No Creo en Brujas...
2009-04-29 15:42Gilberto Schoereder
Nos últimos meses, o Padre Oscar Quevedo tornou-se uma das pessoas mais conhecidas do Brasil pelo seu quadro no programa Fantástico, da Rede Globo. Parapsicólogo de renome internacional, nesta entrevista exclusiva à Sexto Sentido ele mostra por que é amado e odiado com tanto fervor.
Em um ambiente escuro e esfumaçado, uma figura soturna aproxima-se lentamente do nosso campo de visão. Um tétrico fundo musical acentua o clima de mistério. Finalmente, quando todos esperam um caçador de vampiros ou coisa parecida, o padre Quevedo se revela num impecável casaco de couro, apresentado como o homem capaz de explicar qualquer fenômeno parapsicológico.
Essa é a abertura do quadro que o Fantástico vem exibindo em semanas alternadas, substituindo o bem-sucedido e chatíssimo Mister M. Padre Quevedo tem obtido índices de audiência tão bons ou ainda maiores que os do mágico mascarado, conquistando uma popularidade inédita e, ao mesmo tempo, intensificando algumas polêmicas cabeludas com relação a religiões e doutrinas diferentes da católica.
De origem espanhola, ele chegou ao Brasil há 40 anos para dar seqüência a seus estudos e pesquisas na área paranormal, sempre buscando desmistificar tudo que se relaciona ao chamado mundo dos espíritos — desde os mais diversos contatos com os mortos até as teorias reencarnacionistas.
Simpático e bem-humorado, Quevedo apresenta seus argumentos com a segurança de muitos anos de estudo e uma fé inabalável nos milagres do catolicismo.
O senhor costuma dizer que as manifestações parapsicológicas não devem ser fomentadas ou desenvolvidas, mas curadas. Esse posicionamento não encontra respaldo em todas as teorias parapsicológicas já desenvolvidas. Existem linhas de estudo que, inclusive, pensam o contrário: que as faculdades são uma evolução natural do ser humano e devem ser estimuladas. O senhor não acha perigoso tentar conter uma capacidade mental que pode ser inerente ao ser humano?
Em primeiro lugar teríamos de ver o que entendemos por parapsicólogos. Médico é aquele que estudou medicina em alguma universidade ou leciona alguma matéria em alguma universidade. No Brasil, tem mais parapsicólogos que pitanga. Na realidade, eu conheço nove com título universitário, e agora devem ser uns 60 que já terminaram a pós-graduação em parapsicologia aqui. De modo que muitos se apresentam como parapsicólogos e até podem saber muito, mas não são.
E quanto aos parapsicólogos norte-americanos?
O Congresso Internacional de Parapsicologia, realizado na Europa em 1953, proibiu fomentar esses fenômenos. O dr. Tart comprovou que as brincadeiras com o baralho Zener, que se faziam na Duke University, podem causar lesões cerebrais que não curam nunca.
Cada vez que se fala de uma casa mal-assombrada, de pirogênese, logo surge uma epidemia de casos. Faríamos um mundo de loucos, de hipernervosos, porque ninguém manifesta um fenômeno parapsicológico em estado normal, só em estado alterado de consciência. Telepatia, por exemplo, todo mundo tem alguma vez. Mas, uma casa assombrada, uma levitação, uma transfiguração, uma pirogênese, uma autocombustão, são desequilíbrios, um câncer no cérebro. Plenamente normal, equilibrado, ninguém manifesta sequer uma telepatia, que é o fenômeno mais vulgar. O estado alterado poderá ser uma emoção, um sonho, o barulho dos atabaques, que causa uma disritmia cerebral, ácido lisérgico, peyote mexicano, cânhamo índico, mescalina, contágio psíquico, morte aparente, uma febre alta. Mas, plenamente equilibrado, ninguém manifesta os fenômenos.
