Conexão Cósmica
2009-05-05 18:12A Sexto Sentido fez uma entrevista com Jan Val Ellam, autor de vários livros que abordam contatos com entidades cósmicas e palestrante sobre o tema. Ele fala das mensagens que vem recebendo de extraterrestres e o que elas significam para o planeta.
Gilberto Schoereder
Jan Val Ellam, pseudônimo de Rogério de Almeida Freitas, é uma das centenas ou milhares de pessoas em todo o planeta que recebem informações — o que ele chama de notícias do Alto — fornecidas por espíritos ou extraterrestres, visando uma elevação da espiritualidade no planeta. Ao contrário de outras pessoas que apresentam alegações semelhantes sobre contatos com E.T.s, Ellam tem uma postura interessante no que diz respeito à fé e à sua própria atuação como divulgador das mensagens.
Em determinada época de sua vida ele começou a ter os contatos e a escrever dezenas de livros ao mesmo tempo, ainda tentando manter sua identidade velada para poder continuar sua rotina de trabalho normal, uma vez que é formado em administração de empresas.
De onde surgiu o nome Jan Val Ellam? Ele foi transmitido em alguma mensagem dos extraterrestres?
Jamais pretendi, conscientemente, me envolver com essas questões. Eu tinha meu projeto de vida que envolvia uma natural expectativa de progresso profissional. Para tanto, necessitava ter "credibilidade" a fim de bem desempenhar as funções gerenciais que então me ocupavam. Pretendia seguir em uma determinada direção, mas os fatos da vida me levaram por outros caminhos. A que fatos estou me referindo? Ao longo dos anos, pessoas que não me conheciam e que eram médiuns costumavam me abordar solicitando que eu "prestasse atenção", pois os Espíritos (desencarnados) — até então o componente extraterreno ainda não havia sido realçado — estavam me solicitando para uma certa tarefa. Eu não levava muito a sério. Depois de alguns anos, sem maiores avisos, eu mesmo passei a percebê-los ao meu redor, concitando-me para o desempenho de uma tarefa que, segundo diziam, eu teria assumido o compromisso de realizar antes de reencarnar.
Acostumei-me a conviver com os espíritos, além de outros seres que sempre se apresentavam junto, mas também não me motivei para a realização da tal tarefa. Depois de diversas ocorrências e alguns fatos que realmente me sensibilizaram, perguntei o que eles queriam que eu fizesse. Explicaram que eu deveria escrever. Aí é que não levei mesmo a sério, apesar da estreita convivência, pois não sentia nenhuma tendência naquele sentido. Somente alguns anos depois, e com a continuada ocorrência de fatos inusitados ao meu redor, é que decidi começar a escrever para ver até onde iria aquela história — acho mesmo que foi por pura curiosidade intelectual.
Para minha própria surpresa, uma série de livros começou a ser escrita ao mesmo tempo e, entre 1990 e 1994, mais de uma centena deles foi sendo construída no anonimato das madrugadas da minha vida, sem que ninguém soubesse. A partir de outros fatos incomuns, uma determinada pessoa com a qual jamais me avistara começou a "implicar fraternalmente" que eu deveria divulgar as informações que, ela sabia, eu estava recebendo, pois os Espíritos haviam lhe revelado. Foi através desta pessoa que a edição dos livros começou a ser vislumbrada.
Em resumo: não queria me envolver, não quis escrever e jamais pensei em publicar nada. Contudo, diante da iminente publicação, decidi adotar um pseudônimo, pois não era conveniente, para a função profissional que ocupava, ser o autor de livros que anunciavam a segunda vinda do Mestre e falavam de espíritos e E.T.s. Foi esta a razão do pseudônimo: pura hesitação moral de minha parte, com receio de me prejudicar profissionalmente. Quando assim decidi, os mentores espirituais perguntaram se me incomodaria eles apresentarem a proposta de um pseudônimo que tinha relação com fatos pretéritos do meu espírito, no que concordei. Daí surgiu o nome Jan Val Ellam — cujo significado é esclarecido no livro Carma e Compromisso.
