Os Vedas e a Terra Oca

2009-04-17 19:51

Dean De Lucia

Um tema controverso que começou a ser discutido mais profundamente no século XIX, a teoria da Terra Oca mantém relações com a milenar cultura védica do Oriente.

    No milenar épico hindu Shree Ramayana, que relata a história do iluminado Rama, duas passagens sugerem a existência de áreas internas na Terra. Depois que Shrimati Sitadevi foi raptada por Ravanna, Shree Lakshman jurou a Rama que perseguiria o vilão, mesmo que tivesse de caçá-lo nos 'vazios escuros da Terra'. Mais adiante, no capítulo 8, Rama demonstra sua habilidade a Sugriva disparando uma flecha que 'perfurou e atravessou sete palmos, uma pedra e a região mais interna do planeta, para um minuto depois estar de volta à aljava'.
    O primeiro comentário de Lakshman não chega a ser tão revelador, pois sabe-se que imensas cavernas e vazios existem dentro da Terra. Abaixo do meio-oeste dos EUA, por exemplo, há um grande aqüífero percorrendo o subterrâneo de vários estados . O segundo comentário, porém, parece sugerir que dentro da Terra, em vez de rocha maciça, haja algum tipo de espaço. Outra antiga escritura oriental, Os Puranas, afirma que, ao fim da era de trevas em que nos encontramos, chamada kali yuga, o avatar Kalki nascerá em meio às melhores famílias de Shamballa, e aniquilará os maus de toda a superfície da Terra. O texto prossegue afirmando que homens despontarão na superfície, vindos de baixo, para recolonizar e reiniciar a cultura védica no planeta.

Cidades na Terra Oca
    Na memória coletiva tibetana destacam-se as cidades de Shamballa e Shangrilá. De acordo com a cultura da região, esses lugares existem na parte oca da Terra, e muitos acreditam que os budistas façam peregrinações anuais até eles. Some-se a isso o testemunho de Olaf Jansen, um adolescente norueguês que saiu com seu pai em uma expedição de pesca, na década de 1820. Os dois partiram no veleiro da família para Spitzenburg, uma ilha ao norte da Groenlândia. Depois de reabastecer as provisões no litoral norte da ilha, eles rumaram para áreas com grande afluxo de peixes. O velho Jansen queria ir ainda mais para o norte, até as cálidas terras das lendas escandinavas, e garantiu ao filho que o ambos seriam protegidos por Thor e outros deuses escandinavos.
    Pai e filho não tardaram a encontrar blocos de gelo e tiveram de fazer manobras cuidadosas para ultrapassá-los. Segundo Olaf, se o barco fosse ligeiramente maior não conseguiria passar entre os icebergs. Depois de um mês de velejando, os dois se viram, maravilhados, em pleno mar aberto, a poucos graus (de latitude) do pólo norte! Isso não corresponde a nenhuma descrição típica de áreas polares, cobertas por uma sólida camada de gelo (na verdade, praticamente todos os exploradores polares do passado falaram de águas abertas próximas dos pólos e sobre um fenômeno chamado aquecimento polar. Tal efeito ocorre quando um ar mais quente, do interior do planeta, é expelido por aberturas na terra, ou gelo).