Por outro lado, isso surge do inconsciente, e o consciente não reconhece como próprio. Assim, há a necessidade de atribuir algo a alguém, e a pessoa pensa que tem poderes divinos, de espíritos, exus, orixás, fadas, ondinas, salamandras, larvas astrais, gênios, mahatmas. Onze mil interpretações, todas delirantes e que levam à dupla personalidade. Uma entidade que promete fomentar os fenômenos parapsicológicos vai atrair muito, vai estar cheia de seguidores, mas não é científico. Os fenômenos devem ser curados.
Independente desse posicionamento, outras linhas de pesquisa não acham que os fenômenos são algo para ser “curado”.
Volto a dizer: temos de ver os argumentos. A parapsicologia européia é a melhor experimentação de laboratório, com observações de casos espontâneos, experimentação qualitativa e teoria, com deduções a partir das experiências e pesquisas. Não só com a experimentação de laboratório, que acontece na escola norte-americana — só estatística, matemática e laboratório. Ela tem seu mérito, pois convenceu a UNESCO e a OMS a aceitar a parapsicologia como científica.
Na realidade, é um erro da ciência, nos últimos três séculos e meio, só aceitar a metodologia materialista da repetição em laboratório. Mas não é científico querer que a realidade se adapte ao método. O método é que tem de se adaptar à realidade. Acabaram por aceitar a percepção extra-sensorial por método material de pesquisa, o que demonstra que a ESP (Extra Sensorial Perception) é um aspecto menor dos fenômenos psi-gama, muito mais amplos. Tão amplos que se manifestam até em laboratório, com aquela situação de enervar, com a estatística e matemática querendo captar coisas tão 'emotivas' quanto o baralho Zener. Pois a emotividade é comprovadamente um fator muito importante. Então, há escolas que opinam por falta de conhecimento. É preciso aprofundar e ver os argumentos.
O senhor se referiu aos fenômenos paranormais como sendo sempre espontâneos e incontroláveis, e que é impossível produzi-los com hora marcada, senão pode se tratar de um truque. Ligando essa afirmação com aquela sobre a escola norte-americana, sabe-se que existe uma série de experiências realizadas em laboratório, inclusive com o paranormal Uri Geller, que esteve no Stanford Institute, na Universidade de Londres, no Japão e em várias outras por todo o mundo. Segundo os cientistas que o examinaram, como Russell Targ e Harold Puthoff, os poderes dele são reais. Foram comprovados em laboratório.
Uri Geller era um mágico profissional num night club em Jaffa, perto de Tel Aviv. Eu tenho fotografias dele quando era aluno dos franciscanos em Tel Aviv. Era um mágico profissional. Tivemos um debate de mais de 5 horas, com a Manchete e a rede Globo. Uri Geller versus Padre Quevedo: nocaute no primeiro round. Demonstrei e ficou claríssimo que ele não dominava o poder. Isso de dobrar um talher ele fazia por truque. Ele argumentou que, entre o público, às vezes o fenômeno acontece. Claro! Naquele ambiente que ele havia criado, com toda sua simpatia, era impossível não surgir uma paracinesia entre milhões de espectadores.
Mas esse truque, como o senhor diz, foi inclusive filmado em laboratório, confirmando o fenômeno.
Ele disse que foi demonstrado no Stanford Research Institute, que era verdadeiro. Mentira! Isso é publicidade dele. Lá, demonstraram que era truque, que ele usava um radinho, que ele colocava num dente oco para lhe transmitir as informações. Então, no Stanford demonstraram que era truque, e ele dizia, “Fui pesquisado cientificamente”.
Os resultados da pesquisa de Stanford e os cientistas Russell Targ e Harold Puthoff não disseram isso. Eles confirmam a autenticidade.
