O Fim do Mundo em 1999?

2009-03-26 23:09

Segundo alguns profecias, o fim deste milênio indica a chegada do Juízo Final, tão apregoado pela Bíblia no livro do Apocalipse. Indo da indiferença ao pânico, todos sentem que algo está mudando na Terra. Seria o fim do mundo tão falado ou apenas uma alteração radical do planeta?

Paula Francisquini

    Indústrias poluidoras, máquinas de destruição em massa, cidades superpovoadas, miséria, luxúria, caos. Será que o mundo realmente se encontra às vésperas do Juízo Final, ao qual a Bíblia se refere? Talvez. Mas a verdade é que o homem sempre foi fascinado pela idéia de um grande Conflito Final entre as forças da luz e das trevas, e muitas religiões fundamentaram parte de suas crenças justamente nessas idéias.
Os persas, caldeus, e a civilização babilônica revelam, em sua estrutura religiosa e mitológica, uma grandiosa batalha envolvendo homens e deuses, que iria determinar o destino do mundo.
    Quem primeiro desenvolveu o conceito do Apocalipse, com a vinda de  um messias e a redenção  da humanidade, foi o  zoroastrismo – uma religião que surgiu na Pérsia  durante a Idade Antiga  (aproximadamente no século VII a.C.). Seu sistema teológico era dualista: o Bem, representado pelo deus Ormuzd, vivia lutando contra o Mal, simbolizado pelo deus Ariman. Zoroastro, o fundador da seita, era considerado um messias pelos seguidores. Suas obras definem uma concepção rígida de 'anjos' e 'demônios', e falam das Eras da humanidade, que teriam relação com os signos do Zodíaco. Cada Era duraria mil anos e completaria um ciclo a cada 12 milênios. Nos primeiros 11 mil anos, ocupados com a criação e construção do mundo material, ambos os deuses se defrontavam sem grandes conseqüências. No entanto, o último milênio passa a ser contado a partir do nascimento de Zoroastro e é o período da preparação para a batalha derradeira.
    Apesar de gozar de muito prestígio durante vários séculos na região da Mesopotâmia - atual Irã-Iraque -, o zoroastrismo entrou em decadência principalmente por nada ter acontecido na data marcada para o Juízo Final, levando seus fiéis à descrença e dispersão.
A maior referência no Ocidente sobre o final dos tempos é o Apocalipse de São João, último livro do Novo Testamento. A palavra 'apocalipse' vem do grego e significa 'revelação' — São João teria sido arrebatado em espírito para os céus da ilha Patmos, onde se encontrava exilado, e o Juízo Final lhe foi revelado em seus aspectos mais aterradores. São João descreve tudo que viu em tom profético e repleto de simbolismos. Ele faz uso de diversas alegorias para transmitir as sensações e verdades que presenciou de forma que só os escolhidos pudessem compreendê-las. Com certeza, o livro do Apocalipse é uma das obras mais contundentes já escritas sobre o destino da humanidade, apesar de sua linguagem rebuscada e extremamente complexa.

As Profecias de Nostradamus
    De todos os videntes que previram acontecimentos futuros ou falaram sobre o Armagedom, nenhum se iguala a Michel de Nostradame, ou Nostradamus - um médico francês, nascido em 1503, filho de judeus convertidos ao cristianismo, que até hoje é lembrado como o maior profeta de todos os tempos.
    Nostradamus desenvolveu suas profecias sob uma forma que chamou de Centúrias -quadras de versos contendo descrições com datas e fatos, desde a época em que viveu até o Apocalipse. Seus textos abordam muitas das situações por que já passaram a França e outros países do mundo, compondo uma das mais fascinantes obras de cunho profético da história humana.
    Ao longo dos anos, inúmeros estudiosos se dedicaram à interpretação das Centúrias, dizendo possuir as chaves para sua compreensão. Isso, no entanto, gerou muitas divergências. Enquanto os textos de São João, mesmo quando investigados à luz dos conhecimentos atuais, mantêm uma grande aura de mistério, os de Nostradamus permitem uma análise mais acurada sobre cada uma das previsões.
    Segundo o médico francês, nos eventos que supostamente ocorrerão até o ano 2000, o principal catalisador será um personagem de grande importância no livro do Apocalipse: o Anticristo. Seu nascimento, ascensão e queda são descritos com pormenores em algumas quadras das Centúrias. Ele é o desencadeador de todas as mudanças, o grande questionador e, principalmente, o representante máximo das forças espirituais do caos e da iniqüidade.

