Chico Xavier - Uma História de Amor pela Humanidade
2009-04-17 19:04Considerado um santo por milhões de admiradores, a vida de Francisco Cândido Xavier é um exemplo marcante de bondade, serviço e dedicação ao próximo.
Acontece com freqüência das pessoas mais especiais deste planeta sequer se darem conta de que são especiais. Especialmente aquelas que se encontram profundamente mergulhadas nas coisas do espírito. Na filosofia oriental essas criaturas são comparadas à flor-de-lótus, que flutua sobre as águas turvas do mundo sem jamais se misturar a elas.
Chico Xavier, nascido em Minas Gerais no ano de 1910 é, sem dúvida nenhuma, um desses seres especiais. Presenteado com a missão de levar conforto a ricos e pobres pela sua incrível capacidade de psicografar mensagens de entes já falecidos, o médium mineiro, de semblante doce e vida extremamente simples tornou-se uma das personalidades mais conhecidas e amadas do Brasil — mas, por incrível que pareça, com pouca repercussão no exterior. Na tentativa de remediar essa situação, seus defensores mais entusiasmados buscaram indicá-lo para o Prêmio Nobel da Paz, em 1981, conversando com várias personalidades mundiais para fazê-las entender a grandeza de Chico Xavier.
Infelizmente, nenhum dos esforços deu resultado. Os complicados meandros políticos que regem as indicações para o Nobel envolvem interesses internacionais que poucas vezes têm a ver com merecimento. Mas, é claro, Chico Xavier não deu qualquer importância ao fato — ele está em contato com uma realidade muito distante da política e dos interesses menores, onde não há espaço para nada que não seja o total desprendimento e um imenso amor pelo ser humano.
Apesar da popularidade avassaladora, o psicógrafo jamais modificou sua postura, ao contrário de outros médiuns e espiritualistas que alegam estar a serviço do bem ou em contato com o mundo mais elevado. Quando afirmam que ele é um benfeitor da humanidade, o médium responde com a simplicidade de sempre, dizendo que sua luta ao longo da vida tem sido no sentido de compreender a si mesmo, algo que não lhe deixa espaço para o orgulho ou a autovalorização. Para Chico, os verdadeiros responsáveis por seu trabalho são os benfeitores espirituais — ele se diz apenas um modesto veículo por meio do qual esses seres transmitem suas mensagens de amor e esperança.
Entre seus mentores no plano astral destacam-se Emmanuel e André Luiz, que ditaram a Chico Xavier a maior parte de sua obra, mas cerca de 600 entidades já se manifestaram através do médium, talvez um caso único em todo o planeta. Não apenas isso, até onde se sabe, não existe registro de outro paranormal que tenha permanecido em atividade, e com tamanha intensidade, durante tanto tempo.
Sua obra é hoje calculada em cerca de 400 livros, escritos e publicados a partir de 1932, e 10 mil mensagens psicografadas, que começaram a ser recebidas em 1927. Suas obras já venderam mais de 20 milhões de exemplares e, apesar de algumas pessoas ainda questionarem o destino da receita obtida, nunca foi descoberta qualquer irregularidade. O que se sabe com certeza é que Chico Xavier jamais usufruiu desse dinheiro, aplicado em inúmeros trabalhos assistenciais ao longo dos anos. Na época em que seus livros mais vendiam, ele chegou a não ter dinheiro para sustentar seus familiares ou custear seu pai quando este ficou doente. Uma situação impossível para quem pensa sob o ponto de vista material, mas que só confirma a extrema honestidade do médium para com seus ideais.
Trabalho Incessante
Hoje em dia, com a saúde bastante debilitada, as mãos que já traduziram tantas mensagens de paz e conforto não conseguem mais psicografar. Mesmo assim, o paranormal continua se valendo da clariaudiência, ou mediunidade auditiva, para receber mensagens de espiritos, poesias, ensinamentos e os chamados livros-lembrete. Chico Xavier parece estar se afastando da vida aos poucos, suavemente, como atuou ao longo dos anos. Raros são os que têm a oportunidade de entrar em contato com ele hoje em dia, mas quem o conheceu pessoalmente ou já esteve em sua presença afirma que algo diferente emana de seu ser. Esse algo é descrito como um tipo de energia que faz as pessoas se sentirem mais leves, mais tranqüilas, como se os problemas e preocupações do dia-a-dia de repente sumissem.