Que o fenômeno pudesse ser autêntico, sim. Mas que eles tivessem demonstrado que Uri Geller fazia aquilo quando queria e como queria, não. Dizem que alguma vez poderia ser verdade. Mas, quando ele aparecia na televisão, eram truques e técnicas, e isso foi demonstrado. Então, não é verdade o que Uri Geller diz. Isso é propaganda dele. Ele reconheceu que era truque, mas que entre o público pode ser verdade. Eu não estou negando os fenômenos parapsicológicos. Eu digo que todos eles, especialmente os paranormais — não os supranormais — são espontâneos e incontroláveis. E os paranormais e extranormais, perigosos. Algum fenômeno extranormal, por exemplo a hiperestesia, o DOP (Dermo Optical Perception) se pode fomentar e até ter um certo controle, sim. E se tem conseguido. Mas depois estragaram os nervos das pessoas. Então é perigoso.
O senhor defende que os fenômenos paranormais ou extranormais são, na verdade, os responsáveis por tudo que envolve o espiritismo, e que isso, em alguns casos, pode levar à loucura. No entanto, conhecemos vários casos de médiuns que afirmam entrar em contato com espíritos e nunca ficaram loucos. Que tipo de estudo científico ou estatística comprova esse seu ponto de vista?
Espíritas que não foram levados à loucura existem muitos. Espíritas que não foram levados ao fanatismo é muito difícil, porque é uma lavagem cerebral. Tanto que a SPR — Society for Psychical Research, de Londres — fundada por espíritas, não aceita o testemunho de espíritas na sessão. Tem que ser fora da sessão de espiritismo. O que eu digo é que pode levar não exatamente à loucura, o que é difícil, mas a estragar os nervos, originar a dupla personalidade, que é um tipo de loucura. Estraga os nervos porque a pessoa entra em transe com muita facilidade, e também não podem evitar o truque. Deve-se desconfiar daqueles que não fazem truques jamais, aqueles que não são pegos nunca, porque esses são charlatões, são mágicos — é um Uri Geller, um Thomas Green Morton. A pessoa está em transe e, portanto, sem autodeterminação consciente, sem responsabilidade. Se ela tem um controle tal que não recorre a um truque, então que inconsciente é esse manejado pela moralidade?
E no caso da pictografia de Luiz Antonio Gasparetto? Os espíritos pintam através dele.
Por que Luiz Gasparetto, em vez de pintar autores impressionistas, que ele conhece, não pinta um autor que não conhece? Ele treinou a vida inteira para a pictografia — é um automatismo. A psicografia em geral se provoca com toda a facilidade. Dizem que são os mortos. Por que Chico Xavier não psicografa em latim? Ele diz que Emmanuel era um senador romano dos tempos de Cristo reencarnado no padre Manuel da Nóbrega. Então teria de se manifestar em latim. Mas a psicografa só sai em português e de autores que ele conhece. Não digo que seja truque, mas é um fenômeno claramente humano.
Gasparetto também, só com autores que ele conhece. Ele treinou a vida toda para isso. Levamos algumas pinturas de Gasparetto ao diretor do Museu de Arte Moderna e ele disse que, se aquilo fosse do autor ao qual se atribui e ele renascesse das cinzas, morria de novo, de susto. As pinturas são apenas semelhantes, feitas com uma habilidade e uma rapidez típica de todos os automatismos. Em um estado alterado de consciência, quando os automatismos tomam conta da máquina humana, quem não é especialista se surpreende. Mas, reflitam um pouco: se fossem os mortos, por que nunca psicografam em latim, alemão ou russo?
Voltando às teorias da parapsicologia, algumas procuram explicar uma série de fenômenos, como as viagens astrais ou os fenômenos espíritas. Mas esses fenômenos também podem ser explicados por outras linhas de estudo e outras teorias. O fato de uma teoria ter sido elaborada para entender um determinado fenômeno não significa que essa seja a explicação real ou a única possível.
Significa justamente isso. Na ciência, nunca se deve explicar por mais se é possível explicar por menos. E já está demonstrado que esses fenômenos não ocorrem a menos de 50 metros de distância. A outra explicação é a dos espíritos dos mortos.
E os casos de telepatia, com as experiências de transmissão de mensagens e imagens de um continente a outro?
