Labirintos - Os Caminhos da Alma
2009-04-17 18:59Alex Alprim
Percorrer um labirinto — uma atividade milenar — hoje em dia vem se tornando prática comum em várias partes do mundo. O objetivo: encontrar-se a si mesmo.
Os labirintos sem dúvida figuram entre os símbolos mais antigos da humanidade, e há milhares de anos são utilizados em diferentes culturas do planeta. Na verdade, um dos mais antigos, ou o mais antigo labirinto conhecido data de 3.400 anos a.C., tendo sido encontrado no túmulo do rei egípcio Perabsen. Mas, o que são eles exatamente?
Hoje em dia, alguns autores norte-americanos fazem uma distinção entre dois tipos de labirinto, facilitada pelo próprio idioma. O inglês tem dois termos para o nosso labirinto: labyrinth e maze, sendo que o segundo também significa dúvida, perplexidade, confusão. Desta maneira, maze passou a ser o tipo de labirinto com múltiplos caminhos possíveis, alguns dos quais levado a passagens sem saída ou a saídas inesperadas, desviando a pessoa do objetivo que é chegar ao centro. Por outro lado, o labyrinth apresenta apenas um caminho para o centro e seu objetivo não é criar dúvidas, confusão ou um enigma a ser resolvido. É exatamente esse tipo de labirinto que vem sendo estudado e redescoberto nos últimos anos, utilizado como forma de favorecer um desenvolvimento espiritual. Geralmente traçado no chão, ele têm se espalhado por todo o planeta, tornando-se comum inclusive no Brasil.
Para alguns estudiosos, o labirinto é um símbolo universal, talvez gravado na memória coletiva do ser humano, atingindo a todos, independente da raça e cultura. Tem sido utilizado em rituais de fertilidade e ritos fúnebres, ou como modelo decorativo para jardins e jogos populares. Também é conhecida sua função como espécie de talismã ou amuleto. Diz-se que na Escandinávia os pescadores costumavam percorrer labirintos acreditando que, com isso, poderiam controlar ou obter condições climáticas favoráveis. Em outras regiões do planeta eles foram usados para proteger habitações e pessoas da influência de espíritos malignos. Segundo alguns estudiosos do tema, porém, tais empregos do labirinto não passam de deturpações do sentido original.
Caminho Interior
Talvez o labirinto mais conhecido no mundo seja aquele construído por Dédalo em Cnossos (em português, Dédalo é sinônimo de labirinto), a mando do rei Minos de Creta para conter o Minotauro — um monstro com cabeça de touro e corpo de homem, fruto do amor da rainha pelo touro sagrado —, ao qual eram sacrificados anualmente sete rapazes e sete moças, e que foi morto por Teseu.
Sabe-se que a cultura cretense realmente existiu entre os anos 2000 e 1400 a.C. e, possivelmente, também o rei Minos, o que atesta a antigüidade do labirinto entre as culturas mediterrâneas. Estas, se não o inventaram — como fica comprovado pela existência do labirinto do rei Perabsen, muito mais antigo —, certamente aprimoraram-no até artisticamente.
É possível que a elaboração de labirintos se tornou comum na Europa devido à sua adoção pelos cristãos, que teriam alterado seu significado para representar o caminho da salvação. Segundo algumas fontes, o primeiro labirinto de natureza cristã conhecido data do século IV d.C. e foi encontrado em uma igreja na Argélia. Outras fontes dizem que os Cavaleiros Templários podem ter levado o conhecimento dos labirintos para a Europa após as cruzadas. Por outro lado, sabe-se que as cruzadas somente tiveram início no século IX (em 1096), o que significa que esse conhecimento já poderia ter sido introduzido na Europa dois séculos antes, quando a expansão do Islã atingiu o Velho Mundo, com a criação do califado omíada da Espanha.
Do ponto de vista esotérico, a antigüidade dos labirintos poderia ser comprovada pelas próprias pirâmides do Egito, cujo interior constitui uma espécie de labirinto. Enquanto alguns historiadores deduziram que a confusão de caminhos dentro das grandes pirâmides tinha como função impedir a entrada de ladrões de sepulturas, outros afirmaram que o significado era religioso, para impedir que a alma retornasse do mundo dos mortos.
