O QUE É A FOTO KIRLIAN?

2009-05-05 16:24

Bioeletrografia é a denominação oficial da tecnologia desenvolvida neste início de século XX, que até o final do ano 2000 era conhecida como Kirliangrafia. Essa nova modalidade de estudo pode se tornar fundamental para o diagnóstico de diversas doenças. O professor Newton Milhomens, maior especialista brasileiro na área, falou sobre o assunto em entrevista exclusiva exclusividade à revista Sexto Sentido.

Gilberto Schoereder


    A história do desenvolvimento da tecnologia conhecida como Kirliangrafia ou Bioeletrografia traz algumas surpresas. Oficialmente, a descoberta está associada ao nome do soviético Semyon Davidovitch Kirlian, que construiu a primeira máquina capaz de fotografar a aura em 1939. No entanto, inúmeros documentos provam que o Brasil saiu na frente no desenvolvimento do aparelho com as pesquisas do padre gaúcho Landel de Moura, em 1904, quando ele construiu o que chamou de máquina de Bioeletrografia — denominação que, em homenagem ao seu trabalho, tornou-se oficial após o V Congresso Mundial de Kirliangrafia, realizado em novembro de 2000, em Curitiba.
    O inventor gaúcho pode fazer companhia a Santos Dumont no triste aspecto de ter sua invenção apropriada por norte-americanos. Segundo documentos históricos, o padre patenteou o rádio, nos EUA, alguns anos antes de Marconi, que levou toda a fama. Não por acaso, Landel de Moura é considerado o patrono das telecomunicações brasileiras. O religioso teve problemas com a Igreja Católica, que o proibiu de patentear e divulgar ao mundo a invenção da máquina que, segundo ele, poderia revelar a existência de algo a que deu o nome de perianto, nome perigosamente próximo de perispírito, utilizado pelos espíritas. Segundo os estudiosos do assunto, a máquina foi confiscada pela Igreja e, hoje, encontra-se em local desconhecido, se é que ainda existe.
    Atualmente, o Brasil se destaca na área pela atuação do professor Newton Milhomens, que em 1968 desenvolveu a primeira máquina Kirlian brasileira e hoje é um dos nomes mais respeitados do mundo nesse campo. Milhomens determinou as variáveis que influenciam as fotos Kirlian obtidas por cada tipo de máquina, como a voltagem de saída, a freqüência do pulso elétrico, o tempo de exposição, a pressão do dedo da película fotográfica, a marca e sensibilidade dessa película e outros dados técnicos. Se essas variáveis não forem devidamente controladas, as fotos obtidas vão apresentar características diferentes. Por essa razão, foi internacionalmente reconhecido o Padrão Newton Milhomens, utilizado pelo professor brasileiro em todas as suas pesquisas.
    Hoje, existem apenas três padrões reconhecidos pela International Union of Medical and Applied Bioeletrography (União Internacional de Medicina e Bioeletrografia Aplicada) além do brasileiro: o Padrão Peter Mandel (Alemanha) e o Padrão Konstantin Korotkov (Rússia). Dessa forma, as fotos obtidas pelo metido Peter Mandel só podem ser interpretadas por pessoas que o tenham estudado, o mesmo valendo para os outros dois.

Até que ponto a interpretação das cores no exame bioeletrofotográfico é acurada para determinar o estado de saúde dos pacientes?
    O maior engano que as pessoas têm na interpretação das Fotos Kirlian é que as cores são tudo, e que elas marcam as determinantes do estado de saúde. Pura ficção. Talvez a lenda seja até proveniente do misticismo. Na realidade, o que nos permite uma interpretação da Foto Kirlian são as diversas estruturas e desenhos fractais que aparecem. Na minha homepage há alguns poucos exemplos, mas que já são suficientes para dar uma idéia do que falei. Por exemplo, no caso das depressões, elas se manifestam nas fotos como uma ‘falha’ enorme, um ‘buraco’ no halo luminoso. Em outros casos são falhas, bolinhas, riscos, etc. Quanto à confiabilidade, dentro de tudo que foi pesquisado, tanto por mim quanto por estrangeiros, no caso da psicologia o índice estatístico de acertos está em torno de 98-99%, e na parte de Saúde Orgânica (Medicina) — com exceção de problemas genéticos, cuja pesquisa nessa área específica ainda não foi noticiada, talvez ainda não realizada — o índice estatístico de acertos está além dos 99%. Aliás, nenhum exame médico ou psicológico consegue atingir 100% de acertos. Em Biologia, 90% é algo de muito bom como índice de acerto.

