Shirley MacLaine - Em Busca da Espiritualidade

2009-05-04 15:23

Ela está de volta ao centro das atenções, com mais um livro em que fala sobre suas vidas passadas e sobre o Caminho de Santiago. Superativa, Shirley MacLaine inaugurou um site no qual trata de inúmeros temas da Nova Era, além de dirigir seu primeiro longa-metragem.

Gilberto Schoereder

    A taurina Shirley MacLaine já esteve entre os principais nomes da geração Nova Era, quando enfocou o tema regressão a vidas passadas. Ainda que seja exatamente uma novidade  — mesmo nos anos 70 e 80 —,o fato de uma celebridade estar falando sobre essas questões chamou a atenção da mídia e abriu novas perspectivas para a divulgação da Nova Era. Agora, aos 66 anos, ela lança o livro O Caminho – Uma Jornada do Espírito, revelando mais um pouco sobre suas vidas anteriores e falando sobre o Caminho de Santiago.
    Segundo a atriz e escritora, a idéia para percorrer o Caminho de Santiago surgiu quando recebeu duas cartas anônimas implorando que ela realizasse a peregrinação, o que foi um desafio, tanto no aspecto espiritual quanto físico. Shirley fez o percurso a pé, em 30 dias. Além da desgastante jornada para uma pessoa com sua idade, ela afirma ter percorrido uma distância ainda maior. “Em minha jornada ao longo do caminho”, explica MacLaine, “eu senti que estava viajando para trás no tempo, para o local em que começou a experiência que tornou a mim e à espécie humana aquilo que somos hoje”. Foi uma viagem de milhares de anos, revivendo vidas passadas, até chegar às origens do Universo. Em seu novo livro, ela refere-se a uma imensa variedade de visões e revelações que incluem o significado do Cosmo, percepções sobre a gênese humana e visões das mais antigas civilizações da Terra, como a Atlântida e a Lemúria. Além de ter sido fundamental para ela perceber a importância cármica de algumas pessoas que estiveram a seu lado nesta existência.
    Não é pouca coisa, e apenas os visionários mais famosos da história chegaram a se manifestar acerca de questões tão cabeludas e que despertam reações geralmente apaixonadas, a favor ou contra. Na verdade, o desprendimento de Shirley MacLaine ao falar de vidas passadas e civilizações ancestrais custou-lhe, nos últimos 30 anos ou mais, muitas críticas por parte da imprensa. E não apenas da imprensa não-identificada com os temas e preocupações da Nova Era.
    A nova aventura não deve causar estranheza aos que já a conhecem, seguindo na mesma linha de outras que realizou anos atrás. Shirley é uma das milhões de pessoas que acreditam existir linhas de força ou de energia que cruzam o planeta em vários sentidos, e que alguns chamam de linhas ley. Segundo esse pensamento, os lugares sagrados da Terra estão localizados sobre essas linhas ou, em alguns casos, em pontos de convergência de várias linhas, e por isso têm propriedades de transformação espiritual. A atriz já passou uma noite na Câmara do Rei, na grande pirâmide de Gizé, e uma semana em Machu Picchu, no Peru, um dos locais preferidos pelos peregrinos. Ela afirma que percorrer o Caminho de Santiago representa, além da jornada interior, seguir as linhas ley que se estendem ao longo do caminho e, assim, estar mais uma vez em contato direto com as energias da Terra.

