova espiritualidade?
É preciso que a pessoa queira, que experimente, procure, busque. São as coisas mais importantes. Não adianta querer que o outro faça, que o seu parente faça. Só funciona se você quiser, se questionar e jogue fora os velhos padrões. Tem que questionar até Deus. Tem que ter coragem para superar o medo do sagrado e de uma série de coisas que, desde a infância, foram colocadas na sua cabeça. O Luiz fala nos cursos dele: “Tem hora que você tem de matar Deus”. Não o Deus que cuida de tudo, mas a idéia que você faz dele.
A Passagem do Milênio e o Anticristo
Para Zíbia Gasparetto, é muito difícil saber até que ponto se pode confiar nas profecias. “Sei que é possível fazer premonições”, ela diz. “Isso está mais do que provado. Há quem diga que as pessoas acomodam os fatos à profecia. Mas na transformação do milênio eu acredito. O que os espíritos têm falado, em termos de revelação, é que o astral desceu, está mais perto da atmosfera e isso vai conduzir a uma grande transformação.” Ao se comunicarem com Zíbia, os espíritos dizem que vai haver um expurgo, e que isso deve acontecer logo, ainda que seja difícil definir esse ‘logo’, já que a noção deles de tempo é diferente da nossa e pode significar muitos anos.
Os espíritos também têm dito que vai haver uma revelação maior da verdade, ou seja, as pessoas sentirão o efeito de seus atos mais rapidamente. “Por exemplo”, ela explica, “nós acreditamos que as doenças sejam mensagens que o Eu Interior está mandando por alguma coisa errada que está sendo feita. Se você está com uma doença, medite para ver o que a vida quer lhe ensinar. Hoje, esse processo está muito mais rápido. Se a pessoa faz algo agora, amanhã já tem o resultado, justamente devido à proximidade astral.”
Um dos espíritos disse que, em maio deste ano, o astral desceria mais um pouco, ainda que a psicógrafa ainda não sabe exatamente no que isso pode ter resultado, se vão ou não surgir mais fenômenos físicos. A mensagem mais importante é que as pessoas precisam ser verdadeiras, corretas em suas atitudes. Não devem se aproveitar dos que estão em dificuldades ou que tenham uma ‘ética espiritual’ em suas vidas. “Isso vai defender você de qualquer coisa”, conclui Zíbia, “pois o bem é sempre a melhor defesa”.
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