Leve Como Pluma
2009-05-05 15:33Por muito tempo, a levitação esteve relacionada a transes mediúnicos ou êxtases religiosos. Hoje, cada vez mais o fenômeno vem sendo pesquisado pela ciência. O homem está aprendendo a levitar todo tipo de objetos.
Gilberto Schoereder
Santos católicos que se ergueram a alturas incríveis. Xamãs que observavam o mundo físico das alturas. Pessoas supostamente possuídos pelo demônio, erguendo-se de suas camas sem qualquer sustentação física visível. Todos fenômenos ligados à levitação, que por muito tempo esteve associada exclusivamente a acontecimentos de caráter místico.
Com o início das investigações parapsicológicas no século XIX, a levitação passou a também estar associada às atividades de alguns médiuns, e várias hipóteses científicas chegaram a ser formuladas sem que se chegasse a uma conclusão. O assunto parece fazer parte de outro mundo, algo que só se ouve na ficção científica através de termos como antigravidade, ou em hipóteses sobre o funcionamento de supostos OVNIs. Mesmo quando os noticiários de televisão de todo o mundo anunciam a primeira experiência bem-sucedida de levitação de um ser vivo em laboratório, o assunto é esquecido quase que imediatamente, como se pertencesse à esfera da imaginação. Só que não é assim. Na natureza, trata-se de um acontecimento raro que, quando controlado cientificamente, pode representar uma nova tecnologia capaz de mudar radicalmente a face do planeta, como os escritores de ficção científica tão bem perceberam.
Muitos pesquisadores entendem que, seja qual for o caso em que a levitação tenha ocorrido com seres humanos, está envolvido no processo um estado psicológico alterado que, quando relacionado às religiões — e os casos registrados vão desde o antigo Egito até o catolicismo moderno —, revela algum momento de glória ou êxtase, mas também de possessão — conforme a política religiosa da época e local. Fala-se muito que se trata de um fenômeno espontâneo, ou seja, ocorre sem que o desejo consciente do sujeito esteja envolvido, mas é comum ouvirmos histórias de iogues que, por meio de intensa concentração e determinadas técnicas, conseguiram levitar. Alguns casos falam inclusive de pessoas que conseguiram viajar longas distâncias, deslocando-se no ar apenas com a força do pensamento.
No Tibete, por exemplo, são conhecidos os Lung-pas, os Homens-Vento, utilizados como correio entre mosteiros — pessoas especialmente treinadas em concentração mental e exercícios respiratórios que conseguem viajar longas distâncias a velocidades espantosas. O que se diz é que os Lung-pas não correm, mas flutuam como bolas, com seu peso foi radicalmente diminuído. Alexandra David-Neel, que viveu muito tempo no Tibete, disse ter visto um desses homens, que trazia correntes em torno do corpo para evitar que flutuasse.
Pesquisas Científicas
O exemplo acima pode parecer impossível ou exagerado para a maioria das pessoas, mas o mais estranho é que quando a Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres começou a realizar suas experiências sobre levitação chegou a detectar uma diminuição no peso dos médiuns.
Os levitadores também entravam em um estado de consciência alterada comparado ao dos santos da Igreja Católica e hindus. Diz-se que São Francisco de Assis levitava com freqüência e, numa ocasião, conseguiu erguer também o irmão Maseo, simplesmente segurando em sua mão. No caso de Santo Ignácio de Loyola, contam que ele levitava durante as orações, e o fenômeno ainda era acompanhado de estranhas luzes. E, para quem achar estranho um iogue viajar grandes distâncias em estado de levitação, ainda há o caso de São Tomás de Villanueva, que ficou levitando por 12 horas sem parar, segundo afirma a igreja.
Assim, a experiência registrada do médium Daniel Douglas Home (1833–1886) não seria tão surpreendente, não fosse pelo fato de ter sido registrada por cientistas tarimbados. A experiência ocorreu em 1868, e Home levitou saindo pela janela de um quarto no sexto andar de um prédio, entrando por outra janela e, posteriormente, refazendo o percurso na presença de vários observadores treinados. Ele também chegou a carregar objetos consigo e conseguiu erguer um piano de cauda.
No início da parapsicologia, vários cientistas chegaram a pensar que a levitação estava relacionada ao fenômeno de telecinese, a movimentação de objetos a distância com uma espécie de alavanca psíquica, invisível, desprendendo-se do corpo do indivíduo e movimentando os objetos ou o seu próprio corpo. Chegou-se a dizer que o ectoplasma poderia ter uma função nessa construção da alavanca, mas nunca qualquer resultado positivo foi obtido nas investigações.
A levitação é um acontecimento muito difícil de ser pesquisado e também um dos que mais se prestaram a mágicas de salão, com especialistas fazendo suas ajudantes flutuarem por meio de truques engenhosos, o que criou certa falta de credibilidade em relação ao fenômeno. No entanto, não se tem notícia de que algum cientista tenha tentado reproduzir a levitação em laboratório, por exemplo, convidando um iogue ou um candidato a santo diante de instrumentos. O que pode ser comprovado — especialmente devido às primeiras experiências realizadas por William Crookes e outros cientistas da época — é que ocorre uma diminuição de peso nas pessoas que participavam das sessões.