Novos Rumos
    A consagrada atriz chega com seu novo livro ao mesmo tempo em que, finalmente, inaugura seu site na Internet (www.shirleymaclaine.com), algo que os fãs vinham reivindicando há tempos. Ali, pode-se encontrar um caminho interessante para começar a entender as mudanças pelas quais MacLaine passou nos últimos 30 anos, e que envolvem uma crescente e constante procura por sua espiritualidade.
MacLaine fala de tudo um pouco, mas seu nome passou a ser definitivamente vinculado à Nova Era após a publicação e o sucesso mundial do livro Minhas Vidas (Out on a Limb), em 1983. Numa época em que o conhecimento das vidas passadas ainda não era tão popular quanto hoje, ela falava abertamente sobre o assunto, desnudando-se ainda mais do que havia feito em seus outros livros Não Caia da Montanha e Você     Também Pode Chegar Lá. “Pensei muito antes de publicar Minhas Vidas”, ela escreveu na introdução de Não Caia da Montanha, “porque é a expressão escrita de uma odisséia espiritual que me levou mais longe do que eu podia imaginar, para um mundo comovente de fenômenos físicos onde vidas passadas, existência de guias espirituais e imortalidade genuína da alma tornaram-se mais do que conceitos para mim — tornaram-se partes reais, verdadeiras da minha vida. Penso neste livro como meu diário espiritual aberto aos olhos daqueles que procuram um entendimento interior, e como a afirmação, àqueles que me ensinaram e abriram os olhos, de que aceito seus dons com gratidão e humildade”.
    Pode-se dizer que essa procura interior, ou a “jornada dentro de mim mesma, a única jornada que vale a pena empreender”, em suas próprias palavras, começou em meados dos anos 50, quando Shirley foi para o Japão, saindo dos Estados Unidos pela primeira vez em sua vida, com exceção de uma pequena excursão ao Canadá. Foi no Japão que ela entrou em contato com o conceito de que a harmonia com a natureza é uma das mais importantes forças motivadoras da vida, e onde, pela primeira vez, procurou obter um maior contato com o desconhecido.

A Vida após os 60
    Percorrer o Caminho de Santiago não parece ser uma tarefa tão árdua para quem encara a vida após os 60 anos de forma tão natural. Shirley MacLaine disse não achar errado que as pessoas tentem manter sua juventude, ou a aparência de juventude, de todas as formas possíveis. Mas, enquanto se está trabalhando para manter o corpo e a aparência em ordem, também é preciso saber que a vida está nos levando em frente no tempo e que nós criamos a palavra, o conceito e identificação associados com o envelhecimento. “Ser velho é uma circunstância relativa”, ela explica. “Quando alguém tem dez anos de idade, uma pessoa com quarenta vai parecer um ancião”. Segundo ela, infelizmente nós temos a tendência de carregar esse conceito de juventude relativa conosco ao longo da vida. Quando atingimos os quarenta, ou qualquer número mágico que associamos a ‘ser velho’, nos identificamos com isso e começamos a pensar e a nos sentirmos velhos, associando isso à perda de vitalidade e à impossibilidade de realizar o que desejamos.”
    Assim, MacLaine entende que devemos pensar no envelhecimento a partir de novos conceitos, novas definições que não tenham relação com a noção de ‘manter-se na adolescência’. “Precisamos alterar os rótulos que criamos”, ela diz, “e que identificam o conceito de ficar velho. Precisamos aprender a respeitar o tempo que passamos nessa Terra e as lições que aprendemos. Precisamos aceitar a nós mesmos e não ter medo de mudanças como perda de cabelo ou alguns quilos a mais. E também precisamos passar a gostar do corpo físico e vê-lo como um veículo de transição para o espírito, que é eterno. O interesse na vida conserva o corpo, a mente e o espírito. Faz a pessoa continuar em frente, pensando e produzindo. Na minha opinião, a idade nos ajuda a viver a vida; e manter a mente e o corpo ativos ajuda a energia a fluir do espírito”.
    Ela também ressalta a importância dos relacionamentos, que considera vitais para nosso sucesso, seja como indivíduos ou como comunidade, não importando se é um relacionamento com o marido ou esposa, crianças, parentes ou amigos. “Nós todos precisamos de pessoas com as quais interagir regularmente. O ditado ‘Ninguém é uma ilha’ é verdadeiro. E existe um fator interessante no fato de se ter um amigo: você tem de ser um para conseguir um, o que significa deixar cair suas barreiras, dividir seus sentimentos e, muito importante, escutar. Todos temos a tendência a pensar que nossos problemas pessoais são mais importantes. Isso ocorre porque muito do nosso mundo está baseado na individualidade e, devido a isso, perdemos muito da nossa capacidade em escutar. Mas ouvir um amigo pode ensinar muito a respeito de nós mesmos”.
    Outro ingrediente que Shirley MacLaine considera fundamental para a saúde física e espiritual é o humor, do qual já se falou muito como uma força curativa e mantenedora da saúde física, que é essencial para que as energias do espírito se desloquem livremente. Observando esses toques simples para a vida, é possível, ela entende, viver de forma menos estressada, mais produtiva e com maior felicidade, por um tempo muito, muito maior.
    Ao longo dos anos, MacLaine vem seguindo fielmente o que prega, e essa é uma das razões de seu sucesso profissional e pessoal, de seu crescimento espiritual, independente das críticas que recebe por suas idéias. Ela diz que, no seu modo de ver as coisas, nós não somos apenas seres físicos que, por acaso, têm almas. Somos, ela explica, antes de mais nada e principalmente, almas conectadas ao Universo, com uma  existência física na Terra devido à nossa própria escolha.