A obra de Chico Xavier sofreu muitos ataques dos que não acreditam no mundo dos espíritos. Entretanto, e sem entrar na interminável discussão sobre esse tema, a grande maioria das pessoas concorda que, independente da origem, o mais importante continua sendo as próprias mensagens do médium, que procuram trazer um pouco de luz a uma sociedade imersa na escuridão.
Depois de tudo o que viveu e presenciou, de seu contato direto com seres espirituais, Chico Xavier não se preocupa com a morte. Em uma de suas últimas entrevistas conhecidas ele declarou não ter medo de morrer — sua convivência com o outro lado da vida o fez distanciar-se do mundo material, dos interesses e aspectos mais imediatos da existência física. Da mesma forma, Chico explica que não é atormentado pela dor. Ao contrário, seu semblante continua demonstrando a mesma alegria por ter sido escolhido para a sublime tarefa de difundir o mundo dos espíritos.
Vida Dedicada
Alguns biógrafos citam a data de nascimento de Francisco Cândido Xavier como sendo 2 de abril de 1910; outros, 1911. Segundo se sabe, houve um erro no momento do registro e a data real foi antecipada em um ano. Sua infância foi conturbada, especialmente após a morte da mãe, em 1915, e Chico passou a viver com sua madrinha, dona Rita de Cássia — uma pessoa que o próprio médium descreveu como 'uma pessoa boa, porém, nervosa'. Para os menos caridosos ela era bastante cruel e demonstrou isso com o afilhado, a quem surrava diariamente. Foi nessa época de provações que Xavier teve a primeira experiência mediúnica, vendo e conversando com a mãe, que lhe disse para ter paciência.
Os castigos que sofreu nessa fase são dignos de um filme de terror, como carregar pedras de 15 quilos na cabeça ou ter o corpo espetado por garfos, formando cicatrizes que marcaram seu corpo para sempre. Para completar, o jovem era tido como um louco, mentiroso ou alguém que fez pacto com o diabo, pois falava sozinho e dizia ver coisas que ninguém mais conseguia.
As coisas começaram a mudar quando seu pai João Cândido Xavier casou-se novamente. Chico foi morar com ele e a madrasta, Cidália Batista, que reconheceu a importância do que estava acontecendo com o rapaz — já em 1918 ele percebeu que, durante as aulas no curso primário, ouvia vozes de pessoas que não conseguia enxergar, enquanto mãos invisíveis seguravam as suas e dirigiam seus movimentos.
O psicógrafo começou a ter um contato mais íntimo com a doutrina espírita em 1927, quando sua irmã Maria Xavier Pena começou a apresentar comportamento estranho. Chegaram a suspeitar que fosse um problema mental, mas após receber um tratamento espírita que a livrou de um processo obsessivo ela melhorou e a família resolveu fundar um Centro Espírita para divulgar o Evangelho. Foi lá que Chico conheceu O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
Em 1927 o jovem recebeu sua primeira mensagem, na qual um espírito dizia que ele deveria ser orientado e sua capacidade de psicografar estimulada. O médium começou a meditar e, em seguida, passou a escrever com grande velocidade, o que se tornou sua marca registrada desde então. Em 1932 foi publicada sua primeira grande obra, Parnaso de Além-Túmulo, com 259 poemas transmitidos por 56 autores espirituais.
Outros Mundos
A descrição de outros mundos — ou outras dimensões, como querem alguns — que Chico Xavier recebeu de seus amigos espirituais contém material riquíssimo para quem se interessa pela vida depois da vida, mas também se apresentam como um dos maiores focos de ataques sofridos pelo médium.
Em suas mensagens, o espírito André Luiz fala de uma região no plano astral chamada Nosso Lar, que funciona da mesma forma que os estados da Terra. Lá, os desencarnados podem recuperar-se dos males que carregavam em sua existência material, as doenças espirituais. Nesse lugar situam-se várias cidades com hospitais voltados exatamente para esse propósito, e o ritmo de vida é bem parecido com o que temos aqui. Se em muitos pontos a visão espírita aproxima-se da cristã, nesse aspecto ela diverge totalmente: Nosso Lar não é o Céu, nem o Inferno e nem o Purgatório, mas outra coisa. Invisíveis aos nossos olhos e à nossa percepção comum, essas cidades estariam no mesmo lugar em que se encontram certas metrópoles terrestres, só que em outra dimensão, e os espíritos que ali vivem podem inclusive desfrutar do mesmo Sol, Lua e estrelas que nós.
