Sinais nas Pedras

2009-04-29 16:03

Animais pré-históricos, figuras humanas modernas, aparelhos voadores e instrumentos atuais gravados em pedras milenares. Todos esses sinais são possíveis vestígios da presença de uma civilização ancestral da qual nós pouco ou nada sabemos.

Gilberto Schoereder

    Alguém já disse que nosso passado distante está gravado em pedra. Ele se encontra nas inúmeras construções, quase sempre gigantescas, espalhadas ao redor do mundo entre as mais diferentes civilizações e culturas. Arqueólogos e outros especialistas avaliam a idade desses monumentos em dezenas de milhares de anos.
    Até aí tudo certo. Mas, o que devemos pensar sobre esse mesmo passado, quando ele se apresenta registrado em rochas antiqüíssimas, com imagens de uma época na qual, segundo a história oficial do planeta, seria impossível existirem civilizações desenvolvidas no planeta?
    Essas pedras, segundo os pesquisadores, podem ser encontradas em grande quantidade na maioria dos continentes, mas é nas Américas que elas ganham cores ainda mais nítidas  — e provavelmente as gravações mais conhecidas estejam nas pedras de Ica, Peru. Calcula-se que mais de 50 mil dessas pedras tenham sido encontradas desde os anos 60, quando se tornaram conhecidas do mundo graças ao interesse do médico Javier Cabrera Darquea, que ganhou de presente um peso de papéis com a gravação de um animal.
    No entanto, sabe-se que antes mesmo de Cabrera iniciar suas pesquisas — que resultaram na criação de um museu com cerca de 11 mil pedras — o arquiteto e arqueólogo amador Santiago Agurto Calvo já havia descoberto alguns exemplares ao fazer escavações em túmulos. Referências à existência das pedras também foram levantadas por historiadores peruanos, com muitas delas encontradas após uma enchente do Rio Ica. O escritor e pesquisador Charles Berlitz cita um relatório do Peru à Espanha, em 1562, onde há menção de algumas dessas rochas enviadas à corte espanhola.
    Tais referências podem ser a maior prova de que as pedras não foram gravadas pelos modernos habitantes do Peru, como insinuam alguns cientistas, recusando-se a aceitar a realidade das imagens. E estas são fantásticas demais para serem aceitas sem ressalvas, pelo menos numa primeira e superficial avaliação.

Animais Pré-históricos
    Segundo Cabrera e outros que se dedicam ao estudo das gravações de Ica, se estas fossem consideradas autênticas, toda a história da humanidade teria de ser reescrita. Na verdade, tal postura se aplica a muitas outras descobertas, mas, no caso das pedras, como explicar a existência de uma cultura humana, há mais de de 40 mil anos, que conhecia técnicas cirúrgicas, astronomia e paleontologia? Por exemplo, na primeira pedra que Cabrera Darquea recebeu de presente, havia a figura de um pterossauro, um réptil já extinto e que viveu há cerca de 140 milhões de anos.
    Outras pedras trazem imagens de animais pré-históricos extintos — alguns que jamais existiram no continente americano —, de transplantes de órgãos humanos e uma representação do nosso sistema solar. Mais estranho ainda, existem figuras de estranhos aparelhos e possíveis naves, desenhadas numa seqüência que Cabrera interpretou como a saída do homem da Terra rumo às estrelas, ou a saída dos seres que fizeram as gravações, dirigindo-se às Plêiades. Segundo ele, outra série de mapas parece indicar a localização da Atlântida.
    De maneira geral e oficial, os cientistas recusam-se a aceitar as gravações como válidas, atribuindo-as à fraude pura e simples — mesmo depois das pedras terem sido analisadas em laboratórios da Alemanha, que confirmaram sua idade de pelo menos 40 mil anos. Da mesma forma as análises determinaram que as gravações não poderiam ter sido feitas num período recente.
    As imagens de animais pré-históricos não se limitam às rochas do Peru. Em 1965, o cientista e pesquisador Juan Moricz descobriu um sistema de túneis na província equatoriana de Morona-Santiago, a mais de 200 metros de profundidade. Os tamanhos variam de passagens estreitas a salões grandes o bastante para abrigar um avião. Segundo pesquisadores como Erich von Däniken, os túneis e salões foram escavados em ângulos retos.     Em seu interior foram encontradas inúmeras peças de pedra e metal, além de milhares de chapas gravadas com símbolos e um tipo ainda desconhecido de escrita.
    Uma das pedras traz a imagem de um animal pré-histórico, de modo que o achado não pode ser atribuído aos incas, que não tinham conhecimento sobre o passado distante. Em algumas das placas existem imagens de pirâmides e elefantes, um animal que há muito desapareceu do continente americano.

