O Incrível Caso do Homem que Derreteu

2009-05-06 16:16

Em 1946 – cerca de um ano antes do famoso incidente no Monte Rainer, nos EUA, que deu início à chamada era moderna dos ÓVNIS –, o brasileiro João Prestes Filho morria de forma violenta, com queimaduras causadas por uma estranha luz.

Pablo Villarrubia Mauso

    A resposta para um dos mais desconcertantes e pavorosos casos na história da ufologia mundial começou a surgir num pequeno hotel de São Roque, a 47km de São Paulo, onde o historiador e ufólogo Cláudio Tsuyoshi Suenaga e eu havíamos nos hospedado para investigar vários ataques de supostos chupa-cabras na região. Cláudio me falou sobre uma página de jornal de 12 de abril de 1997, que ele havia encontrado num banheiro. O texto dizia: “Faleceu em 6 de abril, em sua residência nesta cidade, o estimado Sr. Roque Prestes..... com 91 anos de idade..... era irmão de João Prestes (falecido).....”.
    Para nosso espanto, tínhamos encontrado a pista dos parentes de João Prestes Filho, o homem que, em 04 de março de 1946, morreu de uma forma desumana: depois de ser atacado por uma estranha luz, suas carnes começaram a se separar dos ossos – especialmente da mandíbula, peito, mãos, dedos, pernas e pés – até consumir sua vida em poucas horas. Alguns pedaços de carne ficaram pendurados nos tendões, para espanto das testemunhas e impotência da vítima.
    No dia seguinte falamos com o filho do falecido por telefone e logo estávamos na casa do sexagenário Luis Prestes, na periferia de São Roque, ainda de luto pela morte de seu pai. “Até pouco tempo antes de morrer”, nos disse Luis Prestes, “meu pai recordava o fim trágico de seu irmão, em 1946. Eu era pequeno, tinha uns nove anos, mas me lembro perfeitamente do que aconteceu com meu tio João. Era semana de carnaval, e João, que odiava a festa, decidiu ir pescar. Naquela época, ele vivia em Araçariguama, um povoado a cerca de sete quilômetros de São Roque, um lugar muito isolado e tranqüilo. Minha tia foi brincar no carnaval com os filhos. Eu estava em Araçariguama quando me disseram que meu tio estava morrendo na casa de um parente. Quis entrar, mas não me deixaram porque era muito pequeno e poderia me impressionar com o seu estado físico. Segundo ele contou a meu pai, quando voltou para casa da pescaria, abriu a janela e algo como um fogo, ou uma ‘tocha de fogo’, entrou no quarto onde ele estava. Ele caiu no chão e sentiu que o corpo estava ardendo. Enrolou-se numa manta e caminhou mais de dois quilômetros até a vila. Meu pai dizia que João estava queimado apenas da cintura pra cima, com exceção dos cabelos. Eu cheguei a ver meu tio quando o tiraram da casa para levá-lo até Santana do Parnaíba, onde havia um hospital. João morreu antes de chegar ao hospital”.
    Eu disse a Luis que em vários livros publicados em inglês, japonês e até em russo se diz que João Prestes morreu de uma forma terrível, com pedaços desprendendo de seu corpo, e perguntei-lhe se isso estava correto. “Não”, ele respondeu, “Sua aparência, segundo meu pai, era realmente ruim, mas não chegava a tanto. Apresentava queimaduras graves pelo corpo, mas não tinha qualquer lesão corporal. Meu pai, que era subdelegado de polícia de Santana do Parnaíba, pediu a colaboração da polícia científica para pesquisar o caso, mas não sei coisa alguma dos resultados. O certo é que na casa de João nada foi queimado, e ele também não tinha inimigos ou alguém que pudesse ter feito aquilo. Ainda moribundo, repetiu várias vezes que tinha sido agredido por uma luz, e que ela era uma coisa de ‘outro mundo’”.