Tentando Registrar
As experiências com Home não foram fotografadas, mas o pesquisador e parapsicólogo René Sudre afirmou que chegaram a ser obtidas fotos de levitação de objetos nas quais tinha-se a impressão nítida de algo não-visível a olhos humanos atuando na superfície do objeto para erguê-lo. Claro que nem todos os cientistas aceitam essas provas.
Fotografias e filmes de levitação considerados aceitáveis pela maioria dos pesquisadores foram obtidos com Nina Kulagina. Ao contrário da fraude que muitos atribuem às experiências, sabe-se que ela conseguiu movimentar pequenos objetos.
Antes disso, em 1936, o pesquisador P. Y. Plunkett havia obtido a foto de uma levitação horizontal do iogue Subbhaya Pullivar a cerca de um metro do solo. Diz-se que, após a levitação, os alunos do iogue levaram-no para uma tenda e que ele demorou cerca de cinco minutos para descer ao chão. Não só isso, seus membros estavam em tal estado de rigidez que era impossível dobrá-los. Alguns céticos chegaram a afirmar que a levitação dos iogues deve-se a movimentos musculares específicos, capacidade obtida com treinamento. Mas nenhum parapsicólogo levou a sério essas especulações, uma vez que não há movimento muscular que eleve uma pessoa alguns metros no ar e a mantenha nessa posição por horas.
Não são poucos os cientistas afirmando que mente e matéria têm de ser vistas como elementos independentes, e que a mente tem a capacidade de influenciar a matéria de forma ainda não determinada. Não é uma idéia aceita na ciência em geral, mas vem ganhando adeptos graças a alguns fenômenos parapsicológicos, entre eles a levitação, para a qual ainda não se encontrou explicação. A Igreja Católica resolveu o caso simplesmente afirmando tratar-se de um milagre, no caso dos santos, ou de fraude, quando não envolve um de seus fiéis.
Pesquisas
A ciência ainda não encontrou respostas para o que ocorre durante a levitação, mas pode estar próxima disso, uma vez que vem estudando a chamada antigravidade. A experiência mais famosa dos últimos tempos foi, sem dúvida, a levitação de um sapo vivo e uma bola de água no Nijmegen High Field Magnet Laboratory. Foi a primeira vez que se conseguiu levitar organismos vivos através da criação de um campo magnético em ambiente controlado, com temperatura e condições atmosféricas normais.
Segundo os cientistas, é possível levitar magneticamente qualquer material ou criatura viva na face da Terra, graças ao magnetismo molecular que, apesar de muito fraco, está sempre presente. A impressão que se tem no dia-a-dia é que a maioria dos materiais à nossa volta não é magnética, mas não é assim: todos são. A diferença é que o campo magnético necessário para levitar esses materiais tem de ser extremamente grande.
É bem provável que o segredo para as máquinas de antigravidade estejam nessas pesquisas científicas, mas isso não ajuda a compreender como o fenômeno ocorre com os seres humanos, seja de forma espontânea ou programada, como se afirma que algumas pessoas são capazes de fazer. Ainda não foi possível verificar se durante a levitação de pessoas há algum tipo de campo magnético operando. Mas, mesmo que isso acontecesse, ainda restaria a necessidade de explicar como e porquê esse campo se formou naquele momento exato, como está sendo controlado e qual é a fonte de energia. Seria necessário um domínio excepcional para controlar até mesmo a direção que o corpo toma, como fez Daniel Douglas Home. E mais, o fenômeno é limitado, ou seja, as pessoas próximas ao levitado não são afetadas, o que implica numa restrição da área onde ele ocorre.
Essas são questões que, talvez, ainda possam ser explicadas num futuro bem próximo.
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Antigravidade?
A concepção de que podemos revogar a lei da gravidade sempre é vista com grande desconfiança pelos cientistas, e a maior parte das pesquisas envolvendo o tema são tratadas com descrença ou escondidas em meio a nomes pomposos para de não afastar os financiadores.
E mesmo quando surgem resultados estranhos no meio científico sobre resultados desconcertantes nessa área, tudo é jogado debaixo do tapete e não se ouve mais falar sobre o assunto, como se nada tivesse ocorrido.
Como exemplo podemos citar um caso interessante, que ocupou as páginas da revista Veja em 27 de novembro de 1996. A reportagem escrita pelo jornalista Eurípides Alcântara, correspondente da publicação em Nova York, intitulada de Lei Revogada, relatou os resultados de uma pesquisa sobre antigravidade levada a cabo pelo pesquisador russo Podkletnov, que produziu a diminuição de 2% do peso de uma massa colocada no centro de um disco de cerâmica rodando a 5 mil rotações por minuto. Essa redução avançava progressivamente em taxas de 2%, pois ao colocar outro disco o objeto perdeu 4% do peso.
Mas os fatos estranhos não param por aí. Logo depois da experiência ter sido aceita pelo Journal of Physics, um dos mais conceituados do mundo científico, o próprio pesquisador se negou a publicar o trabalho, e toda as pessoas envolvidas no projeto, incluisive a Universidade Tecnológica de Tampere, simplesmente afirmaram não saber nada sobre o assunto.
O mistério continua...será que Podkletnov realmente descobriu a antigravidade?
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