Quem é o Anticristo?
    A descrição que Nostradamus fornece é bastante enfática, especialmente quanto à aparência física e dons dessa entidade. Ele diz que "o menino nascerá com 2 dentes na garganta, e ainda que corcunda, será eleito pelo Conselho, o mais hediondo monstro visto na Terra". Mesmo sendo considerado o filho da destruição, ele irá se apresentar ao mundo e à sociedade com belas vestes. Sua beleza aparente cativará a todos.
    O fato de provavelmente ser eleito em uma votação democrática levou vários estudiosos a considerar que seu surgimento se dará em uma grande nação do mundo civilizado, já que estas possuem regimes democráticos.
    Outros pesquisadores utilizaram a numerologia para definir quem seria o Anticristo. Na numerologia, cada letra do alfabeto corresponde a um valor numérico. Somando esses números, chega-se a um valor total. O número da Besta, ou Anticristo, conforme citam várias fontes - inclusive o Apocalipse -, é 666. Esse valor foi obtido no cálculo numerológico para Nero César, imperador romano que perseguiu os cristãos na Roma antiga, e também para Hitler, profetizado nas Centúrias com o nome de Hister — duas encarnações passadas do personagem.
    Contudo, mais importante do que esses cálculos é saber que o número 666 representa a atual encarnação do Anticristo, não as anteriores. Se as profecias estiverem corretas, a guerra contra o Mal já está ocorrendo, ainda que tudo pareça normal. O inimigo é considerado o 'rei da mentira' e seu plano já está em andamento. Para conquistar adeptos ele se utiliza de armas como a soberba, o orgulho e, sobretudo, o desespero.

Nascimento e Ascensão do Anticristo
    Alguns historiadores entendem que o Anticristo já nasceu, em alguma região da Europa Central ou Leste Europeu. No entanto, será em uma das grandes nações do planeta que ele irá se desenvolver e preparar sua ascensão ao poder. Uma das quadras de Nostradamus afirma: "Ele nascerá da infelicidade, numa cidade incomensurável. E nascerá de pais obscuros e pérfidos. Quando o poder do grande rei (da França) for reconhecido, Ele destruirá de Rouen a Evreux". Acredita-se que a França mencionada na quadra seja um símbolo da sociedade moderna e globalizada, e que a citação não se refere especificamente ao nascimento físico do Anticristo, mas ao seu surgimento como força, crescendo entre a miséria e desespero das grandes cidades.
    Ele irá se estabelecer apoiado em seus ideais, que encontrarão resposta nas grandes massas. Seus discursos afirmarão que todos podem obter o que quiserem e satisfazer os desejos mais torpes sem qualquer cobrança de natureza moral ou ética, estimulando a vaidade, o orgulho, o egoísmo e a violência.
    Na verdade, é possível que o Anticristo realize sua missão sem ao menos ter consciência de quem é, acreditando que suas ações serão o melhor para todos. Ele estará preso à sua essência negra, sem livre arbítrio. Sendo um joguete das Trevas, não perceberá a verdade que o cerca. Além de ser idolatrado pelas massas, muitos cristãos poderão confundi-lo com o Enviado. Ele será capaz de prodígios tão grandes que até os mais santos terão dúvidas sobre sua natureza.

Julho e Agosto de 1999
    Segundo Nostradamus, o ano de 1999 terá dois períodos críticos. Nos meses de julho e agosto, a humanidade estará sob a influência de configurações astrológicas que trarão mudanças significativas em nossas instituições e valores (veja box).
    Desde o momento em que nasce, o homem sofre a influência dos astros. A astrologia estuda como essas energias agem sobre o destino do ser humano em nível individual e coletivo. Segundo Nostradamus, em julho os planetas estarão alinhados de modo bastante propício para a ascensão do     Anticristo, o que provavelmente marcaria o fim do mundo como nós o conhecemos. A quadra que se refere a esse momento diz: "Do céu virá o terror, No ano de 1999 e sete meses, Do céu virá o Grande Rei do Terror...". Com isso, entende-se que, no sétimo mês (julho), o Anticristo levará sua palavra a todas as nações para impor seus ideais, derrubando barreiras e estabelecendo seu plano para mudar a face da Terra. Também em agosto acredita-se que ocorrerá outro evento de importância, quando o último eclipse do milênio – previsto por Nostradamus – marcará o início do Conflito Final.
    Essa batalha é vista literalmente como uma guerra sem precedentes, com a destruição da Europa, o fim do papado e uma crise financeira que destruirá a economia mundial. A situação teria sido preparada pelo Anticristo ao longo dos anos, cuidadosamente, com seus agentes atuando em todos os lugares essenciais do mundo. Levando em consideração as dificuldades por que passa a economia mundial – com vários especialistas apontando a necessidade de mudanças radicais no modelo atual antes que uma crise definitiva se instale – e as freqüentes guerras pelo planeta, é fácil imaginar que o cenário ideal para a ascensão do Anticristo está montado.