Essa noção também existe em outras religiões e crenças do mundo, para as quais a Terra é composta por diferentes camadas de realidade. Certos estudiosos chegam a afirmar que alguns espíritos conseguem desligar-se conscientemente do corpo denso, ou físico, para viajar por outras dimensões através da chamada projeção astral.
Seja como for, a riqueza de detalhes na narrativa de André Luiz sobre a vida além-túmulo é excepcional. Os que chegam nessas cidades depois do desencarne quase sempre têm problemas de adaptação, sentindo dificuldade em acreditar que realmente morreram justamente porque as cidades são muito parecidas com as que estavam acostumados. Lá existem administradores, ministérios, secretarias e os trabalhadores recebem pagamento diferenciado pela jornada de trabalho, de acordo com sua função, ainda que seja uma remuneração na forma de experiência. As pessoas também têm necessidades básicas como alimentação, moradia e até mesmo diversão.
Para os que ainda não conseguem utilizar todas as suas potencialidades psíquicas, existem meios de transporte semelhantes a ônibus, enquanto os espíritos mais elevados aprendem a locomover-se através do pensamento e retirar sua energia da própria atmosfera. Em outros livros Chico Xavier também se referiu à vida em outros planetas, como em Marte, que não deve ser entendido como o planeta vermelho, que pode ser visto com um telescópio, mas o do plano etéreo. O médium descreve seres semelhantes aos terrestres mas com asas, e naves espaciais que cruzam os céus do planeta.
Exemplo
Os que estudam a vida do maior psicógrafo do país afirmam que muitos dos problemas e perseguições em sua vida devem-se simplesmente à intolerância, muitas vezes acompanhada de uma cega desconfiança de tudo que não pode ser imediata e facilmente classificável. A obra de Chico Xavier enquadra-se nesse contexto — apesar de ligada à doutrina espírita também traz mensagens que chamam a atenção das mais diferentes crenças religiosas. Para alguns observadores, porém, as mensagens do médium refletem apenas o conformismo natural de todas as crenças, entregando a seres superiores aquilo que caberia aos homens. Mas a fala de Chico Xavier não é exatamente conformista, ainda que todo seu pensamento seja voltado à religião. Ele já disse que a mesma ciência que inventou a vacina construiu a bomba atômica. Isso, segundo suas palavras, indica que o ser humano traz em si um alto grau de periculosidade, e a religião é a única força no mundo capaz de conter tal impulso.
Seja como for, hoje em dia não resta mais qualquer dúvida sobre as intenções humanitárias do médium, e sua vida é um exemplo a ser seguido. Nos mais de 70 anos de serviço ao próximo, Chico Xavier nunca deixou de ressaltar que o aspecto material do mundo está sempre nos empurrando para o lado negativo das coisas. Mesmo assim, é possível resistir e manter uma postura correta, lembrando sempre que o amor e a caridade são as chaves chave para o bem estar próprio, do nosso próximo e do mundo em que vivemos.
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Histórias de Chico Xavier 1
Inúmeros acontecimentos ao longo da vida de Chico Xavier ilustram muito bem o relacionamento especial que o médium sempre teve com as pessoas.
O caso mais conhecido provavelmente é o que deu início aos fenômenos que iriam acompanhá-lo até os dias de hoje. Após a morte de sua mãe, Maria João de Deus, em 1915, Chico mudou-se para a casa de dona Rita de Cássia. Foi um dos períodos mais terríveis de sua infância, sofrendo surras diárias e maus tratos quase inacreditáveis. Desesperado, Chico elegeu um local no quintal da casa como seu preferido, debaixo de uma bananeira. Ele ia até lá todos os dias, por volta das seis da tarde, e orava em busca de apoio para os suplícios por que estava passando.
Certa vez, chorando muito e elevando o pensamento a Jesus como sua mãe lhe ensinara, o médium ouviu um barulho em meio à folhagem. Quando olhou na direção do ruído teve a mais grata surpresa: sua mãe estava ao seu lado. Chico abraçou-a e pediu que ela o levasse de volta para casa.
