Nazismo e Esoterismo

2009-04-29 16:18

Ubiratan S. Schulz

Além das atividades políticas e militares já conhecidas por todos, o nazismo também se desenvolveu em torno de idéias esotéricas ligadas à formação de diversas sociedades secretas.

    A realidade da história pode ser considerada sob dois aspectos: um diz respeito à opinião geral, que mais tarde se torna a história escrita, registrada; o outro, ao contrário, envolvem acontecimentos que jamais se tornam públicos. É o mundo do comportamento das sociedades e lojas secretas, que misturam capital, política, economia e religião. Na verdade, é exatamente nesse nível, oculto e esotérico, que se mudam governos e guerras são tramadas.
    Evidentemente, trabalhos relacionados a uma loja secreta, esotérica, ocultista, só atingem suas finalidades se permanecem secretos. Isso demonstra que aquilo que os nazistas ocultaram de nossos olhos é justamente o que os levou à posição que ocuparam no passado e continuam ocupando nos dias de hoje.
    As origens do movimento liderado por Adolf Hitler revelam detalhes no mínimo marcantes. Desde 1830, o chamado pangermanismo vinha demonstrando um acentuado crescimento dentro da sociedade alemã, com grande destaque no reinado de Guilherme II — sendo que nas décadas de 1890 a 1910 o movimento manifestou-se principalmente sob o aspecto de um forte desejo de expansão econômica. Surgiram então a Allgemeiner     Deutscher Verband (Liga Geral Alemã), a Alldeutscher Verband (Liga Pangermanista) e outras de menor importância. Em 25 de dezembro de 1917 (data curiosamente escolhida) fundou-se um grupo secreto com o nome de Thule Gesellschaft, derivado da Ordem dos Germanos (Germawenorden).     Promovendo o racismo, essa organização, criada por Theodor Fritsch (1852–1933), já exibia como emblema a cruz gamada, também conhecida como suástica. Dando seqüência às suas idéias extremistas, em 1918, o mesmo Fritsch confiou a um certo barão Rudolf Von Sebottendorff uma missão bastante específica: fundar uma segunda organização, chamada simplesmente de Sociedade Thule.

Confraria Secreta
    Entre 1880 e 1890, muitas personalidades foram convidadas a formar A Ordem Hermética da Aurora Dourada (The Hermetic Order of the Golden Dawn), personalidades estas recrutadas em duas das maiores sociedades secretas da história: a Grande Loja da Franco-Maçonaria e a Ordem Rosa-Cruz. A Golden Dawn tornou-se o ponto alto da franco-maçonaria esotérica da Europa. Entre outros, pertenceram a ela Florence Farr, W.B. Yeats (prêmio Nobel de literatura), Bram Stoker (autor de Drácula), Gustav Meyrink (autor dos livros O Golem e O Rosto Verde), Aleister Crowley (mago negro, fundador da Igreja Thelema e franco-maçom do 33 grau do Rito Escocês), Rudolf Steiner (fundador da Antroposofia, franco-maçom do 33º grau do Rito Escocês, dirigente da Sociedade Teosófica na Alemanha, grão-mestre da Ordem dos Iluminados. Mais  tarde Steiner abandonou a Golden Dawn por divergências com o ocultista Trebisch-Lincoln.
    Em 1917, encontraram-se em Viena o ocultista Barão Rudolf Von Sebottendorf, Karl Haushofet (discípulo de Gurdjieff), o aviador Lothar Waiz, o prelado Gernot da Sociedade dos Herdeiros dos Templários e Maria Orsitsch. Durante as reuniões o grupo esperava aprender novas coisas sobre os templários — uma ordem secreta criada para proteger os cristãos na Idade Média — e a confraria secreta Os Mestres da Pedra Negra, templários marcionistas dirigidos por Hubertus Koch.
    Sebottendorf foi iniciado na Ordem Os Mestres da pedra Negra em setembro de 1917, no monte Untersberg, com o poder da pedra violeta-negra (uma das gemas de poder ou pedras de Lilith, de origem não terrestre). Em torno do Barão formou-se um círculo que, em 1918, passou da Ordem dos Germanos para a Sociedade Thule, em Bad Aihling. Além de integrar a Golden Dawn, essas pessoas praticavam tantrismo, hatha ioga, meditações orientais, magias, astrologia, ocultismo e cultos templários, estabelecendo uma ligação entre tais disciplinas e a política.
    A Thule acreditava — segundo a revelação de Isaías, no Velho Testamento — na vinda de um Messias, o Terceiro Sargon, para trazer a glória à cultura ariana da Alemanha. Seus membros mais importantes, nomeados por Dietrich Bronder em seu livro Bevor Hitler Kam (Antes da Vinda de Hitler) e por E. R. Carmim em Guru Hitler foram, entre tantos, Rudolf Von Sebottendorf, grão-mestre da Ordem; Adolf Hitler, Chanceler do Reich; e os principais membros do staff nazista, bem como Rudolf Steiner; fundador da antroposofia.