Nós sabemos que, apesar da bioeletrografia já estar sendo utilizada em vários locais e estudada por alguns cientistas, ainda existe muita resistência no seu uso. Vários físicos, inclusive, insistem que o que está sendo fotografado pouco ou nada tem a ver com o corpo em si. O que tem a dizer sobre isso?
    Realmente, gostaria de conhecer esses colegas físicos que dizem tal besteira. Ou eles nunca viram uma Foto Kirlian ou não têm mesmo a mínima idéia do que estão falando, talvez por puro preconceito. Na parte relativa às hipóteses, em minha homepage existe o trabalho do Ph.D em Física e Diretor do Departamento de Física da Universidade de São Petersburgo, na Rússia, o Dr. Konstantin Korotkov, que explica, com gráficos e desenhos esquemáticos e numa linguagem muito simples e de fácil entendimento para qualquer leigo, onde expõe tudo com muita clareza. Quanto à resistência, só para seu governo, aqui no Brasil já vendi umas 35 mil máquinas e a grande maioria para médicos e psicólogos.     Se isso é resistência, então... Agora, existe um número enorme de protestantes (evangélicos) e de outras crenças que, por preconceito religioso ou de qualquer outra natureza, simplesmente falam besteiras e absurdos contra a Máquina Kirlian e a Bioeletrografia gratuitamente, sem nem sequer terem estado perto de uma Máquina Kirlian. Já encontrei muitos desses tipos pela frente e nem perco meu tempo com eles — deixo-os falando sozinhos. Alguns chegam até a dizer que são Físicos, mas se você perguntar em que universidades se formaram, não sabem dizer. A grande maioria desses ‘físicos’ é, na verdade, meros técnicos de eletrônica, consertadores de rádio e TV, de curso médio, sem nenhuma formação universitária.

A fotografia Kirlian tem sido associada ao misticismo porque muitos dizem que ela revela a aura humana. Afinal, o que se vê nas fotos é ou não a aura das pessoas? É possível que, o que em tempos mais recuados se associava a uma emanação da alma fossem, na verdade, padrões bioelétricos do corpo, que podiam ser percebidos a olho nu por algumas pessoas?
    Sabe quem é o grande culpado por esse estado de coisas? A imprensa. Na década de 70 e 80, principalmente, tudo o que era noticiado pela imprensa falada, escrita e televisiva se baseava no misticismo. Certa feita, a TV Bandeirantes enviou uma equipe com todos os equipamentos para minha casa, montaram todas aquelas lâmpadas, câmeras, etc. e, no final, a mocinha que veio me entrevistar começou, “O senhor é considerado o maior especialista em energias espirituais do Brasil. O que tem a dizer sobre isso?” Não vamos perder muito tempo com essas coisas. Peguei o Dicionário Aurélio e li para ela: “Espírito - Diz-se que é a parte sobrenatural do ser humano. Entidade sobrenatural, que não faz parte da Natureza, que está acima da Natureza. E o verbete Energia: Entidade Física capaz de produzir trabalho. Ora, a partir do que está no dicionário, não existe essa tal de energia espiritual. Então, não tenho idéia do que você está falando, por ser uma impossibilidade — pois energia é natural, portanto, pertence à área da Física, e Espirito e Espiritual é Teológico, da área Religiosa. Não há como misturar uma coisa com a outra”. E a conversa terminou ali mesmo. Para não perder todo o trabalho, a entrevista foi dirigida para outro campo. O que a Máquina Kirlian fotografa é apenas e nada mais do que os gases e vapores emitidos pelos poros de nossa pele. Se isso é a aura, então caímos no caso anterior. Agora, quanto à luminosidade que algumas pessoas afirmam observar em torno das pessoas, se não for nenhum defeito visual, então sinceramente não sei do que se trata. Como físico só posso dizer que nossos olhos foram ‘fabricados’ apenas para perceber a luz visível, e nada mais do que isso. O resto pode ser alucinação, defeito visual, falta de ir ao oftalmologista, falta de usar óculos, etc, etc. É algo muito subjetivo e, portanto, não é científico — logo, talvez seja do campo religioso. Neste caso, o melhor é consultar um especialista, um Teólogo ou um Mestre ou Sacerdote da área religiosa.

