Em Busca da Harmonia
2009-04-29 16:11Gilberto Schoereder
Levando mensagens de paz, harmonia e saúde a todos os povos e crenças do planeta, a Igreja Messiânica Mundial vem se destacando entre os movimentos espirituais ligados à Nova Era, atuando nas áreas cultural, artística, científica e religiosa.
Ao contrário do que muitos podem imaginar, a noção de que estamos entrando em uma Nova Era não é algo recente. Na verdade, as atividades mais marcantes para a instituição e consolidação desse apregoado período de harmonia entre os homens vêm se desenvolvendo há mais de 65 anos dentro da Igreja Messiânica Mundial.
O idealizador desse movimento, Mokiti Okada (1882–1995), começou a dedicar-se ao estudo do que chamou de Espírito Divino em 1924, no Japão, tendo se conscientizado do trabalho que deveria desenvolver através de uma revelação divina em 1926. Isso acelerou o processo que o levaria a fundar a primeira Igreja Messiânica Mundial, em 1935, então com o nome de Daí Nipon Kannon Kai. Pouco antes disso, um dia especial na vida de Okada lhe forneceu os rumos que a Igreja deveria seguir nos anos seguintes. Em 15 de junho de 1931, ele teve uma revelação sobre a passagem da Era da Noite para a Era do Dia, recebendo de Deus a missão de construir o Paraíso Terrestre — um mundo sem doenças, pobreza e conflitos.
Sem dúvida, essa não é uma tarefa qualquer, e os obstáculos impostos por uma sociedade mundial cada vez mais materialista já nos são demasiadamente conhecidos. Contudo, o visionário Mokti Okada, também chamado de Meishu-Sama, não esmoreceu, ciente que, por mais longa e difícil que seja uma jornada, ela sempre deve começar com um primeiro passo. Desta maneira, a Igreja foi fundada e até hoje se mantém com um caráter ecumênico, sem qualquer distinção de raça, credo, sexo, profissão, nacionalidade ou posição social.
A filosofia básica messiânica entende que "ao longo de três mil anos, a humanidade vem se afastando cada vez mais da Lei da Natureza, que é a Lei do Universo, a Vontade de Deus, a Verdade". Esse afastamento resultou numa situação quase incontrolável de egoísmo e ambição sem limites, que desequilibram o planeta. Tendo isso em mente, a Igreja se propõe a despertar a humanidade e esclarecer, de modo objetivo, que a desarmonia pode levar à destruição total do ser humano e do ambiente em que ele vive.
Três Pilares
Para a construção desse novo mundo, com uma nova e harmoniosa civilização, Mokiti Okada propôs três práticas básicas: o Johrei, a Agricultura Natural e o Belo. O Johrei (de joh, que significa purificar, e rei, espírito) muitas vezes é confundido com o reiki e o seiki — práticas que também funcionam com a chamada ‘imposição das mãos', mas que os messiânicos vêem de maneira diferente. O reiki e o seiki trabalham com energias de ordem magnética que, segundo alguns estudiosos afirmam, existem no próprio corpo humano. O Johrei, por sua vez, é entendido como uma energia cósmica, divina, que pode ser transmitida por qualquer pessoa adequadamente preparada.
Com a energia do Johrei agindo diretamente no espírito humano, os messiânicos dizem que todos os males causadores de sofrimento podem ser eliminados. A purificação ocorre de forma gradativa no corpo material, recuperando a saúde e agindo na melhoria da qualidade dos relacionamentos e equilíbrio humanos. Isso vale tanto para quem recebe quanto para quem aplica. Segundo incontáveis depoimentos, milagres como o que ocorreu com a mãe de Tetsuo Watanabe, atual presidente mundial da Igreja (veja entrevista), ocorrem freqüentemente com a aplicação do Johrei — milagres que vão desde a cura de doenças tidas como esperança até mudanças de comportamento e melhoria de condições financeiras.