Segundo o ponto de vista esotérico, a diferença entre maze e labyrinth não tem sentido e pode ser considerada uma invenção moderna. O objetivo do labirinto seria isolar a pessoa de seu meio-ambiente conhecido e colocá-la diante de desafios para os quais ela não teria qualquer auxílio externo. Nessa situação, a pessoa é obrigada a voltar-se para si mesma, procurar em seu interior as respostas para solucionar o problema que lhe é apresentado, isolando-se do mundo material. Assim sendo, não há qualquer diferença entre um labirinto em que existam falsas saídas e caminhos que dão em nada, e outro cujo caminho conduza direta e serenamente até seu centro. Em alguns casos, no centro do labirinto podem ser colocados objetos que reflitam a busca da pessoa. Esses objetos variam de acordo com a cultura ou religião. O labirinto dos cristãos da Idade Média, por exemplo, podiam ser desenhados com a imagem de Deus ou Jesus Cristo no centro, indicando que todos os caminhos e buscas levam a Deus. Labirintos de outra natureza poderiam conter um espelho, representando a busca pela própria identidade ou alma.
Visões
A sensação que as pessoas podem ter ao caminhar por um labirinto é variada: umas dizem que se sentem mais calmas, alegres, mais vivas ou energizadas. Da mesma forma, existem relatos de pessoas que se sentiram unidas com o divino ou tiveram experiências de ampliação de consciência; algumas relataram encontros com anjos, seres elementais, fadas ou seres ancestrais.
Alguns estudiosos entendem que esse tipo de relato não causa estranheza, uma vez que a experiência do labirinto pode originar estados alterados de consciência, motivados por uma pré-disposição da pessoa em participar de experiências profundas. Se ela entra em contato com o inconsciente coletivo e recebe uma série de informações, estas sem dúvida serão interpretadas de acordo com sua cultura e ambiente em que vive.
Existem autores que se referem a labirintos com sete circuitos — como os usados por vários cultos pagãos e pelos índios hopi dos EUA — e com onze circuitos, como o existente na Catedral de Chartres, entendendo que os dois têm funções diferentes. Por exemplo, falou-se que labirintos com sete circuitos estariam relacionados aos sete chakras principais, as sete notas da escala musical, as sete cores do espectro visível e os sete corpos originais de nosso sistema solar. No entanto, essa postura é vista por outros estudiosos como extremamente forçada, já que para qualquer número de circuitos podem ser encontradas explicações correspondentes.
Costuma-se dizer que o ato de percorrer um labirinto favorece a atividade do lado direito do cérebro, pois o cérebro esquerdo não tem muita utilidade num espaço onde o pensamento racional é insuficiente para solucionar o problema que se apresenta. Assim, é possível que a atividade mais intensa do lado esquerdo, ligada à criatividade, à percepção mais intuitiva, favoreça inclusive o tipo de pensamentos e visões que algumas pessoas declaram ter ao caminhar num labirinto.
A verdade é que não se pode levar ao extremo tudo o que se fala sobre os labirintos. Em certo sentido, eles realmente são portais para um estado de consciência superior, receptivo a idéias novas e criativas — uma forma de desenvolver ou entrar em contato com forças interiores latentes. Os labirintos podem, sim, alterar a vida de uma pessoa, mas tudo vai depender da forma como ela encarar a experiência.
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Como fazer seu próprio labirinto
Um labirinto na verdade é relativamente simples. Ele pode ser permanente ou temporário, pois o que importa é a forma como será utilizado. Para construí-lo basta um espaço livre, onde se possa caminhar normalmente. Use pedrinhas comuns ou até mesmo giz.Ao fazer seu labirinto você estará entrando em contato com conhecimentos ancestrais e deve agir com respeito. Transforme esse instante em um exercício de meditação e interiorização.
O labirinto que ensinaremos a construir é derivado de um esquema conhecido como Padrão dos Nove Pontos. Seu desenho é semelhante a vários outros encontrados nas culturas nórdicas (o número 9 era sagrado para os nórdicos). Embora simples, esse labirinto também é usado como talismã de proteção e está ligado à força interior de cada pessoa.
O primeiro passo é definir aonde você irá colocá-lo. Marque o centro do local com um ponto. Comece a desenhá-lo como indicado na ilustração. A partir do centro, marque oito pontos eqüidistantes (figura 1). Trace duas retas em cruz, que se encontram no meio. Depois siga os passos conforme as ilustrações.
Para Saber Mais:
Jogos dos Deuses - Nigel Pennick (Ed. Mercuryo)
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