Algumas fontes estrangeiras dizem que Nicola Tesla teria pesquisado a fotografia da aura já em 1890, portanto, ainda antes do Padre Landel de Moura. Que informações o senhor tem a esse respeito?
    Nikola Tesla introduziu a Corrente Alternada Ao mundo e realizou milhares de experimentos públicos com a alta voltagem, mostrando que nossos cabelos e pelinhos do corpo (devido ao efeito das pontas — um efeito elétrico que se manifesta melhor com o uso de alta voltagem) emitia uma luz azulada quando o corpo era atravessado por uma altíssima voltagem, de alguns milhares de volts, e com fraquíssima amperagem. Se fosse uma amperagem mais elevada, as pessoas seriam torradas no ato. A este fenômeno foi dado o nome de efeito corona. Mas em lugar nenhum, nem em época nenhuma ele chegou a tirar qualquer foto disso, pois naquela época a fotografia ainda estava dando os primeiros passos. É só uma questão de cronologia. Agora, quanto às figuras elétricas, em 1700 e qualquer coisa, um alemão, utilizando poeira e serragem, conseguiu uma figura que mostrava a existência de um campo elétrico em torno de um objeto eletrizado, se não me engano uma moeda.
    Sinceramente, eu gostaria de conhecer essas "fontes estrangeiras" das quais você está falando. Estou cansado de ouvir muita gente dizer que "já está sobejamente comprovado", "em diversas universidades do mundo", enfim, sempre que pergunto "quem comprovou? Cite-me apenas uns três casos" ou "cite-me apenas umas 3 dessas universidades?", "quais são exatamente essas fontes estrangeiras?", geralmente, ou não conseguem citar nenhuma ou então foi por ouvir falar, alguém me disse, etc, etc. Isso que falei a respeito do Nikola Tesla pode ser encontrado em qualquer Enciclopédia e também na biografia dele (existe tradução em português).

Como o senhor vê o futuro dessa tecnologia? É possível que se abram mais espaços para sua utilização? O que ainda pode ser feito para aprimorar a técnica?
    Atualmente — somente para falar em termos de Brasil — além da Psicologia e Medicina, a Bioeletrografia está sendo muito empregada na Botânica, na Veterinária e até na Mineralogia. Existem trabalhos publicados (UFMG, USP, UFRJ, UFSC, UFRS, etc) e até teses sobre tudo isso (na minha homepage são mencionados alguns e algumas). Um Administrador de Empresas, em 1997, publicou, na UFMG, uma tese interessantíssima sobre executivos muito bem- sucedidos e funcionários que nunca foram além da mediocridade — tudo através das Fotos Kirlian. Em 1999, um Agrônomo publicou uma tese na UFRS, de Santa Maria, referente à pesquisa que fez para identificar sementes vivas e mortas através da Bioeletrografia. Enfim, o leque é enorme e seria muita pretensão de minha parte querer fazer qualquer tipo de profecia sobre o assunto. Mas que é promissor, isso é um fato. E que pode atingir áreas inusitadas, também é fato.

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Hipóteses
    O professor Newton Milhomens explica que dezenas de hipóteses já foram formuladas na tentativa de explicar o que é uma Foto Kirlian e o que é fotografado pelas máquinas. Mas, segundo explica, a realidade é que ninguém sabe quase nada sobre o assunto — apenas suspeitam o que pode ser.
    Várias das hipóteses mais populares já foram descartadas, consideradas folclóricas ou simplesmente sem fundamento científico. Esse é o caso do chamado efeito corona, um halo luminoso que sempre tem a coloração azul claro esverdeada e surge ao redor de um corpo qualquer quando a ele é aplicada uma voltagem elevada. Algumas pessoas sugeriram que o que ocorre na foto Kirlian seria apenas o tal efeito, mas existem fotos com outro tipo de coloração, o que elimina essa possibilidade.
    A hipótese de se tratar de ionização do ar também foi descartada por cair na mesma categoria da anterior, produzindo sempre a coloração azulada. A teoria de que o resultado das fotos se devia apenas à umidade do corpo também chegou a ser apresentada, mas ela não explica absolutamente os casos de fotos de corpos que não contêm umidade, como no caso de uma foto Kirlian de uma moeda telefônica.
    Uma teoria recente foi apresentada pelo dr. Konstantin Korotkov, Ph.D em Física da Universidade de São Petersburgo, Rússia. Ele examinou vários corpos — inclusive de seres humanos, vivos e mortos — com um espectrofotômetro de massa e um contador de fótons, chegando à conclusão de que ao redor dos corpos humanos, de animais, de plantas e outros objetos existe uma espécie de nuvem de gases, de vapores e uma fraquíssima emissão de radiação que vai do infravermelho, passando pela luz visível e chegando ao ultravioleta. Assim, essa mistura de gases e vapores, em contato com o campo elétrico da placa de qualquer máquina Kirlian, provocaria a ionização dos mesmos e criaria o halo luminoso.
    No entanto, essa nova hipótese não explica alguns casos, o que significa que não tem abrangência total. O professor Milhomens explica, a partir de sua própria teoria, que nos corpos materiais ocorre a emissão de um outro campo energético, de um tipo de força ainda desconhecida, mas muito semelhante à eletromagnética. Ela parece possuir características eletromagnéticas, mas não segue as leis do eletromagnetismo à risca.


Para Saber Mais:
www.kirlian.com.br

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