O Belo
O conceito de Belo estabelecido por Mokiti Okada está ligado ao Bem e à Verdade, não à forma em si. Desta maneira, é necessário que um artista tenha plena consciência do trabalho que está realizando e que, por meio da obra, tem a capacidade de influenciar positiva ou negativamente a sociedade. A arte, portanto, está no centro das preocupações da Igreja Messiânica pela responsabilidade que carrega. A elevação do nível da arte praticada tem influência direta nos sentimentos e comportamento da sociedade — uma preocupação compartilhada por muitos arquitetos não ligados ao movimento, que vêem a degradação do ambiente urbano como fonte dos mais variados problemas e uma das grandes responsáveis pela queda acentuada na qualidade de vida do ser humano.
Okada via a prática dessa arte de alto nível como fator essencial para transformar as ações do homem, o que acaba resultando em uma transformação da vida no planeta. Para levar adiante essa idéia foi estabelecida em 1971 a Fundação Mokiti Okada, considerada o braço cultural, artístico, científico, educacional e filantrópico do movimento messiânico, promovendo cursos, pesquisas, projetos e publicações. Fazem parte da Organização um centro médico, um centro de pesquisas, um centro de editoração responsável pela publicação de cerca de 100 títulos, e a Academia de Ikebana Sanguetsu, além de vários centros culturais e bolsas de estudo.
A terceira prática básica proposta por Okada é a agricultura natural (ver matéria na revista Sexto Sentido n°10), também seguindo a idéia de uma harmonia perfeita com a natureza. Isso implica na não-utilização de agrotóxicos ou quaisquer tipos de produtos químicos que prejudicam a saúde e agridem o solo. Segundo o idealizador do movimento, existindo uma relação de profundo respeito ao espírito do solo e do alimento haverá uma reciprocidade, de modo que o alimento produzido de forma natural terá sua função energética potencializada, nutrindo a matéria e o espírito de forma muito mais eficaz.
Um dos projetos messiânicos que mais tem merecido atenção nos últimos anos é o da Cidade da Nova Era, cujo primeiro modelo deve ser construído dentro de oito anos em algum local do Brasil. Depois de implantada, a idéia será levada a outros estados brasileiros.
A cidade pretende ser o modelo de uma nova civilização, pacífica e fraterna, combinando as características mais positivas da espiritualidade e da tecnologia. Para a Igreja Messiânica, o termo Nova Era representa o renascimento do ser humano, tanto de sua cultura espiritual quanto material. A finalidade desse novo tipo de cidade, portanto, é estabelecer novos conceitos de vida, ressaltando as necessidades reais da pessoa e reunindo gente de todos os segmentos sociais, independente de seus credos religiosos. A exigência é apenas o comprometimento e respeito às leis da natureza.
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Solo Sagrado
Em 1985, a 3ª Líder Espiritual da Igreja, Kyoshu-Sama, veio ao Brasil e confiou aos brasileiros a missão de construir o Solo Sagrado — obra que foi inciada em 1991 e levada a cabo sob a liderança de Tetsuo Watanabe.
O Solo Sagrado do Brasil foi inaugurado em 1995, às margens da represa de Guarapiranga, São Paulo, e é o maior parque religioso e ecológico da América Latina. Está de acordo com a prática básica proposta por Mokiti Okada, funcionando como um local de meditação e admiração do belo.
A obra, que ocupa 327 mil metros quadrados, é o primeiro protótipo do paraíso no Ocidente. O projeto foi desenvolvido por Tsutomu Kasai, premiado como o melhor paisagista do Japão em 1993, e por um grupo de brasileiros aos quais a técnica do artista foi transmitida. O resultado que se vê é uma obra deslumbrante, que combina o melhor da natureza com a arte e capacidade de realização humana.
Um dos principais locais do parque é o templo principal, com capacidade para 10 mil pessoas, construído em forma de anel, com 16 pilares de 18 metros de altura representando os pontos cardeais. No altar há três santuários: o Santuário do Supremo Deus, que simboliza a ligação entre Deus e o homem; o Santuário do Fundador Meishu-Sama, e o Santuário dos Antepassados, cultuados diariamente.
O lugar é repleto de cachoeiras, quedas d’água, pontes e caminhos, com jardins no estilo de Ogata Korin, um pintor japonês que muito influenciou a arte européia e os pintores impressionistas.