O Lado Negro
    Com o passar do tempo, a Sociedade Thule seguiu dois rumos distintos: o esotérico, do qual Rudolf Steiner fazia parte, e o exotérico, do qual Hitler se apoderou — que perseguiu Steiner e seus discípulos, condenando à morte aqueles que conseguiu prender. Nessa época existia também a Sociedade Vril, Ordem secreta violentamente anti-cristã na qual se praticavam técnicas tântricas herdadas diretamente dos Bonpos Tibetanos, também chamados de Barretes Pretos, em oposição aos Barretes Amarelos do Budismo tradicional. Os Bonpos faziam uso de um xamanismo misturado ao tantrismo, e empregavam ritos sexuais, sacrifícios de animais (no passado, de seres humanos), e sua cruz gamada é sinistrogira, em oposição à dos Barretes Amarelos, que é dextrogira.
    Karl Haushofer estabeleceu contatos entre a Vril e os Tibetanos da Mão Esquerda, os bonpos de quem acabamos de falar. Em 1929, eles foram em grupos para a Alemanha e criaram templos nas cidades de Berlim, Munique e Nuremberg. Hitler teve contatos com o líder, um monge conhecido apenas como O Tibetano. Os bonpos pertenciam ao caminho da esquerda, dos ocultistas negros, praticando telepatia, hipnose, mediunidade, etc. Seu deus principal era o da Terra, chamado Bonpo. Afirma-se que foi O Tibetano quem disse a Hitler que a Alemanha deveria conquistar o deserto de Gobi, onde supostamente se situa a procurada cidade de Shamballa, morada dos Senhores da Criação.
    Quando os russos tomaram Berlim encontraram um abrigo subterrâneo cheio de monges tibetanos deitados em várias fileiras, que cometeram suicídio coletivo para não serem capturados.
    Hitler e sua cúpula poderiam ser literalmente chamados de loucos do outro mundo. Tanto o führer quanto Dietrich Eckart, poeta e ocultista, compartilhavam a teoria extravagante sobre a origem das tribos germânicas da ilha ao norte de Thule, que seriam compostas por criaturas sobrenaturais de uma civilização extinta e pela iminente ascensão de uma raça superior na Alemanha. Surgiu então, erguida sobre os mesmos preceitos, a Ahnenerbe (a herança dos ancestrais) e as Waffen SS, que representavam o corpo armado da SS, as tropas de combate.
Jovens oficiais e suboficiais dessa milícia, com a arma no ombro, marchavam cantando seu hino selvagem: “...é a SS marchando em terra vermelha,  cantando um hino do demônio... Que o mundo todo nos amaldiçoe, ou que saúde nosso sangue, somos os primeiros da festa... Sempre em pé, na primeira fila, onde o diabo gosta de rir! É a SS marchando em terra vermelha...”
    Essa terra vermelha não é a Rússia. Na Alemanha, esotericamente falando, o termo é rote erde, e trata-se da região conhecida como Vestefália. Foi ali, na província de Verdun, que Carlos Magno mandou decapitar, no ano 782 d.C., cinco mil saxões liderados por Widuking, que se supõe estar enterrado à espera do despertar da Germânia. É igualmente nessa província que fica a cadeia das montanhas do Harz, com o pico do Brocken, onde ocorre a célebre Noite do Walpurgis (1 de maio), a assembléia da bruxaria. Fato interessante essa data ter sido adotada para celebrar o dia do trabalho, hoje comemorado em todo o mundo.
    Devemos também lembrar uma profecia que igualmente cita a terra vermelha: “Numa nova terra, na foz de um rio vermelho de pó, onde tiver uma ilha em forma de tartaruga, surgirá um povo que dominará o mundo” (Rio Amazonas – Ilha de Marajó – Brasil).
    Outro fato curioso é que em meio ao vasto exército da SS haviam legionários e soldados vindos de todas as nações da velha Europa, Ásia e até das Américas: 200 mil soldados de Mussolini; 48 mil russos; 5 mil indianos; 1.500 tibetanos; 200 Britânicos; 20 mil franceses, além de americanos, canadenses, etc. Todos lutaram, como os soldados franceses da Division SS ‘Charlemagne’, até o ultimo homem na defesa de Berlim.