Telepatia. Está provado que a percepção extra-sensorial não tem tempo, não tem distância, não tem obstáculos. Então, já está explicado. Por que vamos atribuir ao além o que está sobejamente explicado por psi-gama? Só para argumentar, temos a experiência das senhas. Os espíritas que fundaram a SPR e muitos outros depois deles deixaram, antes de morrer, uma frase que só eles conheciam, fechada e lacrada. A idéia era que, se depois de mortos eles pudessem se comunicar, a frase ou senha teria de aparecer. Não basta que imitem o estilo, pois isso qualquer falsário faz. Tem de ter a senha.
Pois desde que se iniciou a experiência da senha, jamais apareceu. N-U-N-C-A. Com Chico Xavier não apareceram as senhas deixadas por Monteiro Lobato — uma com dona Ruth Fontoura, de São Paulo, outra com o dr. Godofredo Rangel, diretor do jornal O Dia, do Rio de Janeiro. Chico Xavier imitou seu estilo bastante bem. Tem gente que faz melhor, tem mais cultura. Ele é sempre muito cordial, sempre aparece um 'meus queridos', o que não aparece no autor que ele imita. Isso é do seu caráter. E também quando descreve outras épocas, aparece uma assexualidade, que é o problema dele. Ele é homossexual, que culpa tem? Mas tem um problema psicológico não superado, e esse problema aparece. Outros imitariam muito bem, sem deixar aparecer tanto a personalidade. Mas as senhas não apareceram, então não é Monteiro Lobato, e o mesmo digo de qualquer outro.
O senhor também se manifestou contrário à noção de que uma regressão a vidas passadas seja real. No entanto, existe uma quantidade razoável de psicólogos e psiquiatras no mundo, hoje, que estão se rendendo às evidências. O senhor pode falar um pouco sobre isso?
Vou prescindir da possibilidade. Vamos analisar os fatos. Aqui em São Paulo, tanto o Conselho Regional de Psicologia como, posteriormente, o Conselho Regional de Psiquiatria, caçam o título de psicólogo ou psiquiatra a quem fizer regressão na idade. Eles dizem que não são regressões a vidas passadas, mas sim a experiências passadas. É um modo de disfarçar, de atrair e enganar. Pode-se explicar o fenômeno de outra maneira que não seja reencarnação.
Contraprovas. Que se faça uma regressão a uma época que supere o período abrangido pelos fenômenos psi-gama — entre passado, presente e futuro, mais ou menos dois séculos. Que nos digam uma coisa que se encontre fora do prazo existencial. Por exemplo, o mundo está cheio de hieróglifos maias, etruscos, persas, antigos egípcios, que nenhum arqueólogo conseguiu decifrar.
Allan Kardec não disse que ao desencarnarmos recuperamos os conhecimentos das vidas anteriores, e esses conhecimentos seriam o que estaria causando traumas aqui? Já de início, uma contradição. Aprende-se aqui, lembra-se lá e, ao reencarnar, nos esquecemos, mas ainda assim causa o trauma? Contraditório. Se já aprendeu aqui, devia recordar-se aqui e não lá. E como vai causar o trauma aqui se só se relembra no além? Mas, sem entrarmos em teorias, que nos digam alguma coisa fora do nosso prazo existencial, algum segredo arqueológico, o segredo da liga do cobre dos antigos alquimistas, que sabemos ter existido e se perdeu. O que os vivos no nosso globo não sabem, nunca ninguém manifestou. Não é reencarnação.
Existe também a precognição, que é mais freqüente que a retrocognição. É mais comum adivinhar o futuro, e não significa que esteja se lembrando. Então, se é possível adivinhar o futuro, o que tem demais em se adivinhar o passado? Ser reencarnacionista é um direito que as pessoas têm, mas provem a reencarnação. Onde existe essa geração? De um cavalo é gerado um cavalinho na mesma espécie que seus progenitores. De uma roseira, uma roseirinha, na mesma espécie que seus progenitores. De onde terão tirado os reencarnacionistas que o ser humano gera um corpo e a alma vem de outro lugar? Essa geração não existe. Todas as gerações são da mesma espécie que seus progenitores. Pais e mães geraram um ser humano, corpo e alma. Como podia haver alma sem corpo? Não há cientista que afirme isso.