O Solo Sagrado também tem um centro cultural, alojamento para 300 pessoas, postos de saúde e praças de alimentação, recebendo cerca de 50 mil pessoas por mês. E, seguindo o caráter ecumênico da Igreja, está aberto a todos que desejam visitá-lo. (Estrada do Jaceguai, 6567, Parelheiros - São Paulo - SP. Fone: (11)5087-5084)
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Projetos da Fundação
Entre as atividades do chamado braço cultural, artístico, científico, educacional e filantrópico do Movimento Messiânico, um dos destaques é a Academia de Ikebana Sanguetsu — uma prática já arraigada na cultura paulistana mas que talvez seja menos conhecida no restante do país. Ikebana é uma arte japonesa (ike, dar vida; bana, flor. Dar vida à flor) nascida no século VI como uma forma de desenvolver a espiritualidade dos praticantes. Observando a natureza, a prática procura estabelecer uma ligação entre o homem e Deus, dando forma a arranjos florais que procuram sensibilizar as pessoas para a observação do belo na natureza, levando sentimentos de paz e harmonia à sociedade.
Ligada a esta idéia está a campanha Uma Flor para um Mundo Melhor — evento que neste ano 2000 chega à sua quinta edição, na chegada da primavera. Até agora já foram distribuídos 30 milhões de miniarranjos florais, tantos para residências e locais públicos quanto empresas, escolas, hospitais e presídios, com resultados excelentes. Apesar de ser um gesto simples, segundo os membros do movimento os arranjos conseguem sensibilizar as pessoas para outros aspectos da vida e modificar ambientes, tornando a convivência mais saudável e agradável. A Academia de Ikebana Sanguetsu também realiza o Projeto Vivência com a Arte da Flor, que são aulas de sensibilização para despertar no praticante o sentimento de alegrar o próximo.
Já no Instituto de Pesquisa Mokiti Okada são desenvolvidas vários estudos científicos para um melhor aproveitamento do solo, depuração de sementes, produção animal com pesquisas de genes puros e tratamento de efluentes, a água usada no processo de abate de frangos, para melhor reaproveitamento posterior. O Instituto realiza também estudos sobre impactos ambientais em várias regiões.
Para realizar esse trabalho, conta com uma série de técnicos e cientistas que trabalham em conjunto com pesquisadores de outras instituições, procurando e encontrando soluções para questões como o controle alternativo de pragas e doenças, preservação e recuperação de mananciais hídricos, métodos de plantio inovadores e desenvolvimento de tecnologia para transformar lixo orgânico em adubo fermentado.
A Fundação também assinou acordo com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, participando do projeto Adote uma Escola, apoiando as atividades psicopedagógicas, artístico-culturais e filosóficas na escola adotada, no caso a EMPG Armando Arruda Pereira, com 2.273 alunos.
Missão de Vida
Em entrevista exclusiva à Sexto Sentido, o Reverendo Watanabe, presidente mundial da Igreja Messiânica, falou sobre o difícil início da Igreja no Brasil e seus planos para o futuro.
O senhor veio para o Brasil com o objetivo de divulgar a Igreja Messiânica. Quando e como isso foi feito?
Lá pelos idos do final da década de 50, eu vivia aquela fase que qualquer jovem vive, de indefinição quanto ao próprio futuro. Eu estava infeliz e insatisfeito comigo mesmo.
Cresci acompanhando o trabalho missionário de meu pai, fervoroso seguidor do Mestre Meishu-Sama, fundador do Movimento Messiânico. Presenciei centenas e centenas de milagres, inclusive um com a minha mãe, que ressuscitou algumas horas depois de ter falecido no parto, apenas com algumas palavras ditas por Meishu-Sama.
Fui testemunha ocular de graças e mais graças que os membros recebiam com os conselhos que meu pai, já um missionário convicto, transmitia, baseado nos ensinamentos e orientações do Mestre. Mas não me satisfazia prosseguir o trabalho desenvolvido por meu pai, usufruindo seus louros e méritos apenas. Eu queria fazer algo por mim mesmo.