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A Glória no Cinema
    O percurso de Shirley MacLaine no cinema é simplesmente impressionante. Além de ter trabalhado com alguns dos maiores atores e diretores de Hollywood, ela acumulou uma quantidade de pr6emios que reafirmam sua condição de uma das maiores atrizes da história. Ganhou um Oscar de Melhor Atriz em 1983, três Emmy, dez Globos de Ouro, foi indicada para o Oscar seis vezes, além de ter recebido vários prêmios internacionais de peso no Festival de Berlim, em Veneza, na Inglaterra, premiações das associações de críticos de cinema de Nova York e Los Angeles, entre outros.
    São 50 filmes, além das produções para televisão e apresentações no teatro, onde iniciou sua carreira no musical Oklahoma. A estréia no cinema, em 1955, não poderia ser em melhores mãos, no filme O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry), com direção de Alfred Hitchcock. No mesmo ano, ela descobriu que tinha jeito para comédia ao atuar em Artistas e Modelos, com Jerry Lewis. Apesar do início promissor, Shirley disse que acabou indo de um filme insignificante para outro. Mas as coisas começariam a mudar já em 1958, com sua atuação em Deus Sabe Quanto Amei, pela qual recebeu uma indicação ao Oscar. Em 1960, participou do excepcional filme de Billy Wilder, Se Meu Apartamento     Falasse, contracenando com Jack Lemmon, e recebendo segunda indicação ao prêmio da Academia.
Os bons papéis começaram a aparecer numa excelente seqüência, como Can-Can, Infâmia, Dois na Gangorra e Irma La Douce, que lhe deu a terceira indicação para o Oscar. MacLaine receberia mais duas indicações: em 1976, pelo documentário The Other Half of the Sky: A China Memoir, que ela produziu e dirigiu; e em 1978, novamente como Melhor Atriz, pelo filme Momento de Decisão.
    O Oscar tão esperado e mais do que merecido chegaria em 1983, por sua atuação em Laços de Ternura (Terms of Endearment). Em 1987, ela atuou em Minhas Vidas, filme para a televisão baseado em seu livro mais conhecido, contando sua trajetória em direção à espiritualidade e ao conhecimento de vidas passadas. Nos anos seguintes, teve atuações elogiadíssimas em Flores de Aço e Madame Sousatzka, além de uma participação muito divertida ao lado de Nicolas Cage em O Guarda-Costas e a Primeira Dama, relembrando seus melhores momentos na comédia. Em 2000, Shirley MacLaine dirigiu seu primeiro longa-metragem, Bruce, com recepção apenas razoável por parte da crítica.

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