Na ciência da observação se diz que não há função sem órgão. Na filosofia, que toda ação é do conjunto, não apenas do corpo ou da alma. Na teologia, no primeiro concílio ecumênico da história, quando os cristãos formavam um só bloco, já se definia que a alma humana sem corpo não existe.
Mas dizem que até o Concílio de Constantinopla II a religião católica aceitava a reencarnação.
Isso foi dito por Banerjee, e é uma calúnia. O Concílio de Constantinopla condenou a tese de Tertuliano, sobre a preexistência das almas, por influência de Platão, que achava que as almas preexistiam e depois vinham ao nosso mundo. Não fala de reencarnação, fala de preexistência das almas no mundo das idéias. Tertuliano achou isso até possível e o Concílio condenou a idéia, não a reencarnação em que, naquela época, ninguém acreditava.
Deturparam o Concílio de Constantinopla, pois a Igreja nunca foi reencarnacionista. Nunca. É uma de tantas calúnias.
Por que alguns fenômenos paranormais são explicados pelas teorias da parapsicologia e os milagres não?
Grande número de teólogos liberais protestantes e católicos modernistas negaram os milagres dizendo que logo serão explicados. Aqui, vamos analisar os fatos. Ninguém vai negar a verdade histórica das profecias bíblicas, que ultrapassam o período de dois séculos dos fenômenos psi-gama. Temos também os cadáveres incorruptos. Se fosse um fenômeno natural, teria em todas as religiões, em todas as épocas, em todos os povos. Citem-me um cadáver incorrupto que não seja em ambiente divino católico. Ou um milagre que não seja em ambiente judaico antigo, até dois séculos antes de Cristo, depois cristão e, após as separações em protestantes e cismáticos, exclusivamente católico. Os cismáticos ortodoxos russos têm mais de 50 cadáveres incorruptos, todos anteriores à separação.
Hoje, sem contar os cadáveres que não estão expostos ou os cartonados (o cadáver que já secou), temos mais de 2 mil. A ciência nega o fenômeno porque não consegue reproduzi-lo em laboratório, mas isso não é ser cientista. Mas analise-os quando quiserem — são milagres permanentes. Em Lanciano, uma hóstia ficou incorrupta por 13 séculos e se converteu em carne humana, viva. Está lá. Todos os milagres ocorrem em ambiente judaico, cristão, católico, sucessivamente.
Mas em outras religiões também se fala da ocorrência de milagres, e as pessoas não concordam com esse ponto de vista.
Qualquer bobagem é milagre, ou então o milagre é uma bobagem. Milagres temos de todo tipo e qualquer coisa é milagre. Expulsou o demônio, saiu caminhando, tinha um tique nervoso e agora está bem. Algum caso de devolução de uma perna? Os católicos têm muitos. Algum caso de devolução de uma mão? Os católicos têm muitos. Alguma cura instantâneo de um leproso? Temos muitas.
Principalmente entre as religiões orientais são citados também inúmeros casos de milagres, inclusive de pessoas que foram ressuscitadas. É assim com Babaji ou os milagres de materialização de Sai Baba, que são encarados como milagres da mesma forma como foram os de Jesus ou dos apóstolos.