Um dia, pedi permissão a meu pai para me ausentar de casa e meditar sobre minha vida. Disse-lhe que iria para um templo zen budista da cidade, onde ficaria fazendo meditação durante 10 dias. Meu pai não me impediu. Disse apenas para que eu cumprisse integralmente aquilo a que estava me propondo.
Fui até o templo mas, para minha surpresa, soube que ele estava fechado. Sem alternativa e para não descumprir o que havia prometido, resolvi escalar uma montanha ao lado do templo, para lá meditar. Confesso que não consegui meditar quase nada. A fome, o frio e os mosquitos me impediram. Porém, uma coisa me veio à mente. Pensei: “Olhando a natureza, ela está sempre calada. Não reclama de nada. Só o homem é que vive reclamando das coisas da vida. E afinal, de que adianta? Ninguém consegue viver como quer! Já sei! A partir de hoje, vou criar, em mim, uma segunda pessoa para olhar para mim mesmo. Vou me tornar um barquinho de papel e deixar que esse barquinho navegue pela correnteza da vida. Para onde a correnteza me levar, eu irei”.
Voltei para casa depois de alguns dias, sujo e faminto. Achei que ia levar uma severa repreensão de meu pai, mas ele foi muito hábil e sábio para comigo. Não me disse nada. Apenas aconselhou-me a tomar um banho e, em seguida, me chamou para uma conversa. Depois desse diálogo, comecei a participar mais ativamente como líder de jovens na igreja e acabei ingressando no seminário, que cursei por cerca de dois anos.
Numa outra ocasião, mais tarde, meu pai me chamou para conversar sobre outro assunto. Dessa vez ele me contou que fora procurado por missionários que estavam iniciando a difusão do movimento no Brasil e estavam precisando da ajuda de novos missionários. De supetão, ouvi a pergunta: “Você não quer ir para o Brasil?” Pergunta inusitada aquela. Eu nada sabia do país, a não ser um pouco do que ouvira sobre a Amazônia, sobre os índios e sobre o café.
Perguntei se meu pai me daria tempo para pensar, e ele disse, "Sim! Você tem um minuto.". Nesse instante, como um flash, surgiu em minha mente o que eu tinha refletido na montanha dias antes. Lembrei-me do barquinho de papel e pensei, “É parece que Deus está conduzindo meu barquinho para o Brasil...”. Incontinente, respondi, “Eu vou !”. Foi a decisão mais acertada de minha vida.
Alguns meses mais tarde, rumei para o Brasil junto com outros sete jovens. Foram 62 dias de viagem de navio. Aportamos primeiro no Rio de Janeiro e eu me encantei de imediato com a cidade. Acho que foi amor à primeira vista. Pensei, “Um dia eu volto para difundir os Ensinamentos de Meishu-Sama nesta cidade maravilhosa”. Nosso destino final, porém, era Santos. De Santos, fomos para São Paulo, onde fiquei na antiga Igreja Butantã — na época, uma das bases da pequena e pioneira difusão no Brasil. Lá, eu ministrava Johrei a dezenas e dezenas de pessoas por dia. Das oito da manhã até tarde da noite. Os membros eram poucos e a procura pelo Johrei muito grande em função das graças e milagres que as pessoas recebiam.
Nos dois primeiro anos só fiz isso: Johrei, Johrei e Johrei. Mesmo assim, ainda sem dominar o idioma, presenciei centenas e centenas de milagres. Conduzi perto de 700 pessoas, ganhei autoconfiança e achei que já estava pronto para enfrentar meu desafio: ir sozinho para o Rio de Janeiro.
Ledo engano. Cheguei ao Rio em julho de 1964, os milagres começaram a escassear. Batia de porta em porta oferecendo Johrei e era recusado com freqüência. Fui ridicularizado e discriminado. Naquela época, os filmes americanos divulgavam a imagem do japonês como um povo covarde e traidor. Passei por inúmeras dificuldades: desconfiança, falta de dinheiro até para comer e dormir. Cheguei mesmo a dormir em bancos de praças e a me alimentar com um único sanduíche por dia. Foram oito meses muito duros. Pensei até que havia sido abandonado por Deus.
