Lemúria - Um Momento da Nossa História
2009-05-06 15:38Numa época distante, o continente de Mu ocupava grande parte do Oceano Pacífico e, de acordo com inúmeros estudos, pode ter sido o lugar a partir d e onde a humanidade colonizou a Terra.
Ubiratan Schulz
É comum ver que ainda hoje a maioria dos estudiosos e historiadores considera a civilização humana como jovem. Mas quando estudamos os mistérios da História, nos defrontamos com inúmeras tradições convergentes que indicam a existência de antigas civilizações num passado longínquo, destruídas por cataclismos, conflitos ou outras causas.
Quando começamos a reunir essas tradições, mitos, lendas, símbolos, escritos e teorias, começamos a notar que em algum momento da existência de nosso planeta existiu um grande continente no meio do Oceano Pacífico, onde hoje só encontramos ilhas. Esse continente perdurou até a Era Terciária e, se entendermos que as lendas podem ter sua dose de verdade, seus habitantes eram bem mais desenvolvidos tecnologicamente do que podemos imaginar.
Os historiadores sabem que o descobrimento do Novo Mundo não foi um grande feito de Colombo, pois milênios antes os hiperbóreos, os celtas, os vikings, os normandos, os gôdos e até seres de outros planetas estiveram por aqui. Os famosos deuses brancos, afinal, vieram de onde? Essa raça de gigantes brancos e de cabelos negros teve sua história preservada nas tradições do mundo inteiro, revelando uma fonte comum a todas elas.
O grande continente de que falamos era conhecido antigamente como u (nome hierático), ou Terras do Oeste, Hiva, Mukúlia, Império do Sol, Rutas – terras que, apesar de terem sofrido uma violenta transformação geológica, ainda permanece na memória da humanidade.
Construindo um Nome
Hoje alguns geólogos já aceitam que tenha existido uma ponte da Índia para a África, da Nova Zelândia para a Austrália, e até mesmo a existência de um continente no Pacífico, o que explicaria a ocorrência do Dilúvio universal e o grande sonho do Paraíso bíblico de Adão e Eva. Essa linha de pensamento afirma que civilizações superiores foram engolidas pela água, e não pelo fogo. Certas pistas não deixam dúvidas sobre a existência do Jardim do Éden, o Jardim das Hespérides, os Campos Elíseos, os Jardins de Alcione, o Mesomphalos, o Monte Olimpo, Asgard e outras tradições de antigas culturas que representam a memória universal de uma grande terra, na qual os homens desfrutavam dias de paz e felicidade. Nessas terras, o homem surgiu, não como obra da natureza, mas como criação especial do Ser Infinito, aparecendo como uma criatura completamente desenvolvida – evidentemente após alguns erros ou desacertos –, só lhe faltando educação física, mental e espiritual.
Os nomes Mu e Lemúria geralmente são usados para indicar o mesmo continente, mas a palavra Lemúria não é tão antiga quanto se pode imaginar. Ela surgiu no ano de 1887, época em que a chamada revolução darwinista revolucionava as ciências, inclusive a geologia, que se ocupava em explicar os períodos de desenvolvimento do planeta. Entre 1860 e 1870, o conhecido geólogo inglês William T. Blanford notou semelhanças entre rochas e fósseis da Índia e do sul da África. Com a ajuda de colegas ele formulou a teoria de que um dia os dois continentes haviam sido ligados por uma ponte de terra, que compreendia Madagascar, as ilhas Seicheles, as Maldivas e as Lacadivas. Essas ilhas constituem, na realidade, o topo de uma vasta cadeia submarina de montanhas que se estende da Índia até o sul da África. Em 1887 surgiu o primeiro mapa que mostrava um continente brasileiro-etíope, com um prolongamento que chamavam de península indo-madagascarense.
Ernst Heinrich Haekel, biólogo alemão e defensor fervoroso de Darwin, usou o mapa para explicar a distribuição dos lêmures por vários territórios. Esses animais são abundantes em Madagascar, nas ilhas Comoro, África, Índia e em partes da península Malaia. Ernst disse que a ponte existiu até a era dos mamíferos, ou Era Cenozóica. Mais tarde, seu colega inglês Philip L. Scalter batizou a ponte territorial de Lemúria, exatamente devido à presença dos animais, e o nome vingou, levando muitos a pensar que a Lemúria seria a remanescente de um continente ainda maior e muito mais antigo chamado Gondwanalândia, que cobriria a maior parte do hemisfério sul e parte do Oceano Pacífico.
Jardim do Éden
Diz-se que esse continente teria cerca de 10 mil quilômetros no sentido leste-oeste, e 5 mil no sentido norte-sul, com população em torno de 60 milhões de pessoas na época de seu desaparecimento. O homem teria surgido ali, no chamado Jardim do Éden, há cerca de 200 mil anos. Essa idéia é defendida por alguns pesquisadores, como James Churchward, autor do famoso O Continente Perdido de Mu (Hemus Editora), e de The Children of Mu, The Sacred Symbols of Mu, The Cosmic Forces of Mu e The Second Book of the Cosmic Forces of Mu, este último publicado em 1935.