Da mesma forma, de jeito nenhum. Sai Baba, vamos chamar-lhe uma vítima de seu irmão, que é bom no marketing. Sai Baba tira um pó da manga, converte um papel em um metal. Não há mágico que não saiba fazer isso. Mas dizem que revitalizou mortos. Que se comprove um caso. É tudo lenda e exageros. Tenhamos em conta que, para os indianos — hoje nem tanto, já existem, por exemplo, parapsicólogos excelentes — mas tradicionalmente para os indianos, verdade é aquilo que é bonito. E para nós verdade é aquilo que corresponde à realidade. Que me mostrem um caso comprovado de um cadáver, morto de morte morrida, comprovado no hospital, enterrado, e que cinco ou oito dias depois tenha recuperado a vida e as forças. Eu cito muitas revitalizações de mortos no livro Palavra de Javé. Procurei em toda a pesquisa dos melhores parapsicólogos do mundo, mas, tirando as lendas, as coisas para exaltar a figura do herói, tirando a mentalidade oriental, não há nenhum caso comprovado de revitalização de mortos. E os católicos têm aos milhares.
Se nos referirmos à época bíblica, também ninguém viu. Está tudo relatado numa série de textos que, inclusive, foram alterados ao longo desses dois mil anos, ou traduzidos e retraduzidos. A prova que se tem dos milagres realizados por Jesus Cristo, por exemplo, é o que está na Bíblia. Em outras religiões acontece a mesma coisa, ou seja, a prova que se tem são relatos que vêm de milhares de anos. Qual a diferença entre um e outro?
Uma diferença enorme. Se só existissem os milagres bíblicos, que são orientais, tremendamente exagerados, a crítica histórica desconfiaria. Será que de boca em boca uma pulga não virou elefante? Em parapsicologia se exige o chamado 'efeito bumerangue'. Se só tivessem existido naquela época, se poderia duvidar, mas existiram naquela época e vêm se repetindo até o ano 2000. Não há nenhum milagre bíblico que não se tenha repetido ao longo da história centenas de vezes.
Outras religiões afirmam o mesmo, ou seja, que os milagres de antigamente vêm se confirmando até hoje.
Dizem. Mas comparar os milagres budistas com os católicos é uma tremenda aberração, porque são claramente lendas típicas, são exageros.
Não é apenas uma questão de fés diferentes?
Tem de ver o que se entende por fé. Fé é acreditar numa doutrina que não podemos julgar pela autoridade daquele que a revelou. Isso é fé. Ora, a fé tem de ser racional, não infantil. Temos de saber dar motivo. Os milagres são o que fundamenta, que está realmente revelado e que não foi inventado. Comparar os milagres divinos judaicos, cristãos, católicos com os milagres hindus, budistas, etc., é uma monstruosidade. É completamente diferente. Evidentemente, como sempre, há muita propaganda, aproveitando que o povo está à procura. O tema não é fácil. Foi a maior polêmica nos últimos 3 séculos e meio, mas a parapsicologia venceu. Ou, se quiser, a ciência venceu.
A transcomunicação instrumental, que o senhor avaliou em seu quadro no Fantástico, foi explicada como um fenômeno parapsicológico — ou seja, influência da mente. O senhor também já disse que os fenômenos parapsicológicos não podem ter hora marcada. Mas, em alguns casos de transcomunicação, o fenômeno ocorre com hora marcada: as pessoas marcam dia, hora e local para a comunicação chegar. Como se explica isso?
Esse senhor se preparou para o debate por muito tempo. As palavras que ele esperava, 'Ramatis presente', são as mesmas que ele já tinha apresentado em vários outros congressos, assim como as imagens, de modo que no programa ele pretendeu enganar. E ficou claro que estava enganando, só que a Rede Globo, naquela oportunidade, não quis terminar o debate e anunciou que vai continuar. Daí o desafio: o fenômeno se deve à energia corporal dos vivos ou aos mortos?
Vamos deixar o uso da eletrônica, porque com a eletrônica se captam coisas de muito longe. Vamos simplificar, para sermos experimentadores. Com ele eu tirei uma caneta e coloquei em cima da mesa — está tudo filmado — e disse, “Vamos nos afastar a 50 metros de distância, junte todos os espíritos dos mortos e façam a caneta mexer. A parapsicologia internacional dá 10 mil dólares se ele mexer a caneta. Se não são capazes todos juntos de movê-la a mais de 50 metros dos vivos, por que andam dizendo que fazem quando querem? Isso é um fenômeno humano, que precisa a energia corporal do vivo, perto, aqui e agora. Não age no futuro nem no passado. É uma energia realmente física.