Objetos de Poder
    Os nazistas também estiveram bastante envolvidos na busca por objetos de poder — veículos mágicos de revelação, como a lança que feriu Jesus, o Cristo na Cruz. Esta, com certeza, caiu nas mãos de Hitler no dia 14 de março de 1938, às 24h, sendo depois transferida para Nuremberg, junto com as demais peças do tesouro imperial. Os nazistas também procuraram outros objetos lendários, mas ninguém sabe ao certo se algum deles foi encontrado: as pedras da coroa de Carlos Magno, a Arca da Aliança, o Santo Graal, o anel de Gengis-Khan (no qual está gravada uma suástica), Pedras Negras ou Pedras de Lilith — pequenos meteoritos de cor preta ao qual certos fenômenos estão associados, como o aparecimento de caracteres em sua superfície. A SS fez expedições ao Himalaia, Andes, Brasil, Checoslováquia e Inglaterra, e tentou encontrar as entradas para a Terra Oca nos pólos.
    Também relacionada à Sociedade Thule e à ascensão do nazismo existe a teoria da cosmogonia glacial, do ocultista austríaco Hans Horbiger.     Segundo Horbiger, “um dos mapas antigos mostra que nossa lua não é a primeira e nem a única na história da Terra. A lua que conhecemos começou a se aproximar do planeta, circundando-o, milhares de anos atrás”. Em seus estudos sobre a cosmogonia glacial e a Welteislehre, Horbiger propôs que o planeta Terra possuía várias luas, que desciam lentamente em sua direção até se chocarem contra a superfície. Por mais incrível que a idéia possa parecer, os nazistas a adotaram. Horbiger morreu pouco antes da Segunda Guerra e foi considerado um profeta pelo Reich. Temos de ressaltar o fato, muito suspeito, de que estranhos 'índios' da Amazônia também defendem a idéia proposta pela teoria das luas.

De Volta às Trevas?
    Algumas pessoas podem estar se perguntando por que Hitler e sua cúpula não venceram a guerra, já que tinham tantos conhecimentos ocultos à disposição. Parte da resposta encontra-se no fato de que tais segredos são relativos ao passado de nosso planeta, à gênese e origem do ser humano. O principal objetivo dos nazistas, na verdade, era o holocausto (o sacrifício de vítimas), e a guerra foi só um instrumento dos motivos ocultos por trás de sua ideologia. Também é bom lembrar que nem todas as sociedades secretas são destruidoras e maldosas, nem todas enganam o público, mentindo e manipulando para alcançar um poder político e econômico. A história nos mostra que muitas delas trabalham em segredo para trazer justiça ao mundo e para ampliar o direito dos seres humanos.
    Para terminar, vale citar alguns mitos incríveis sobre a misteriosa morte de Hitler que circulam desde o fim da Guerra. Alguns afirmam que ele foi cremado, embora as provas nunca tenham sido satisfatórias para os pesquisadores do assunto. Muita gente acredita que Hitler não morreu em Berlim — certos relatos afirmam que ele fugiu de avião, aterrissou na Dinamarca, foi de submarino para a Argentina e depois rumou para uma base secreta na Antártida (assunto para outra longa reportagem).
    E quanto ao Tibetano, o mestre de Hitler? O que teria acontecido com ele?
Bem... talvez ambos tenham se reunido em algum ponto secreto do planeta, depois da guerra, e quem sabe continuam lá até hoje tramando a derrocada da humanidade.

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