Uma Região Conturbada
    Luis Prestes também nos falou de outros acontecimentos na região, aumentando nosso assombro. “Naqueles tempos, em Araçariguama e na região”, ele continuou, “viam-se constantemente umas ‘bolas de fogo’ que as pessoas diziam ser assombrações. Alguns acreditavam que vinham da mina de ouro, que hoje está fechada. E aconteciam outras coisas estranhas. Meu pai me dizia que em 1922 ele pôde ver, em companhia de meu avô e um dos meus tios, um lobisomem. Meu tio jogou uma pedra nele, acertando em sua mão. No dia seguinte, um vizinho apareceu com a mão enfaixada. Outras pessoas contavam casos parecidos”.
    Com tudo isso, começou a se formar em nossas mentes a idéia de que Araçariguama e a região de São Roque poderia ser uma espécie de janela fantástica, uma zona por onde emergia uma quantidade e variedade surpreendente de fenômenos anômalos. A teoria parecia estar de acordo com os dados subseqüentes fornecidos por nosso informante. “Com meu tio Emiliano Prestes, irmão de João”, prosseguiu Luis, “também aconteceu algo de arrepiar os cabelos. Alguns meses após a trágica morte de seu irmão, ele estava caminhando por um bosque de Araçariguama, em Água Podre – o mesmo local onde surgiu o lobisomem em 1922 –, quando viu uma tocha de fogo no ar. Apavorado, Emiliano encostou-se a um barranco quando a coisa veio para cima dele, e a única coisa que pôde fazer foi se ajoelhar e rezar por sua vida. Ele nos disse que sentiu um calor intenso, mas por sorte a tocha se afastou e desapareceu”. Essas bolas de fogo eram comuns na região, assustando as pessoas que se aventuravam pelas estradas à noite.

Outras Aparições
    Luis Prestes ainda nos forneceu uma informação importante: a existência de Vergílio Francisco Alves, possivelmente a última testemunha viva das últimas horas de vida de João. Nós o encontramos numa casa próxima, ainda trabalhando, aos 92 anos, com excelente saúde.
Ele nos contou que era primo em segundo grau de João Prestes e, ao narrar o que aconteceu com João, praticamente repetiu a história de Luis. Depois de ter sido queimado pela estranha luz, correu mais de 2km até a casa de sua irmã Maria, próxima à igreja de Araçariguama. Quando o delegado de polícia João Malaquias foi chamado para ver o seu estado, João lhe disse que não devia culpar ninguém pelo que lhe havia ocorrido, pois o que o havia atacado não era coisa desse mundo. Vergílio também confirmou a Cláudio que sua pele estava muito queimada, porém apenas da cintura para cima, mas que apesar disso a pele não se desprendia do corpo. “Creio que foi coisa do boitatá”, ele comentou, “porque ele já havia atacado João anteriormente”. Estupefatos diante da nova informação, Cláudio e eu pedimos quase em uníssono que ele falasse sobre isso.
    “Quando João era tropeiro, ainda muito jovem, vivia com o pai em Araçariguama”, ele começou. “Um certo dia, ao entardecer, quando conduzia burros por uma colina, viu um fogo que caiu do céu, uma ‘bola de fogo’. Estava próximo de uma capela onde havia uma cruz, e sentiu a bola passando ao seu lado e quase o acertando. João me contava que ali, às vezes, se viam dez ou doze bolas que surgiam no céu; algumas eram avermelhadas, outras da cor da Lua. Às vezes, cinco ou seis caíam ao solo e explodiam. As pessoas chamavam essas luzes de boitatá”.
    O próprio Vergílio foi testemunha da aparição de uma de tais luzes, que surgiu por trás da montanha onde estavam as minas de ouro e caiu em outra colina, onde também sempre aparecem luzes raras. “Também chamávamos de mãe do ouro a essas bolas de fogo. Também havia o lagarto de ouro, um fogo alongado que se movia em linha reta, devagar, sem fazer ruído”.

