Canal Aberto Para o Além

2009-04-29 14:50

Gilberto Schoereder

A transcomunicação instrumental vem ganhando adeptos no mundo inteiro. Apresentando-se como um instrumento de contato com o mundo dos espíritos,  ela utiliza tecnologia terrestre, o que facilita o controle em laboratório de cada experimento.

    Desde que despertou para a vida e olhou à sua volta, o homem percebeu que, além do mundo captado por seus cinco sentidos existia um outro, só que inacessível a sua consciência material. Esse mundo, ou realidade transcendente, atraía seu espírito de forma irresistível, forçando-o a descobrir um sexto sentido dentro próprio ser, através do qual se tornaria possível acessar diferentes níveis de existência, ainda que por breves instantes.
Pois esse incansável desejo de descobrir o que existe além da matéria jamais abandonou o ser humano. Até os dias de hoje, temos procurado desenvolver os mais diferentes meios para acessar outras dimensões, inclusive nossas próprias capacidades psíquicas, desenvolvidas e aprimoradas ao longo dos tempos. Como a vontade humana e a imaginação praticamente desconhecem limites, sempre que possível foram utilizados aparelhos para facilitar os contatos com o invisível.
    Com o surgimento das inúmeras teorias sobre o plano astral — uma dimensão habitada pelo espírito de pessoas já falecidas —, as tentativas de comunicação com o além aumentaram, principalmente após a segunda metade do século XIX, quando o espiritismo organizou-se através de Alan Kardec e se propagou por toda a Europa e Américas.
    As batidas ritmadas em móveis atribuídas aos espíritos com a intenção de transmitir noções simples ou apenas responder questões com um 'sim ou não', foram substituídas por sistemas mais elaborados, como as tábuas ouija, ou incorporações de médiuns, que emprestavam seus corpos e vozes para os seres do além se manifestarem em nossa dimensão. Várias técnicas de contato foram desenvolvidas, possibilitando a clarividência, a psicografia, as pinturas e composições musicais mediúnicas, etc., realizadas por inspiração ou atuação direta dos espíritos.

Tecnologia
A    pesar de ter sido no século XX, especialmente em sua segunda metade, que o homem experimentou seu maior desenvolvimento tecnológico, alguns estudiosos do espiritismo situam o início das tentativas para contatar os mortos por meio de aparelhos no século anterior. A primeira experiência é atribuída a ninguém menos que Thomas Alva Edison (1847–1931), um dos maiores inventores de todos os tempos, responsável pela invenção da lâmpada. Uma das criações de Edison foi o fonógrafo, em 1877, a primeira tentativa de gravação e reprodução de sons, invenção à qual ele foi levado, segundo se diz, pelo desejo de gravar a voz de sua mãe, já falecida. Ele não teve sucesso, em parte devido à precariedade do próprio aparelho.
    Em 1936, pouco após a morte de Edison, o físico Oliver Lodge (1851–1940), um dos precursores da radiocomunicação, afirmou que os progressos obtidos na área da eletrônica tornariam possível a criação de um aparelho capaz de captar a voz dos mortos. Essa previsão começou a ganhar contornos mais visíveis a partir de 1959, quando o produtor cinematográfico, músico e psíquico sueco Friedrich Jurgenson conseguiu gravar o que foi chamado de vozes paranormais ou psicofania.
    A história conta que Jurgenson resolveu gravar cantos de pássaros num bosque próximo à sua casa, para inserir na trilha sonora de um filme. Quando foi reproduzir a fita, ele notou uma série de ruídos que prejudicavam a qualidade do som. Após outras tentativas frustradas de obter as gravações sem interferências, o músico resolveu ouvi-las com mais cuidado e acabou detectando murmúrios que pareciam vozes humanas.
    Esse foi o ponto de partida para uma série de experiências nas quais procurou tornar aquelas vozes cada vez mais claras, identificando mensagens, informações e saudações em vários idiomas, inclusive a voz de sua falecida mãe. Três anos depois, Jurgenson publicou um livro falando sobre o tema, o qual foi submetido à Sociedade Parapsicológica de Estocolmo e chamou a atenção do psicólogo Konstantin Raudive, além dos pesquisadores Hans Bender e Friedebert Karger.
    Raudive realizou milhares de gravações de vozes e Jurgenson começou a utilizar outro sistema que lhe foi comunicado por um espírito. Ele sintonizava o rádio numa determinada freqüência, gravava o ruído contínuo e, na reprodução da fita, as vozes apareciam. Nos anos seguintes surgiram aprimoramentos visando obter melhores resultados com menos interferência de fontes externas, como o psychofon, aparelho desenvolvido pelo engenheiro vienense Franz Seidl, ou o spiricom, do engenheiro e inventor norte-americano George Meek.