Como ocorre seu contato com esses seres? Você os procura ou eles se manifestam? Existe algum tipo de preparação especial?
Acostumei a conviver com diversas entidades que, sempre que me dispunha a escrever após as tarefas normais do dia, apresentavam-se como sendo espíritos desencarnados e seres cósmicos projetados, que conjuntamente respondiam pela formulação intelectual das idéias e temas que me eram repassados. Mais tarde fui percebendo que aquelas entidades amorosas formavam uma equipe de trabalho que, a partir dos ambientes espirituais, coordenavam os esforços de composição de algumas centenas de livros, para anunciar aos que viviam na Terra um conjunto de eventos prestes a ocorrer. Pena que ainda não seja o momento para essa equipe se apresentar clara e objetivamente aos olhos de todos, o que será feito, conforme eles mesmos costumam afirmar, quando chegar o momento propício. Segundo o que me informaram, esta não seria a primeira oportunidade em que estariam trabalhando neste aspecto.
A quem interessar possa, todo o conjunto de preceitos e aconselhamentos quanto à conduta mediúnica constante no Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, também é válido para o intercâmbio seguro com os seres cósmicos ou extraterrestres. Pena que o movimento espírita tenha transformado os ensinamentos constantes na codificação espírita em processo religioso, o que afastou, por força dos comportamentos intolerantes de alguns poucos, muitos canais que recebem "notícias de fora", dos cuidados e prudências requeridos no trato com outros painéis da vida cósmica.
No meu caso, procuro seguir o manual de vôo mediúnico preceituado pela equipe que assessorou o Espírito da Verdade, quando da codificação espírita.
No encerramento de uma de suas palestras, ouvi você dizer que as pessoas não precisavam acreditar cegamente no que dizia sobre suas experiências, e você citou algo sobre a fé que me lembrou uma passagem do filme Dogma. No filme, um anjo diz a um terrestre que não é para ter fé em Deus ou em qualquer outra coisa, mas que o ideal é ‘ter uma boa idéia do que pode estar acontecendo’. Como você situa a fé nesse ambiente de contatos espirituais ou mentais com extraterrestres? Há uma diferença entre ‘acreditar na possibilidade’ da existência de algo ou alguém atuando em outros planos e ‘ter fé’ na existência desse algo ou alguém. Em outras palavras, para um grande número de pessoas, não é possível acreditar cegamente em algo que outras pessoas dizem ou afirmam ter vivenciado, por mais que se acredite nos relatos e na boa vontade dessas pessoas. É preciso ter algo mais concreto.
Realmente, sempre procuro dizer que os assuntos abordados nos livros que modestamente escrevo, ou quando das palestras, não devem ser acreditados de maneira cega, nem qualquer das afirmações ou abordagens que normalmente faço devem se tornar assunto de fé. Primeiro, porque o assunto se eleva muito acima da minha tosca capacidade de entender e repassar adequadamente os seus múltiplos aspectos; segundo, minhas imperfeições pessoais não permitem sequer que eu tenha a pretensão de afirmar com absoluta tranqüilidade d´alma que estou conseguindo não estragar e nem desfigurar as notícias que chegam do Alto — até mesmo porque sou exatamente o primeiro a saber disso. Por fim, os assuntos abordados são todos abraçados pelas religiões do mundo, o que cria a falsa idéia de que eles têm de ser sempre tratados com fé quando, no que me concerne perceber, a fé e a crença mal administradas pela razão só têm conseguido desfigurar, ao longo dos séculos, o já difícil pano de fundo espiritual e cósmico (aqui falo da mais pura metafísica) que envolve a vida terrena. Se assim é, como posso pretender e querer induzir quem quer que seja a acreditar que estou transmitindo sem erros o que me solicitam os mentores? E como poderia eu demonstrar a quem sequer admite a existência de vida além das fronteiras terrenas que esses mentores realmente existem? Em sã consciência, não posso fazê-lo, e lamento pelos que pretendem investir-se de uma infalibilidade que a condição humana não permite.