Dona Maria lhe disse que não poderia levá-lo ainda, pois havia saído do hospital só para vê-lo. Chico perguntou se ela sabia o que estava acontecendo com ele, as maldades de dona Rita. Ela lhe disse para agüentar aquela provação, que o ajudaria a crescer para o trabalho que deveria realizar.
E assim foi. A partir de então Chico nunca mais reclamou das surras e humilhações, espantando a todos. E, sempre que podia, dirigia-se ao fundo do quintal para ver a mãe.
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Histórias de Chico Xavier 2
Um dia, Chico estava conversando diante do correio em sua cidade quando um guarda passou e, colocando o braço sobre seu ombro, disse, “Muito obrigado, Chico!”. E seguiu seu caminho sem qualquer explicação.
O médium ficou intrigado, mas nada perguntou. À tarde, quando passava em frente a um bar, ele viu um grupo de trabalhadores envolvidos numa briga e, entre eles, o guarda que o cumprimentara pela manhã, tentando apartar a confusão.
Sem conseguir acalmar os ânimos e vendo que a confusão começava a generalizar-se, o guarda tirou o revólver que levava à cintura, ameaçando usá-lo. Imediatamente Chico aproximou-se dele e disse, “Calma, meu irmão”.
Vendo de quem se tratava, o guarda tranqüilizou-se e repetiu a frase que dissera pela manhã, agradecendo a Chico pela intervenção. A briga terminou e o grupo se dispersou.
À noite, o médium encontrou o guarda pela terceira vez e este lhe explicou o que tinha acontecido. Ele estava mesmo procurando Chico para agradecer-lhe de coração o bem que havia recebido duas vezes. Ele explicou que, na noite anterior, havia sonhado com Chico e este lhe dissera para ter cuidado e não sair de casa carregando sua arma, como sempre fazia.
Quando encontrou com Xavier pela manhã ele agradeceu pelo aviso que o médium tinha lhe dado durante o sonho. Só que esqueceu de atender à recomendação e saiu de casa carregando sua arma. Se não fosse a intervenção de Chico Xavier no momento da confusão, o guarda poderia ter matado alguém.
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Emmanuel e André Luiz
O mais conhecido de todos os espíritos que já se comunicaram por meio de Chico Xavier é Emmanuel, com mais de 100 livros psicografados. Emmanuel é um nome bíblico conhecido — foi assim que o profeta Isaías se referiu a Jesus, querendo dizer Deus está conosco. Chico Xavier disse que começou a perceber a presença dessa alma elevada em 1931, quando preparava os textos que iriam compor Parnaso de Além-Túmulo, podendo ver suas feições de homem idoso. O espírito lhe disse que, em outra encarnação no planeta, havia sido um padre católico que faleceu no Brasil: Manuel da Nóbrega. Num passado mais distante, Emmanuel viveu na época de Jesus e chamava-se Publius Lentulus. As mensagens referentes a esse período foram psicografadas e publicadas no livro Há Dois Mil Anos, em 1939. Lentulus morreu em Pompéia durante a erupção do Vesúvio. No livro 50 Anos Depois, de 1940, Emmanuel diz ter sido o escravo Nestório, que ouviu as pregações do apóstolo João Evangelista e foi devorado pelas feras no circo romano.
Embora a obra de André Luiz não seja tão volumosa como a de Emmanuel, seus livros estão entre os mais conhecidos de Chico Xavier e deram origem a inúmeras obras de caridade em todo o Brasil. Não só isso, as mensagens desse espírito deram origem a muitas discussões sobre da natureza da vida depois da morte.
André Luiz começou a se manifestar em 1939, época em que Chico morava com o irmão André Luiz — o espírito disse que poderia ser chamado por aquele mesmo nome. Em 1944, o primeiro livro da dupla era publicado — Nosso Lar — a obra psicografada mais vendida no mundo, com mais de um milhão de exemplares, traduzida para o espanhol, japonês, inglês, francês, braile e esperanto.
Dizem que, quando começou a se manifestar, André Luiz permitiu que Chico Xavier saísse do corpo físico por algumas horas e conhecesse melhor o assunto que ambos iriam tratar a partir de então: a existência no plano mais sutil. Com isso, o médium pôde ver de perto como a vida estava organizada no além, bem como o funcionamento das cidades e centros de tratamento espiritual.
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