Descobrindo a Entrada
    Enquanto prosseguiam para o norte, os Jansens naturalmente observavam o Sol, que em sua trajetória equatorial encontrava-se atrás deles e bem perto do horizonte. Súbito, os dois avistaram algo incomum, também presenciado por dois dos mais notáveis exploradores do Ártico: tenente Adolphus Washington Greely (1844-1935) e Fridtjof Nansen (1861-1930). As expedições foram de tal modo valorizadas que Greely acabou sendo promovido a general de exército nos EUA, e Nansen foi sagrado cavaleiro pela coroa norueguesa.
    O que Olaf e o pai viram de fato foi um outro sol brilhando à sua frente. O disco luminoso era menor e a cor mais avermelhada do que o nosso, mas estava lá. À medida que o barco foi descendo, seguindo a curva da abertura polar, o sol alternativo ergueu-se no céu e permaneceu visível durante toda a passagem pela abertura. O nosso Sol, visível da superfície, saiu de vista descendo permanentemente no horizonte. Os exploradores árticos Greely e Nansen não chegaram a presenciar isso, pois não prosseguiram até o interior da entrada.
    Ao avançarem mais, os exploradores se depararam com o litoral de um continente e seguiram a linha costeira. Eles notaram árvores imensas e mamutes com o dobro do tamanho de um elefante. A certa altura, os dois encontraram o que Olaf descreveu como um navio gigante, maior do que qualquer outro que já tivessem visto antes. O navio parecia um barco de turismo, pois seu convés estava repleto de gente cantando. Os viajantes foram recebidos pelos tripulantes e levados a bordo, onde se viram na companhia de humanos de estatura gigantesca, com o mais baixo tendo cerca de três metros e meio.

Cultura Védica
    O relato de Olaf continua. Ele e o pai foram recebidos com hospitalidade na Terra Oca. Excursionaram pelos reinos de Shamballa Menor e Shamballa Maior. Seu veleiro foi levado de cidade em cidade e exibido como objeto de admiração: um barco de homens pequeninos vindos da superfície.
    Mas, o que a história dos Jansen tem em comum com o que a cultura védica diz sobre a Terra Oca? Bem, Olaf descreveu seres humanos com pelo menos três metros e meio de altura. Contou, entre outras coisas, que os habitantes do lugar viviam cerca de 800 anos, tinham memória fotográfica e grande inteligência, que falavam sânscrito ou um derivado, usavam marcas cerimoniais na testa (tilaks), eram de um tipo raça norte-européia, oravam ao sol interno e veneravam um panteão de deuses muito similar ao do hinduísmo (convém lembrar que Olaf era bem jovem na época e, além das dificuldades de comunicação, não poderia absorver tudo que estava presenciando). Ele também disse que as flores exalavam fragrâncias incríveis e que as frutas eram mais saborosas que as da superfície.
    Qualquer pessoa familiarizada com a descrição que os Puranas fazem da humanidade antes do advento da kali yuga vê que a semelhança é muito grande.
    A escritura indiana chamada Bhagavat nos diz que a kali yuga surgiu como conseqüência de Kala, o tempo. A palavra kala também é usada como sinônimo de influência planetária na astrologia védica. Aparentemente, os alinhamentos planetários mudaram para causar esse era, ou yuga.     Supondo-se que as influências planetárias tenham sido responsáveis por trazer a kali yuga aos seres da superfície abertamente expostos a tais influências, é pertinente supor que os habitantes da parte oca da Terra estejam protegidos. Desta maneira, seus padrões de corpo, mente e inteligência não se deterioraram, ou pelo menos não tanto quanto os nossos.
    Poderia ser realmente essa a situação? Será que existe mesmo uma antiga irmandade védica no interior da Terra, cuja presença teria desaparecido de nossa memória coletiva? Sabendo que nada poderia ser feito, teria o outro lado da equação vedas-Terra se distanciado de nós para assistir passivamente ao desenrolar dos inevitáveis efeitos da Idade das Trevas? Platão fez um comentário implicando que os egípcios teriam fechado suas portas e se retirado para as esferas mais internas da Terra. Os egípcios originais na verdade eram aditianos, seguidores ou descendentes de Aditi. Seria isso o que Platão queria dizer?
    Enquanto mais expedições não partem em busca de novas informações sobre a Terra Oca, o mito continua aceso na imaginação do homem. O da superfície, é claro.

Para Saber Mais:
Site de Jan Lamprect
www.hollowplanets.com
Site de Rodney M. Cluff
www.ourhollowearth.com (contém a íntegra da história de Olaf Jensen, em inglês)

Terra Oca - Raymond Bernard (Ed. Nova Era)

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