Assim, a pergunta é de vital importância para levar à reflexão aqueles que buscam, pois em um mundo onde o testemunho alheio de nada vale — já que normalmente motivado por interesses ou causas outras que não as que se sustentam na verdade, dificilmente alguém se fará credor da atenção daqueles que pensam por si mesmos. Contudo, para os que procuram iluminar os passos de sua vida com a luz espiritual alheia, sem maiores reflexões e questionamentos, os que se julgam "donos da verdade" costumam arrebanhar crentes e seguidores, o que, a meu juízo, é lamentável. Sou dos que pensam que a crença e a subserviência espiritual já deram o que tinham de dar ao longo das páginas da nossa História. Mais um pouco e as novas gerações terrenas caminharão com a luz de seus espíritos, já desperta pela maturidade moral e emocional que já caracteriza os que estão nascendo para os novos tempos.
Por isso sempre rogo que não sejam tomadas como "verdade", ou como fator de crença, as possíveis "notícias do Alto" que venho tentando transmitir conforme me permitem as circunstâncias. Se eu estiver enganado no que julgo estar entendendo, o tempo haverá de revelar. Caso contrário, os fatos atestarão o que ora é revelado, até porque, conforme afirmam os mentores, somos a geração de espíritos encarnados que "verá com os próprios olhos" o cumprimento das promessas pessoalmente proferidas pelo Mestre Jesus — que aqui retornará para presidir os acontecimentos que nos proporcionarão voltar a conviver com as demais famílias espalhadas pelo cosmos, os nossos irmãos extraterrestres. É esperar para ver — não é uma questão de crença ou fé.
Hoje existem alguns pesquisadores — e alguns são cientistas, bem ou mal intencionados com relação ao assunto — que levantam uma série de possibilidades alternativas para as chamadas canalizações de mensagens e até mesmo para as vítimas de abdução, como é o caso das pesquisas do neurocientista Michael Persinger, na Laurentian University, Canadá, entre outros. Você já considerou que as experiências por que tem passado podem ter outra explicação que não o contato com extraterrestres?
Para deixar bem claro, diante do que avalio ter entendido sobre os fatos à minha volta, tenho tido a grata oportunidade — para mim imerecida — de conviver com irmãos espirituais desencarnados e seres de outros orbes.
Ao longo dessa convivência, muitas vezes procurei avaliar com os critérios que caracterizam a minha prudência moral, emocional e intelectual — ou do que dela possa ter restado após tantos fatos inusitados — as ocorrências que, de forma suave e fraterna, foram promovidas por esses seres. Afinal, pode ser que ninguém mais no mundo o saiba, mas eu sei da minha incapacidade e preguiça mental para escrever um simples parágrafo, quanto mais um livro. E hoje estou escrevendo ao mesmo tempo algumas centenas, em detrimento das horas de repouso, único momento em que a isso posso me dedicar, já que não vivo da venda de livros e sim da minha profissão, que desesperadamente tento manter.
No meu caso, a exemplo de um bêbado que não consegue admitir o estado de embriaguês, ou de um louco que não atina com a própria loucura, concluí que não tenho mais jeito. Fiz de tudo para fugir dessa tarefa. Não consegui. Pretendi realizá-la escondendo-me por trás de um pseudônimo, o que também não deu certo. Não consigo parar de escrever, pois a obrigação moral com esses seres — ou com a minha própria consciência espiritual — leva-me sempre a seguir adiante acreditando estar servindo a propósitos nobres do Alto.