E o fenômeno que ocorre quando as pessoas se reúnem num congresso, por exemplo? Ele não é mais um fenômeno espontâneo?
É espontâneo e incontrolável. Todas as quartas-feiras nos reunimos para tentar experiências de ESP. E vamos tentar, e tentar, com experiências qualitativas, e tentar, e tentar. Algum dia vai acontecer. Em algum momento vai acontecer. Ficamos filmando e gravando para quando surgir. Mas não é 'agora consigo'. Nina Kulagina, por exemplo, sobre a qual tem um filme em que ela mexe um objeto — ela fica horas tentando e, de repente, acontece. E nem sempre na direção pretendida. O fenômeno é espontâneo: surge ou não surge. Incontrolável: surge um fenômeno para o qual a pessoa está condicionada ou treinada, ou surge outro. Está querendo mover um lápis e move o copo ao lado. Incontrolável e perigoso. Ela transpira e perde até três quilos. Não se deve fomentar isso.
Alguns espíritas dizem que o canal, ou médium, é uma espécie de decodificador, e por isso existem essas diferenças.
O fanático sempre encontra uma saída, mas tem de prová-la. A ciência demonstra que ESP não tem tempo, não tem distância, não tem obstáculos, e apresenta contraprovas como a senha e muitas outras. Ah, mas a Terra poderia estar sustentada pelos ombros de Atlas. Mas não está. Em ciência não se fala por hipótese. Mas, não poderia ser? Demonstre e vença a dificuldade. Você perguntava: o fato da parapsicologia ter dado uma explicação não quer dizer que não possa ser outra? Quer dizer que não é outra. Está explicado com prova e contraprova. Então, quem tiver outra explicação que dê a prova. Não basta 'poderia ser'.
O que o senhor pensa sobre as experiências próximas à morte ou de quase morte?
Partamos do que dizem Elizabeth Kubler Ross e Raymond Moody, que o fenômeno é freqüente e sempre igual. Na realidade, os grandes parapsicólogos que estudaram isso demonstraram que é falso. Não é freqüente, é raríssimo. Quando dou cursos para profissionais de saúde, médicos, enfermeiras, entre mil pessoas nenhuma viu alguém que, tendo sido reanimado, se lembrasse do que tinha acontecido. É raríssimo e é um fenômeno parapsicológico, espontâneo. Num mundo tão grande podemos encontrar muitos casos.
Eles dizem que é sempre igual, mas eles mesmos se refutam. Uns vêem uma luz. Claro, se der um golpe na cabeça, apertar os olhos, vai ver uma luz. Se fizer muita oxigenação, como no ioga, vai ver luzes. Identificam como Jesus Cristo. Mas será que Jesus Cristo se adiantou, não sabia que a pessoa não tinha morrido? Outros dizem que viram um túnel e uma luz ao fundo; ou um mar e, ao longe, a margem; um deserto, e ao fundo um oásis. São muito diferentes, não são freqüentes, mas raros. É parapsicológico e um fenômeno natural.
É claro que uma pessoa que está próxima da morte está perdendo todo o tônus muscular. Mesmo quando estamos dormindo temos o OBE — out of the body experience, experiência fora do corpo — a sensação de que saímos ou que estamos caindo. O fenômeno se explica muito bem, naturalmente, e não tem a ver com o além. Elizabeth Kubler Ross e Raymond Moody fizeram uma coisa que chamou a atenção, mas não são especialistas e deram uma interpretação de ficção, não de ciência.
Em que categoria e de que forma se podem explicar os fenômenos de Fátima? Eles também são fenômenos paranormais?