Rumo a Araçariguama
    Segundo um informe publicado nos anos 60 pelo já falecido ufólogo Walter Bühler, a polícia fechou a casa de João e logo depois ela foi derrubada, pois, aparentemente, seus familiares não tinham coragem de voltar ao lugar, talvez achando que fosse uma casa amaldiçoada.
Seguimos para Araçariguama, onde fomos recebidos por Fabiana Matias de Oliveira, que nos levou até seu tio, Hermes da Fonseca, de quase 70 anos, conhecedor profundo da história e das pessoas da região. Ele afirmou que tinha conhecido João Prestes e se lembrava perfeitamente do dia de sua morte. “Não cheguei a ver o corpo queimado”, ele explicou. “Mais tarde a imprensa publicou que seu corpo havia se derretido, caído em pedaços. Aqui sempre tem acontecido coisas extraordinárias. Um ano após a morte de João, seu irmão Emiliano Prestes viu duas ‘bolas de fogo’, próximo ao cemitério. Elas subiam, se chocavam e voltavam a subir, repetindo a mesma ação. De repente, as luzes começaram a rodeá-lo, e ele sentiu um calor intenso, ajoelhando-se e rezando até que elas se foram. Ainda hoje em dia, mas com menor intensidade, se vêem essas luzes aqui perto, em Ibaté, entre Araçariguama e São Roque. Quando se encontram, soltam faíscas, mas não se desfazem. Giomar Gouveia, campeão de hipismo e dono de uns estábulos em Ibaté, viu um ‘raio de luz laranja’ sobre seus animais. Isso aconteceu em 1995”.
    Entusiasmado por nosso interesse, Hermes continuou lembrando-se de outros acontecimentos. “Em 1960, um motorista de ônibus chamado Celso Gomide vinha de São Roque quando viu uma ‘luz vermelha’ que o fez parar o veículo. A luz se aproximou da cabine, e Gomide, assustado, pôs-se a rezar. Os passageiros ficaram perplexos diante da luz insólita que os rodeou por mais de vinte minutos”.
    “Em 1955 eu trabalhava na construção de um teleférico da fábrica de cimento Santa Rita, para transportar as pedras. Era o dia 24 de agosto, e fazia um calor insuportável, quando eu e outros trabalhadores vimos um objeto grande como um caminhão que flutuava no céu, da cor do ‘alumínio’. Ele dava voltas e desprendia fumo, deixando círculos de fumaça esbranquiçada. Nós o vimos às 11h15, e às 12h chegaram cinco ou seis aviões da FAB; eram menores que a roda voadora e, em poucos segundos, ela se foi com rapidez, deixando para trás os aviões militares. No dia seguinte, o jornal Folha de São Paulo publicou um artigo onde se comentava que milhares de pessoas haviam visto um disco voador com as mesmas características em Osasco, próximo de Araçariguama”.
    A menos de 1km do povoado se encontra o cemitério onde achamos o coveiro Nelson Oliveira, de 53 anos. Ele nos levou até a tumba onde estão os restos mortais de João Prestes. Sobre a caixa de cimento recoberta por terra sobrava apenas uma cruz tosca e um número de identificação. Aproveitamos para perguntar a Nelson se havia visto algo de extraordinário na região.
    “Em 1989 vi algo estranho”, ele relembrou, “uma ‘coisa redonda’ voando sobre o cemitério. Era como um chapéu, mas ao contrário. Parecia ser todo de ‘alumínio’ e cintilava de vez em quando ao se mover em linha reta, devagar, mas se balançando. Ia na direção de São Paulo”.
Conforme o ufólogo Antonio Ribera me declarou numa entrevista em Barcelona, João Prestes pode ter sido queimado pelo sistema de propulsão de uma nave extraterrestre. “Não creio que os alienígenas quisessem matá-lo”, explicou Ribera. “Simplesmente, não sabiam o que podia acontecer ao se aproximarem demasiadamente de seres humanos”.
    Sobrou-nos tempo para que pudéssemos refletir sobre a terrível morte de João Prestes Filho. Perguntei a Cláudio o que ele pensava que era a luz que o matou. “Talvez um relâmpago globular ou esférico”, ele respondeu. Eu insisti, perguntando sobre as outras luzes e as criaturas da região. Ele ficou calado, encolheu os ombros e lançou um último olhar para a torre da igreja do povoado.