Não sou homem de fé e jamais faria o que estou fazendo levado simplesmente por fé. Falta-me simplicidade e beleza espiritual para tanto. Lido com fatos e, por mais estranhos que possam parecer, foram eles que me levaram a fazer o que faço. Quanto a estes fatos, jamais os revelei na sua totalidade, pois se os poucos que foram esclarecidos não foram devidamente compreendidos — o que é obviamente normal — o que dizer se eu fosse relatar os acontecimentos que me levaram, não a crer, mas a saber que realmente nossos irmãos cósmicos estão por aqui, e que o contato com eles de forma clara e perceptível para toda a humanidade é iminente? De que adiantaria um testemunho a mais num mundo onde nada é feito em função do ser humano, mas em função de interesses outros? Aguardemos os fatos, é tudo o que podemos fazer. Até lá, preparemo-nos o melhor que pudermos no campo da elevação espiritual, aprendendo a amar o próximo e vinculando nossa vida a ideais nobres que busquem o progresso da humanidade. Se isto fizermos, mesmo que equivocados quanto ao futuro próximo, estaremos dignificando nossos passos na Terra.
O que você pensa sobre a chamada evacuação planetária, da qual tantas pessoas estão falando? Você entende que isso realmente deverá ocorrer? E sobre as comunidades que se preparam para o evento?
Segundo as informações que temos recebido ao longo desses anos, isto não ocorrerá. Se tivermos problemas na Terra, causados pela nossa própria incúria moral e espiritual, é da Lei Cósmica — afirmam os mentores — que nos defrontemos com os fantasmas criados por nós próprios.
Nós terráqueos até podemos desconhecer essas leis. Contudo, esses seres extraterrenos — os mais evoluídos, com capacidade de realizar uma evacuação planetária — conhecem os princípios que regem a vida cósmica e a isso não se proporiam. Até porque a morte terrena não é nenhum problema — é só um acontecimento que abre as portas da necessária e sempre renovada série de oportunidades existenciais que buscam promover a evolução do ser.
Respeito, contudo, a superlativa quantidade de livros que anunciam e tratam do assunto com as cores da percepção de cada escritor e do vínculo criado com seus inúmeros leitores, e a crença desse processo derivada quanto à necessidade de se viver em comunidades com este ou aquele fim. Não há nenhum problema em se crer nisto, desde que não se perca o vínculo com o que mais importa no momento: aprender a amar o próximo e contribuir para o progresso humano, seja vivendo nessas comunidades ou em pleno caos das metrópoles. Afinal, a verdade está sempre situada um pouco mais além da nossa percepção humana, que mal consegue definir a própria existência, quanto mais o que está por acontecer. Tudo é válido desde que não percamos o "norte amoroso" da nossa existência na Terra.
São milhares as mensagens de extraterrestres canalizadas em todo o mundo e nem sempre concordantes. Por que isso acontece? Você acha que a mente humana, com toda a carga de informações culturais, pode decodificar satisfatoriamente essas mensagens?
Partindo da minha própria experiência e fortemente marcado pelo limite das minhas imperfeições, acho muito difícil que um simples cérebro humano, temporário, que serve apenas para uma vida terrena, já que nasce e morre com o corpo transitório, possa ter o poder de compreender, arquitetar e formular, com o vocabulário próprio da vida terrena, fatos e eventos que extrapolam por completo a nossa ótica limitada e a viciada concepção de mundo que temos. No meu caso, tenho a mais absoluta certeza e tristeza que "estrago e desfiguro", seja no que se refere à compreensão mediúnica como também ao registro dessas informações através da arte da escrita, as notícias e orientações que me chegam. Esforço-me para atrapalhar o mínimo possível, na tentativa de evitar que as opiniões pessoais não interfiram na autoria intelectual da temática desenvolvida nos livros, procurando ao menos não distorcer a idéia central do contexto pretendido.
Quanto aos outros, não me é dado avaliar, já que mal posso medir as experiências e vivências que me são próprias.
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