Mensagens no México
    Imagens supostamente impossíveis de existir também podem ser encontradas no México. Além das construções fantásticas dos maias, astecas, olmecas, toltecas e outros povos que se estabeleceram na região, os pesquisadores também se referem a obras menos conhecidas e estudadas pela ciência. Na localidade de Acambara, por exemplo, foram encontradas cerca de 30 mil peças de cerâmica e barro com representações de dinossauros, plesiossauros, camelos, elefantes e rinocerontes lanudos, animais extintos no continente americano há 10 mil anos.
    As peças estavam num sítio arqueológico em 1945, ainda que alguns historiadores afirmem que elas já eram conhecidas desde 1925. Os especialistas Charles Hapgood e Ivan T. Sanderson foram os que mais se dedicaram ao seu estudo, mas foram incapazes de estabelecer uma teoria satisfatória para explicar o fato. Como é de praxe nesses casos, muitos arqueólogos disseram tratar-se de fraude, mas algumas peças foram submetidas a exames de carbono-14 e termoluminescência, determinando idades que variam entre 1110 e 4530 a.C., com algumas fontes chegando a citar 6000 a.C. Como no caso das pedras de Ica, a suposição de fraude surgiu a partir do pensamento circular de que, se os povos da região não conheciam esses animais, não poderiam tê-los desenhado. Só os pesquisadores independentes parecem levantar a hipótese de que ou essas culturas tinham mais informação do que supomos, ou são mais antigas do que a história decreta.
    Em Monte Alban — um conhecido sítio arqueológico do México, geralmente relacionado às culturas olmeca e zapoteca —, gravações ainda mais estranhas novamente sugeriram a idéia de fraude. Em meio às fabulosas construções reveladas ao mundo, pesquisadores encontraram uma rocha com o desenho da estrutura de um avião, mostrando as hélices e o motor. Alguns chegaram a supor que o objeto teria sido criado por uma civilização anterior à olmeca, causando uma forte impressão nas culturas posteriores, que o gravaram em pedra. Também é possível ligar esse achado com a lenda dos índios hopi, dos EUA, que afirmam terem sido levados à América em aparelhos voadores, vindos do Oceano Pacífico, quando o continente onde viviam afundou nas águas. Os hopi dizem que uma parte de seu povo seguiu para o norte, outra se estabeleceu ao sul — no que seria o território maia — e outra mais ao sul aihnda, ocupando o território inca.
    Na parede de um templo em Monte Alban também foi encontrada a representação de um ser com cabeça de elefante em corpo humano —isso num local que foi datado em cerca de 600 a 100 a.C., quando o animal já não existia no continente há milênios. Desenhos de criaturas com trombas também surgem em Tikal, Guatemala. Os pesquisadores notaram que algumas das trombas terminam numa saliência na altura do peito, e que tais seres carregam uma espécie de caixa nas costas. Isso imediatamente ligou as imagens à tão combatida teoria de que seres extraterrestres visitaram a região em épocas remotas.