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Intrigas Ufológicas
    O caso João Prestes passou a ser conhecido internacionalmente apenas a partir de setembro de 1971, quando o ufólogo Irineu Silveira anunciou a possível conexão entre sua morte e o fenômeno OVNI, durante o II Simpósio Nacional sobre Vida Extraterrestre, realizado em SP.
Vários investigadores puseram as mãos à obra e revisaram o caso. Walter Bühler, um dos mais conhecidos ufólogos do Brasil, acreditava que as queimaduras de Prestes deviam-se a um acidente com um candeeiro. Contudo, a maioria discordava, acusando Bühler de pertencer à linha “angelical” da ufologia, ou seja, aquela que diz que os extraterrestres vêem à Terra para fazer o bem e não o mal.
    Já o decano ufólogo Fernando Grossman pôde entrevistar uma testemunha direta do caso, em 1974: o ex-estudante de Enfermagem Aracy Gomide. A partir de suas informações, Grossman e o médico Luiz Braga chegaram à conclusão de que as queimaduras de Prestes se assemelhavam “aos efeitos indiretos de uma explosão nuclear. Tal como ocorreu com as vítimas de Hiroshima e Nagasaki, a radiação afetou as células vivas, mas não as mortas como os tecidos das roupas e os cabelos”. No entanto, quem, em 1946, teria uma fonte de emissão de partículas atômicas de potência controlada e direcionada em Araçariguama?
    “Não é um caso isolado”, me lembrou Grossman em SP. “Existem muitos paralelos entre sua morte e aquelas que ocorreram no estado do Pará, no final dos anos setenta e início dos oitenta”. O investigador destaca que no dia da morte de João Prestes um funcionário da Câmara de Araçariguama, Alencar Martins Gonçalves, viu uma ‘bola de fogo’ nas proximidades do cemitério.
    As declarações de Gomide ecoaram internacionalmente, e a maioria dos relatos publicados em livros, revistas e boletins, centralizavam o caso Prestes apenas nesse testemunho. Como tinha trabalhado como enfermeiro no exército, ele foi chamado para atender a Prestes e manteve com ele uma conversa durante sua lenta agonia que durou de 6 a 9 horas. Ele disse que tiras de carne se desprendiam dos braços da vítima, expondo seus ossos e tendões. As partes mais afetadas foram o rosto e os braços, entretanto sem apresentar enegrecimento, mas sim decomposição – explicação que não se enquadra com a de Luis Prestes e Vergílio, que coincidem em relação ao aspecto tostado ou queimado da pele; por outro lado, todas coincidem com o fato de que a camisa, a calça e os cabelos de João permaneciam intactos.
    Cláudio Suenaga conseguiu recuperar o certificado de óbito de João Prestes no Registro Civil e Notário de Santana do Parnaíba. Gomide disse que Prestes havia morrido entre as 03 e 04h da madrugada do dia 06 de março, quando na verdade a morte ocorreu – de acordo com o atestado –, às 22h do dia 04 de março, e não no dia 05 como até agora se imaginava. O médico Luiz Caligiuri declarou no documento como causa da morte “colapso cardíaco, queimaduras generalizadas de primeiro e segundo graus”. Até então se dizia que João tinha 39 anos quando faleceu, todavia o documento diz que tinha 44 anos de idade.

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Fenômenos Sem Fim
    Há muitos anos que uma série de fenômenos insólitos ocorre na região de São Roque, de Santana do Parnaíba, de Araçariguama e de outras cidades a noroeste de SP.
    O boletim Supysáua de março de 1994, do Grupo Ufológico do Guarujá, informava que três crianças haviam visto um OVNI luminoso em Santana do Parnaíba, em 04 de janeiro de 1994. O objeto se aproximou do pátio da residência e ficou flutuando a menos de 15 metros das testemunhas. Tinha a cor amarela com luzes verdes e vermelhas cintilantes. O curioso é que, dentro da luz amarela, podia ser visto uma provável estrutura metálica de forma ovalada, com uma espécie de semicírculo como cúpula. O que mais surpreendeu os jovens foram os movimentos bruscos e ziguezagueantes do OVNI quando partiu em alta velocidade.
    No mesmo ano e lugar, em abril, foi visto um objeto esférico de 3m de diâmetro que flutuava entre algumas árvores, sem emitir qualquer ruído. Sua cor era avermelhada, com a parte central mais escura. Ao redor havia várias luzes menores, alternando entre azul e vermelha.
Em 1993, no mesmo local, a jovem Regiane Barbosa da Silva, então com 12 anos, viu um objeto esférico com aproximadamente 5m de diâmetro e de cor prateada. O OVNI disparou um raio de luz amarela que cobriu seu corpo e iluminou todo o terreno. Depois disso Regiane apresentou sintomas como dores de cabeça e irritação nos olhos. Três meses depois, outra testemunha viu o mesmo objeto no mesmo local. Os zeladores da fazenda afirmaram ter visto dois humanóides flutuando sobre um riacho.
    Uma anciã japonesa que morou em Santana do Parnaíba durante sua juventude, comentou com Suenaga que tinha visto uma criatura, misto de lobisomem e centauro, nas imediações do Sítio do Morro.
    E ainda, em São Roque ocorreu uma das mais intensas ondas de ataques de chupa-cabras de toda a América do Sul.

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