Churchward, considerado o mais persistente pesquisador sobre Mu, narra a história que ele descobriu ao viajar pela Índia no final do século XIX, supervisionando uma campanha de combate à fome, quando travou amizade com um sacerdote ou monge, que lhe teria mostrado tabuletas secretas em um mosteiro, escritas no idioma naacal. O pesquisador aprendeu a ler essa antiga língua e, apesar das imprecisões, acrescentou muita coisa interessante à nossa História quando descreveu o tal Paraíso, com suas planícies fartamente irrigadas e cheias de vales, cobertas por luxuriante vegetação – local perfeito para a vida harmoniosa de um povo rico e altamente desenvolvido. Eles comerciavam pelos sete mares e suas colônias se espalhavam por todo o planeta, até o continente ser destruído por vulcões, terremotos e maremotos.
Madame Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, escreveu o livro A Doutrina Secreta (1988), baseado em uma obra mais antiga chamada O Livro de Dzyan, dado a ela pela Irmandade dos Mahatmas – mestres descendentes dos naacals originais enviados de Mu às colônias para ensinar as escrituras sagradas e as ciências (ver Sexto Sentido 25, Badari Vana). Blavatsky fornece uma descrição detalhada das pessoas que viviam nesse local. Segundo ela, algumas tinham quatro braços, outras um olho na parte de trás da cabeça, que lhes conferia visão de 360 graus, sendo que a nossa atual glândula pineal seria um vestígio desse olho.
Esse povo também podia caminhar para trás, sobre calcanhares pontudos que desenvolveram exatamente devido ao solo pantanoso da época. A própria Bíblia nos dá indicações de que os povos pré-diluvianos eram verdadeiros gigantes, e Golias talvez fosse um sobrevivente dessa antiga geração. Temos também os titãs, a tribo dos gigantes Alegewi, os gigantes das neves e das montanhas das lendas nórdicas, os lendários gigantes da China, descritos como duas vezes mais altos do que nós, e podemos supor que as histórias sobre outros seres fantásticos sejam versões de antigas realidades ou memórias perdidas nas profundezas do tempo.
A Dispersão
Após a morte de Blavatsky, seu discípulo mais fervoroso, W. Scott-Elliot, descreveu como o continente tomou forma quando o Hiperbórea se fracionou. Ele também nos conta que seres de Vênus vieram nos dar assistência, chamados de senhores da chama, pois já tinham um alto grau de desenvolvimento em seu planeta natal e assumiram a responsabilidade de ensinar e caminhar junto conosco no desenvolvimento do planeta.
Essa população era dividida em 10 tribos com um rei chamado Ra Mu, que governava uma raça branca dominante, de olhos e cabelos pretos. Depois vinham as pessoas de pele amarela, morena e negra, que existiam em menor número. Falavam a mesma língua, mas escreviam de modo distinto, com símbolos diferentes, o que explicaria a similaridade entre os idiomas bretão, basco, galês, nepalês e cita.
Mu tinha sete cidades principais, divididas em três regiões – pelo menos até que o primeiro cataclismo assolasse o continente, com inúmeros vulcões entrando em erupção, e o acúmulo de lava ao longo dos anos transformando as planícies em pequenas colinas e montes. Vendo o que ocorria, os mestres que ajudavam no desenvolvimento dos humanos arregimentaram membros de todos os grupos e tribos, levando-os a emigrar antes que ocorresse outro cataclismo. Fatalmente foi o que aconteceu, com os depósitos de gases subterrâneos fazendo com que o continente inteiro desaparecesse nas profundezas do Pacífico. Graças à emigração, muitos conseguiram sobreviver e os mestres passaram então a viver no alto do Himalaia.
Uma contribuição à possível história de Mu foi fornecida pelo rosacruz norte-americano Wishar Cervé, em seu livro Lemúria – O Continente Perdido do Pacífico (1931), no qual fala de um povo despojado de bens e preocupado em atingir o desenvolvimento espiritual. Ele diz que descobriu essas histórias em antigos manuscritos que chegaram às suas mãos na loja rosacruz em São Francisco, EUA. As primeiras erupções vulcânicas e terremotos, explica Cervé, submergiram a região oeste da Lemúria, fazendo os sobreviventes se deslocarem para leste. Depois, essa parte se separou e formou a ilha de Java, Sumatra, a Austrália e a Nova Zelândia, além de algumas regiões da Califórnia. Ele chegou a afirmar que existiam sobreviventes da mais pura linhagem vivendo dentro de um vulcão adormecido no monte Shasta, EUA. Todas as tentativas de contato falharam porque os habitantes dessa aldeia oculta usariam seu sexto sentido para se tornar invisíveis.