Porém, um dia recebi o primeiro milagre. Um marinheiro acidentado que estava em coma, recuperou-se de um momento para o outro com o Johrei. Assim voltei a ganhar a confiança e os milagres retornaram. Reuni um número de pessoas já certas, aluguei uma casa no Bairro do Maracanã, na Rua Santa Luiza.
Em função dos milagres que surgiam dia a dia, as pessoas começaram a vir, a melhorar e a divulgar os milagres. Aí, passaram a surgir filas que dobravam os quarteirões. Chegavam a vir centenas e centenas de pessoas por dia, chegando de madrugada para pegar senhas. Os milagres atraíam as pessoas e as pessoas atraíam os milagres. Foi assim que o trabalho missionário começou a se desenvolver.
Como o senhor conseguiu expandir as atividades e divulgar mais amplamente a mensagem da messiânica ?
Como disse, foi graças aos milagres do Johrei. Depois de ter me fixado no Rio e vencido as primeiras dificuldades, os milagres foram acontecendo às dezenas, às centenas, aos milhares.
Percebi, porém, que não bastava as pessoas receberem milagres. Não queria absolutamente formar mendigos da fé. Era preciso fazer delas pessoas úteis ao próximo. Tinha de fazer com que elas entendessem o pensamento maior de Meishu-Sama: “Para ser feliz, é preciso primeiro fazer feliz o seu semelhante”.
Comecei então o trabalho de formação do elemento humano. Fiz aulas, palestras, transmitia mesmo com o meu péssimo português as experiências que tinha vivido naquela semana, naquele mês.
O trabalho não foi só meu. Recebi sempre a colaboração de muitas pessoas, todas dispostas a fazer alguma coisa, por menor que fosse, em prol do crescimento da Obra. Nessa ocasião, os milagres também atraíram a atenção da grande imprensa e, no Rio, foram publicadas dezenas e dezenas de reportagens em jornais e revistas conceituados, com títulos sensacionalistas como: Chegou a Luz do Oriente; Arigó Japonês; Johrei Cura Leucemia. Isso também atraiu muitas pessoas. Foi assim, com a ajuda de muitos, que a Igreja foi se desenvolvendo, os missionários ganhando experiência e convicção pessoais.
Em 1969, inauguramos a primeira sede no Rio de Janeiro. Já contávamos com 1500 membros. Dois anos depois, já eram 4 mil missionários que atuavam ministrando o Johrei. A freqüência diária chegava a 5 mil pessoas. A partir daí, esses membros do Rio começaram a divulgar a Igreja, os Ensinamentos e o Johrei para seus parentes e amigos de outros estados. Todo o Norte e Nordeste, Brasília, Goiânia. A essa altura já tínhamos um corpo firme de ministros e a fé messiânica ia sendo consolidada pouco a pouco.
Em 1971, instituímos a Fundação Mokiti Okada para desenvolver toda a ação cultural, educacional, assistencial, editorial e de pesquisa do pensamento messiânico. Em 1976, fui designado Presidente da Igreja Messiânica no Brasil. Em 1982, inauguramos o Edifício Mokiti Okada, que abriga hoje a Sede administrativa da Igreja e da Fundação.
Iniciamos a divulgação e a implantação do programa de agricultura natural e as atividades do Belo, centralizadas na Academia de Ikebana Sanguetsu, além de uma série de outras ações abrangentes e ultra-religiosas que, no seu conjunto, formam o Movimento Messiânico — que nada mais é do que o resultado da prática do pensamento e proposta amplos de Mokiti Okada para a criação de uma nova civilização.
Em 1995, como conseqüência de toda essa expansão, contando com a união e dedicação exemplar de nossos membros e adeptos, construímos e inauguramos o Solo Sagrado do Brasil, instalado às margens da Represa de Guarapiranga, em São Paulo. Hoje, o parque recebe mensalmente mais de 50 mil visitantes. No país inteiro já somos mais de 300 mil missionários e estão ligados a nós mais de 3 milhões de adeptos.
Recentemente, o senhor foi designado Presidente Mundial da Igreja e, certamente, está na fase de composição do seu staff. Como o senhor também permanece como Presidente da Igreja no Brasil, quais são as suas metas para o futuro próximo?