Esculturas Gigantes
    Para a maioria dos estudiosos, a grande quantidade de pedras encontradas nas Américas não pode ser simplesmente coincidência ou fraude.     Seria preciso um esforço sem precedentes para produzir tamanha quantidade de material. As rochas surgem em todos os continentes, como na     Venezuela, onde o arqueólogo dr. Requeña descobriu restos de uma cultura na Lagoa Valencia, próxima ao litoral e da capital Caracas, à qual foi atribuída uma idade de 8 mil anos.
    Junto aos crânios humanos haviam figuras de barro reproduzindo animais extintos, como o diplodocus, o gliptodonte e o gadrossauro, este também gravado em pedra. Mais que isso, junto às estatuetas foram encontrados restos dos próprios animais, além dos de dinossauros e tigres dente-de-sabre.
    Certos paleontólogos e arqueólogos que estiveram no local afirmam que crânios humanos podem indicar a presença do homem de Neandertal na região, e o dr. Haberman, que também estudou os achados, entende que a cultura em questão pode ser ainda mais antiga. Para complicar o quebra-cabeça, continuando a escavar o dr. Requeña encontrou restos de esqueletos humanos que podem estar relacionados à presença de uma raça superior.
    O mistério das reproduções de animais extintos estende-se a Marcahuasi, um dos sítios arqueológicos mais famosos do Peru, a cerca de 388 metros de altitude. Ali existem rochas enormes, que tanto podem ter sido gravadas por uma civilização desconhecida, como podem ser formações naturais. As imagens mostram leões e camelos, além de figuras humanas representando várias raças.
    A descoberta foi feita por Daniel Ruzo, em 1924. Ruzo atribuiu sua elaboração a uma cultura chamada masma, que teria existido há centenas de milhares de anos e se espalhado por todo o mundo. Ainda que a suposição se enquadre perfeitamente na chamada história alternativa da Terra — que pressupõe a existência de inúmeras civilizações desenvolvidas no passado longínquo — as credenciais de Ruzo são nebulosas. Algumas fontes o citam como arqueólogo ou geólogo, outras como filósofo, poeta e fotógrafo.
    As figuras também só podem ser percebidas em determinados ângulos, ou com uma incidência de luz específica, mas apesar de todas as dificuldades, cada vez mais investigadores dirigem seus olhares para Marcahuasi. Diz-se que acima das cabeças humanas existem formas geométricas, e que algumas das formações ou esculturas lembram os antigos deuses do Egito, com cabeças de pássaros e outros animais.
    O professor russo N.F. Jirov esteve em Marcahuasi, em 1963, estudando os sinais encontrados e admitindo uma idade superior a 10 mil anos para as esculturas. Não se sabe como ele chegou a tal conclusão, mas outros pesquisadores chegaram a afirmar que o grau de oxidação das rochas poderia sugerir uma idade em torno de 25 mil anos.
É claro que essa avaliação é rejeitada pela chamada arqueologia oficial.

Sem Resposta
    Em 1937, nas grutas da região de Lussac-les-Château, França, foram encontradas pedras com gravações tão estranhas quanto as da América. A descoberta é atribuída aos arqueólogos Stéphane Lwoff e Léon Pricard, que a registraram no Bulletin de la Sociétè Prehistorique de France, e as peças foram datadas em cerca de 15 mil anos. Só que as imagens mostram pessoas com vestes atuais, ou seja, casacos, calças, sapatos e até chapéu.
    Para os investigadores do insólito e da história não registrada do planeta, nada mais natural que, se uma civilização antiga quisesse marcar sua passagem pela Terra fizesse uso das pedras.
    Vários historiadores afirmam que qualquer objeto ou desenho, por mais estranho que seja, não pode ser comparado ao que nós conhecemos hoje. Em alguns casos, eles nem devem ser considerados como 'mensagens' deixadas por outras civilizações — o que de maneira nenhuma facilita sua explicação, como é o caso das ‘esferas’. Esses objetos lisos, esculpidos em pedra e sem qualquer sinal, foram encontrados nas florestas da América Central, em meio à região outrora ocupada pelos maias. As formas esféricas, algumas perfeitas, estavam no meio da mata sem qualquer propósito conhecido. Os tamanhos variam do minúsculo até o absurdamente grande, o bastante para criar problemas de engenharia ainda não resolvidos, especialmente no que diz respeito ao seu transporte. O arqueólogo Marcel Homet disse ter encontrado uma dessas esferas também no Brasil, no alto Rio Branco, em 1940. A pedra tem 100 metros de comprimento por 30 de altura.
    Diante de um ponto de interrogação cada vez maior, está se tornando praticamente impossível aceitar que tantas descobertas fascinantes e misteriosas não passam de fraudes ou erros de interpretação. Apesar da hipótese de uma intervenção extraterrestre ainda ser rejeitada por muitos, cedo ou tarde a comunidade científica terá que abrir os olhos e se render para o fato de que não existe maior cego do que aquele que não quer ver.

Para Saber Mais:
As Mensagens das Pedras Gravadas de Ica - Javier Cabrera Darquea (Ed. Melhoramentos)
História Desconhecida dos Homens - Robert Charroux (Ed. Bertrand/ Círculo do Livro)
De Volta às Estrelas - Erich Von Däniken (Ed. Melhoramentos)

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