As visões, sim. Não há aparições, são visões. Dizer que Nossa Senhora apareceu em Fátima é ilusão. Se tivesse aparecido todo mundo veria. Se estivesse lá alguém falando, como é que o público não ouvia nada, e Francisco não ouvia nada e não era surdo. Jacinta ouvia uma coisa, Lucia ouvia outra. São visões. Não há aparições depois da ascensão.
A Igreja não entende disso. A Igreja que fale de doutrina sobrenatural, inobservável e revelada. Fatos observáveis do mundo são os cientistas que têm de estudar. Isso não é a doutrina, é ciência, e nem sempre a Igreja estava preparada. Não interpretaram bem as aparições, as chamadas possessões demoníacas. Há muito erro porque a Igreja não tem autoridade nisso.
Não são aparições, mas um fenômeno natural. O que estou dizendo, apesar de não ser divulgado, é a doutrina que vem desde o início, desde os santos padres, Santo Agostinho, São Tomás. É a doutrina católica de sempre, como também é a dos protestantes. Dizer que são aparições é um erro tipicamente católico. Os protestantes — e eu digo os luteranos, anglicanos, não essas seitas modernas em que cada um inventa o que quer — não caíram nesse erro.
Como disse Cristo, “Não aceitai porque eu digo, mas pelos milagres que eu faço”. Não é racional aceitar algo que não esteja assinado. Então, por que a Igreja aprovou as visões de Fátima, e Lurdes, os milagres de Nossa Senhora de Guadalupe? Pelos milagres, que mostravam que Deus se serve dessas visões. Mas, como se pode afirmar racionalmente que Deus se serve disso? Porque assinou com milagres.
O que o senhor pensa a respeito de OVNIs e seres extraterrestres que estariam nos visitando?
Há dois aspectos. Primeiro, tem que existir. Pensar que só existe uma raça, um ser espiritual e material, não é ser filósofo. Nessa partícula de pó que é o planeta Terra, quantos milhões de espécies vegetais? Quantos milhões de espécies animais? Só existe uma raça humana? Isso é absurdo. Para que todo esse desperdício? Pensar que só está habitada esta partícula de pó neste universo enorme é não ter a cabeça sobre os ombros. Isso é completamente absurdo. Então, tem que haver muitos planetas, talvez milhares de planetas habitados.
Por outro lado, Deus não se repete nunca. Não há duas árvores iguais, duas folhas iguais. Podem ser muito parecidas, mas não iguais. Quem se repete é o homem, mas na criação, não. Alguns dizem que nunca nos comunicaremos com eles. É possível que cheguemos até lá, lá estão, os vimos, mas que nos comuniquemos... há um axioma tirado da ciência que diz: Deus não permite que sejamos tentados acima de nossas forças. Imagine o povo deste mundo, se sentir que há outros planetas que não tiveram Jesus Cristo, que não tiveram redenção? Isso é superior às forças... algum grande teólogo vai entender, sim, mas ia ser uma tentação superior às nossas forças. Então, tudo isso em conjunto, o que acho sobre os OVNIs? Tem que haver habitantes em outros planetas. Tem que haver muitos habitantes em outros planetas. Não parece lógico, com um pé na frente e outro atrás, que possamos nos comunicar com eles. E os OVNIs... eu tenho uma palestra, até com alguns slides... neste caso eram aviões, neste caso era o planeta Vênus, neste caso eram nuvens circulares, neste caso o reflexo da luz de um carro na camada de nuvens... são tantas explicações. Nunca ninguém demonstrou que foi habitante de outro planeta. Fala-se muito sobre abdução. “Aqui, na clínica, fui violada...” é um modo de enganar o marido, dizer que foi violada. Há muitos casos em que o objeto voador é não-identificado e não sabemos a que se deve, e em muitíssimos outros casos se deu uma explicação. O dia em que alguém demonstrar bem demonstrado que alguém foi habitante de outro planeta e nos visitou, ganhará o prêmio Nobel.
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