Os sobrevivente que mais se destacaram foram os fundadores de uma colônia num grupo de ilhas conhecendo como Atlântida. Também se destacaram os habitantes de Hiva (ilha da Páscoa), os pueblos, os japoneses, os ainos, os jomon, os bascos e os maoris da Nova Zelândia. Outros, os mais espiritualizados, que se estabeleceram em um planalto desabitado da Ásia Central, foram os anciões de Mu – os rishis, adeptos, sábios videntes ou homens santos. Ali eles fundaram a Décima Terceira Escola, quando passaram a ser conhecidos como A Grande Fraternidade Branca. Mas isso é uma outra história que fica para uma outra vez.
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Os Colonizadores da Terra
Segundo aqueles que estudam o continente de Mu, existem vários sinais daquela civilização espalhados pelo planeta. Entre estes estariam as ruínas de Chatal Huyuk, uma cultura encontrada por James Melaart nos planaltos da Anatólia, a cerca de 300km de Ancara, Turquia. No local existem 12 cidades sobrepostas, sendo que a mais antiga foi datada em 7 mil a.C.. Os especialistas dizem que na história e arqueologia da região não existem explicações para o nível de desenvolvimento encontrado no local, assim como não se tem idéia da origem do povo que a habitou ou de como teria desaparecido. Uma das hipóteses é que eles seriam descendentes de Mu.
Referências à Turquia também surgem nas histórias sobre o Império Uighur, que seria uma espécie de ponte colonial de Mu, estendendo-se do Pacífico até a região onde hoje se encontra Moscou, com sua capital no deserto de Gobi. Ele também teria sido destruído por um cataclismo, de natureza magnética, mas os sobreviventes teriam se dirigido à Europa e dado início à civilização local. Já na visão ortodoxa da história, os uigures são conhecidos como povos de língua turca que se uniram aos mongóis na formação do império de Gengis Khan.
Possíveis sinais sobre a existência de um grande continente surgem, segundo os pesquisadores, em vários pontos do Pacífico, tanto em lendas quanto em ruínas espalhadas pelas ilhas. No Taiti, por exemplo, uma lenda refere-se à existência do continente chamado Fenua Nui, onde a raça humana teria nascido. Esse continente desapareceu quando o Ru, o deus do vento, liquidou o local criando uma série de ilhas, entre elas a da Páscoa, com suas estátuas gigantescas. Hoje em dia, a ciência busca ligar a Ilha da Páscoa às civilizações andinas, inclusive estabelecendo a possibilidade de que navegantes tenha atingido o lugar utilizando-se de barcos de junco, como os que são encontrados no lago Titicaca.
Já a Ordem do Graal refere-se a esse suposto continente como Marae, e a Nova Zelândia também seria um resquício dele – um dos locais onde a humanidade se desenvolveu. Essa é uma tradição mais recente do que os mitos locais, mas de qualquer forma sabe-se que na região, especialmente na Polinésia e Melanésia, marae é o nome pelo qual são conhecidos os santuários de pedra existentes em praticamente todas as ilhas. Esses locais não tiveram sua idade bem definida e geralmente são retangulares, formados por grandes monólitos e, antes que o cristianismo chegasse às ilhas e transformasse a cultura local, eram tidos como lugar de encontro com realidades de outros mundos.
Entre as ruínas mais conhecidas do Pacífico estão as de Nan Madol, nas Ilhas Carolinas. Foram encontradas em 1595 por navegadores portugueses e apresentam um problema clássico nesse tipo de construção: as pedras foram trazidas da ilha de Ponape sem que se saiba como. As ruínas indicam a existência de uma cidade no local, mas não foi possível definir sua finalidade, uma vez que não se trata de um lugar de defesa e tampouco apresenta qualquer elemento decorativo ou de arte. Ela se estende além dos limites da pequena ilha, penetrando no mar, e alguns mergulhadores afirmaram ter encontrado riquezas ali, como metais preciosos, pérolas, prata em barras e platina dentro de esquifes. Outros disseram ainda ter encontrado construções como estradas de pedra e prédios com abóbadas e colunas. As lendas da região referem-se a um dragão que, com a ajuda de um mago, fez com que os blocos de basalto formando as construções voassem de uma ilha para outra.
Também na Nova Caledônia, ilha situada a leste da Austrália, foram encontrados cilindros de 1 a 1,75m de diâmetro e 1 a 2,50m de altura. Segundo informações, testes de carbono 14 apontaram idades entre 5 e 10 mil a.C. – cerca de 3 mil anos antes da chegada dos primeiros humanos na região, de acordo com a história oficial.
Lendas sobre um grande continente no Pacífico também existem entre os índios hopi, da América do Norte. Segundo sua mitologia, eles se originaram no continente chamado Kasskara, no Oceano Pacífico, que submergiu. De lá, eles foram levados para a América em ‘escudos voadores’ e em ‘pássaros gigantes’ pelos kachina, sábios poderosos de um planeta chamado Toonaotekha.
Não é à toa que tantos pesquisadores entendem que ainda há muito o que ser averiguado quanto à possível existência de Mu.
(Gilberto Schoereder)
Para Saber Mais:
O Continente Perdido de Mu - James Churchward (Hemus Editora)
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