O Poder do Exorcismo
2009-05-04 14:47Mais do que apenas uma forma de expulsar demônios do corpo, o exorcismo é utilizado desde tempos imemoriais como parte de processos de cura física e espiritual.
Marília de Abreu
Conhecido pela grande maioria como prática para expulsar demônios e relacionado a religiões judaico-cristãs, o exorcismo tem uma função muito mais ampla e está presente em quase todas as religiões, especialmente aquela de cunho xamânico.
Se trocarmos a idéia de demônio pela idéia de mal, percebemos que o exorcismo pode ser mais abrangente e bem menos tendencioso. A importância dessa troca é evitar erros cometidos no passado, quando sob a égide de padrões morais arcaicos praticaram-se torturas sob o pretexto de expulsar demônios em pessoas que professavam outra religião diferente da oficial. Na verdade, dependendo da cultura em que é analisado, o exorcismo em nada interfere nas crenças religiosas de um indivíduo.
Para o exorcista o ser humano é muito mais do que apenas matéria. Dentro do mesmo conceito aceito pela maior parte das religiões, ele entende que cada indivíduo possui basicamente três corpos — o físico, o mental e o espiritual — e que esses três corpos estão sujeitos a se ‘contaminar’ por impurezas quando estão enfraquecidos.
É relativamente fácil entender que uma queda na imunidade física possa trazer uma propensão ao contágio por vírus ou bactérias. A ciência já nos mostrou que criaturas microscópicas podem invadir um corpo e causar perturbações em seu funcionamento normal. Pois bem. Da mesma forma que existem vírus físicos, existem criaturas semelhantes em outras dimensões, capazes de afetar seres humanos, animais, plantas, lugares, etc.
Invasores Astrais
Esse tipo de intruso pode ser entidades já falecidas, apegadas à pessoa por laços de amor ou ódio, partes de almas de pessoas vivas ou mortas, entidades do plano astral negativas ou de pouca luz (como obsessores, vampiros elementares, etc.), formas-pensamento criadas pela própria pessoa, por familiares ou mesmo por uma coletividade, em função de medos, preconceitos, sentimentos negativos e maldições. E, finalmente, por demônios.
Normalmente, os demônios não são objeto de exorcismo pois permanecem junto a alguém quando são invocados por práticas religiosas negativas ou comportamentos negativos, como nos casos de uso de drogas, álcool, promiscuidade sexual, etc. Nessas condições existe um consentimento da vítima, de forma consciente ou não, e por isso fica difícil para ela procurar o exorcismo.
São muito conhecidos os demônios sexuais (íncubos e súcubos), que se aproveitam do momento em que a pessoa está dormindo e drenam sua energia e força vital, mantendo relações sexuais com ela. A diferença entre esta experiência e a de um sonho erótico é que o indivíduo tem sensações físicas muito reais e o corpo do demônio parece meio plástico.
Quando Recorrer ao Exorcismo?
Do ponto de vista xamânico, qualquer perturbação no comportamento ou funcionamento normal do corpo pode ser tratado com exorcismo. Entre as mudanças de comportamento mais graves podemos citar as que ocorrem no usuário de drogas, que começa a agir diferente quando realmente ancorou um demônio, etapa em que a cura se torna mais difícil. Também existem os casos leves, como o de pessoas que, tendo passado por momentos trágicos, não conseguem sair da depressão, habituando-se a atitudes pessimistas. É como se, por estar mantendo uma situação negativa, a pessoa convidasse outros seres do plano astral para estimular sua depressão.
Além das mudanças de comportamento também existem as perturbações físicas. Para o xamã exorcista, toda doença é causada por um fator espiritual. Quando existe contágio por vírus ou bactéria, além do fator espiritual que enfraquece a imunidade, há outro material. Hoje, a ciência reconhece esses fatores espirituais, os quais chama de psicológicos, e reconhece o apoio das orações, mas ainda resiste ao exorcismo. Na verdade, o exorcismo não pretende curar a doença, mas retirar a interferência negativa, favorecendo a cura.
A prática do exorcismo não é complexa. Complexo é o preparo necessário para executá-lo de modo que, ao retirar uma energia negativa, esta não se agarre ao exorcista. Normalmente, o verme astral se fixa num ambiente que lhe é propício. O exorcista precisa conhecer e dominar as próprias fraquezas para não oferecer condições de recepção ao verme. Além disso, na prática do exorcismo é preciso autorização e proteção por parte dos auxiliares espirituais.
Embora a proteção seja mais ou menos evidente, a autorização nem sempre é considerada, mas é imprescindível, pois o curador precisa saber se tem condições de enfrentar a ameaça, se pode interferir na vontade do hospedeiro, ou se existe alguma finalidade educativa naquela experiência.
Uma das grandes vantagens do exorcismo — assim como de outras técnicas xamânicas para a cura como resgate de alma, cura de vidas passadas, etc. — é a rapidez de resultados. Por esse motivo, ele existe desde os tempos mais remotos e perdura, apesar de toda tecnologia nos dias de hoje.
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Exorcismo Católico
A palavra exorcismo deriva do grego exorkizo, que significa ‘expelir’. Apesar de ser uma prática já conhecida no antigo Egito, na Babilônia e entre os judeus, popularmente é associada à uma prática da Igreja Católica para expulsar demônios ou qualquer entidade em posse de uma pessoa, local ou objeto. A imagem que se tornou clássica vem do filme O Exorcista, que envolvendo uma longa preparação e uma série de rituais para impedir que o demônio continue se apropriando de uma determinada jovem. Para efetuar a expulsão, o exorcista católico usa o nome de Deus e de Jesus Cristo.
Segundo a The Catholic Encyclopedia, em nenhum ponto do Antigo Testamento aparecem demônios sendo expulsos por homens. No entanto, a literatura judaica extra-canônica trás vários encantamentos para exorcizar demônios, e alguns exemplos podem ser encontrados na escritura chamada Talmude. De acordo com a enciclopédia, a principal característica dos exorcismos judeus é a utilização de certos nomes de poder, como o dos anjos, que podem ser utilizados sozinhos ou em combinação com a palavra El, cujo significado é Deus. Independente da superstição e da magia, o catolicismo entende que as respostas de Jesus aos fariseus indicavam que certos judeus, na época, exorcizaram demônios em nome de Deus com sucesso.
Hoje em dia, alguns protestantes também aderiram ao costume de realizar exorcismos. As chamadas igrejas pentecostais muitas vezes praticam o ritual em público, sem qualquer preparação mais elaborada, como ocorre na igreja católica, apenas tocando nas pessoas com as mãos e repetindo certas orações ou palavras de ordem. (GS)
Para Saber Mais
Wicca - Cia. das Bruxas
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