Início do Fim
    Alguns estudiosos entendem que o chamado 'final dos tempos' não deve ser entendido de maneira literal, que a interpretação das Centúrias refere-se a mudanças no interior das pessoas e transformações na sociedade, que dariam início à tão proclamada Nova Era.
    Por outro lado, as profecias de Nostradamus identificadas com acontecimentos históricos reais – como o surgimento de Napoleão e de Hitler – levaram um grande número de pesquisadores a entender que, quando falava do final dos tempos, ele estava realmente referindo-se a um conflito de natureza externa.
    Durante muitos anos o mundo viveu sob o medo de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética que, por diversas vezes, quase aconteceu.

Agosto de 1999
    Nas Centúrias, Nostradamus cita uma série de eventos que terão início em 11 de agosto de 1999 – data em que o último eclipse solar do século marcará a passagem da Era de Peixes para a Era de Aquário.
    As características deste mapa astral apresentam aspectos de muita tensão no que se refere ao Estado e seus governantes, e forte tendência para o surgimento de conflitos sociais, de rebeliões a guerras civis inesperadas.
    Sol, Lua e Mercúrio em Leão, ativando todos os outros aspectos do mapa a partir do meio do céu, fazem crer que as massas poderão exigir uma nova liderança nesse período. A Terra também poderá ser assolada por vários cataclismos de natureza sísmica e meteorológica. Em contrapartida, as pessoas passarão a ajudar mais seus semelhantes com atitudes de amizade e companheirismo (Vênus trígono Júpiter).
    Haverá uma crise de consciência e de valores na sociedade, pois tudo aquilo que consideramos negativo em nós e nos outros será transformado, levando a um refinamento do ser humano e de suas ações (os planetas transpessoais – Netuno, Urano e Plutão -estarão ativando uma série de aspectos com outros planetas do zodíaco, resultando numa grande reformulação do ser humano).
    A tecnologia se voltará para o conforto do lar, passando a ser usada, não como forma de desagregação familiar e social, mas como uma simples ferramenta do homem (Urano domiciliado em Aquário).
    A escolha de Paris para a elaboração do mapa deve-se ao fato da cidade aparecer em mais de uma interpretação das Centúrias e do Apocalipse de São João.
    Logo após a queda do regime comunista e fim da guerra fria, todos começaram a sentir que a ameaça de um cataclismo atômico havia passado.
Poucos anos depois, o pesadelo de um provável conflito global volta a surgir. A união européia em torno de objetivos comerciais comuns não impediu o crescimento assustador de lutas raciais internas. A dissolução da União Soviética não acabou com os armamentos nucleares, e sempre surge um ou outro líder local dizendo que os mísseis continuam operacionais e podem ser apontados em qualquer direção. Grande parte dos muçulmanos radicais em várias partes do planeta estão em pleno Jihad, a guerra santa contra tudo que se opõe às suas crenças. O Irã, os palestinos, os árabes e os israelenses representam o inesperado da equação. E os constantes altos e baixos da economia não indicam a estabilidade que se espera de uma Era de Ouro para a humanidade. Muito pelo contrário.
    A tentativa de limpeza étnica perpetrada pelo governante sérvio Slobodan Milosevic é o tipo de ação capaz de dar início ao Armagedom, e a região onde o conflito ocorre está de acordo com muitas profecias. Segundo interpretações das Centúrias, a provável guerra pode estender-se até o ano 2000 e, dependendo do andamento, até 2012. Isso, é claro, se não houver a utilização de armas nucleares, o que significaria a total aniquilação da raça humana. Outros entendem que o final de um século sempre desperta uma tendência natural nas pessoas de imaginar que isso representará o final dos tempos.
    Seja como for, Nostradamus fala sobre o início de tempos nebulosos para agosto de 1999. Não será muito difícil saber se suas profecias irão se concretizar de forma mais ou menos drástica – basta aguardar alguns meses.

Para saber mais:
Profecias de Nostradamus - Marques da Cruz (Ed.Pensamento)
Dia do Juízo 1999 D.C. - Charles Berli d. Europa-América)
As Profecias de Nostradamus – Erika Cheetham (Ed. Nova Fronteira)
Profetas e Prognósticos - Helmut Swoboda (Ed.Melhoramentos)

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