Meus planos são muito grandes. Quero realizar aquilo que o Mestre Meishu-Sama deixou para ser concretizado. Ele sempre orientou: “O homem depende do pensamento”. Por isso, precisamos ter sonhos grandes. Lamento por aqueles que perderam a capacidade de sonhar ou que têm sonhos menores do que eles próprios.
No Brasil, quero em três anos dobrar a nossa Obra, em todos os sentidos. Quero dobrar numericamente, dobrar o conteúdo, dobrar nossa capacidade. Quero também me empenhar em expandir a Obra Messiânica em 100 países. Hoje, já estamos em 68, sessenta dos quais estão sendo difundidos por brasileiros. Por isso, quero continuar contando com a imprescindível participação especial dos membros brasileiros nesse trabalho. Eu acho que o brasileiro, por suas características humanitárias, é o povo escolhido.
Um outro projeto ao qual vou dar grande ênfase é o da Agricultura Natural Messiânica. Quero difundi-lo no Brasil e leva-lo ao mundo, para que dentro de poucos anos a humanidade tenha onde e como consumir produtos limpos, saudáveis, isentos de substâncias químicas nocivas. A bandeira da verdadeira saúde — baseada, entre outras coisas, na alimentação pura e saudável — foi tenazmente defendida por nosso Mestre como uma das mais importantes na preservação da raça humana, e nós vamos persegui-la com muita garra. Quero ainda, nesses próximos dez anos, concretizar no Brasil um projeto arrojado: construir a Cidade da Nova Era, a Arca de Noé do Século XXI.
O que é o projeto da Cidade da Nova Era?
À primeira vista, pode parecer uma grande utopia. Muitos já manifestaram o desejo de erguer algo semelhante, mas até hoje ninguém conseguiu. Certamente não era o tempo certo. O Mestre Meishu-Sama, ainda na fase bem inicial da Igreja, em 1935, já falava, “Um dia vou construir um modelo de cidade ideal”. Quero e vou concretizar esta vontade dele.
A Cidade da Nova Era, o grande sonho acalentado pela humanidade, é um novo conceito de vida, com valores tão novos que primeiro devem ser impregnados no coração e mente das pessoas. Não se trata de um empreendimento imobiliário, nem de algo exclusivista, tipo uma cidade só para abrigar messiânicos. Não vamos fazer uma comunidade isolada e elitista, porque isto não está de acordo com a filosofia deixada pelo Mestre. Essa cidade há de ser um local para ser reproduzido em cada estado e em cada país. Reunirá pessoas de bem, espiritualistas e altruístas que respeitam e se submetem às Leis da Natureza. Será uma verdadeira Arca de Noé do Século XXI.
Infelizmente, ao mesmo tempo em que progrediu materialmente a humanidade se afastou dos princípios básicos e originais inspirados nessa Lei da Grande Natureza. O materialismo, o egoísmo desmedido e a ambição fizeram o homem distanciar-se dessa Lei. Isto hoje se evidencia em todos os campos da atividade humana. Na educação, na agricultura, na medicina, na ciência, na política, em tudo! Então, o ser humano precisa aprender o caminho de retorno à felicidade. Esse caminho só pode ser trilhado por meio do altruísmo e do espiritualismo. Não existe outra via alternativa.
A Cidade da Nova Era será, portanto, a reunião de gente que pensa dessa forma, independente de seus credos, raças, filosofias e classes sociais. Nossa intenção é congregar pessoas, grupos e instituições que julguem esta proposta como algo inovador e voltada para o bem da humanidade. Quero que todos se unam a nós e, de mãos dadas, possamos construí-la juntos.
O século XXI que se aproxima é tido como a era da percepção e da sensibilidade. Muitos dizem que será também a era em que aquilo que é falso deverá se tornar verdadeiro. A fé também, para ser autêntica e verdadeira, precisa ser, na essência e na forma, espiritualista e altruísta.
Desejo que o público leitor desta conceituada revista, refletindo sobre esta minha mensagem, disponha-se a colaborar neste projeto, que visa despertar a consciência do homem sobre a sua missão de vida e sua relação com a sociedade e o meio-ambiente.
E Deus escolheu o Brasil e o seu povo para concretizá-lo.
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