Suposições
    O tempo desses aparelhos já passou, segundo informa Sonia Rinaldi, coordenadora da Associação Nacional dos Transcomunicadores. Hoje, os contatos são feitos por meio de computadores e aparelhos bem mais sofisticados, que eliminam a possibilidade de interferência externa.
George Meek, no entanto, havia sugerido, a partir de suas pesquisas, que nenhum sistema eletromagnético conseguiria estabelecer uma ponte confiável com o mundo dos espíritos, entendendo que tal mundo deve possuir um tipo de energia ainda desconhecida para nós. Esse talvez seja o ponto convergente com o pensamento dos parapsicólogos: a transcomunicação seria feita através de um tipo de energia, mental, psíquica ou espiritual, que nós ainda não possuímos os instrumentos necessários para captar, medir e estudar.
    Quando alguns pesquisadores rejeitam a comunicação com espíritos através de aparelhos — dizendo que, na verdade, é a mente humana atuando, moldando ou transformando o ambiente que a cerca — eles fazem isso sem nenhum embasamento concreto, uma vez que não fazem a menor idéia de qual seja a energia por trás do acontecimento. Sabe-se que um psíquico poderoso como Ted Serios conseguia fazer com que a imagem na qual estivesse pensando aparecesse gravada, em ângulos diferentes, num filme virgem dentro de uma máquina fotográfica, mas isso não quer dizer que qualquer um seja capaz de tal feito, nem que algo semelhante esteja ocorrendo nos casos de transcomunicação.
    Alguns grupos não acreditam no mundo dos espíritos, outros sim, seja pela fé ou pela experimentação. As pessoas ligadas à transcomunicação instrumental entendem que a vida no além não apenas existe, mas é semelhante à nossa, como afirma a literatura espírita. Grupos e pesquisadores ligados a outras linhas de pensamento ou religiões fazem o possível para desacreditar esses pontos de vista, mas sem apresentar argumentos concretos, só teorias.

No Brasil
    Hoje, existe um número considerável de grupos dedicados ao estudo da transcomunicação instrumental no Brasil, Espanha, França, EUA, México, Argentina, Itália e Alemanha, a maior parte deles ligados ao GAIT — Global Association of Instrumental Transcommunication. Em nosso país, a Associação Nacional de Transcomunicadores iniciou suas atividades em 1990 e conta atualmente com cerca de 950 associados, um site na Internet e uma revista onde são comentadas as novidades e avanços no setor.
    Sonia Rinaldi faz questão de frisar que os resultados de todos os contatos realizados por meio de aparelhos vêm sendo submetidos à análise científica de pós-graduados em Processamento de Sinais, da USP e outras universidades. "Na troca de informações", ela explica, "fomos aperfeiçoando nossos métodos, com avanço significativo nos resultados. Também fazemos experimentos científicos sob rigoroso controle, como por exemplo, a gravação em computador, sem microfone. Nessa situação, qualquer contato registrado foi gerado necessariamente dentro do hardware, o que é absolutamente inexplicável em termos de computação terrestre".
    A obtenção de imagens dos mortos também passa por um rigoroso sistema de controle. "Uma forma de vetar qualquer interferência terrestre", diz Sonia, "é usar um tubo de raios catódicos em vez de um aparelho de televisão. Uma TV poderia capturar imagens espúrias, que estejam transitando pelo ar, emitidas aqui mesmo, da Terra. Com o tubo que usamos jamais haveria essa possibilidade, pois a faixa de recepção é totalmente outra".
    Quem quiser conferir os resultados e laudos técnicos dos cientistas deve procurar o site ou a revista da associação, onde também podem ser encontradas informações detalhadas sobre as técnicas utilizadas para obtenção de imagens e áudio de outra dimensão. Segundo Sonia Rinaldi, a utilização de gravadores já está totalmente ultrapassada e não é mais sugerida para os que estão começando. Os contatos em áudio são obtidos por computadores com programas específicos, desenvolvidos para se obter o melhor resultado possível. As imagens são captadas por computadores, TV e câmeras de vídeo.
    O que fica mais claro nas experiências de transcomunicação é que um fenômeno fantástico está ocorrendo já há algum tempo e, como sempre acontece com relação a assuntos que extrapolam a matéria, a maioria dos cientistas prefere ficar de olhos fechados. Alguns, no entanto, entendem que muito mais tempo, dinheiro e entusiasmo deveriam ser dedicados ao assunto e felizmente dão continuidade às pesquisas por conta própria.
    A possibilidade de poder usar tecnologia terrestre para acessar um mundo até hoje invisível para nossos sentidos é, no mínimo, fascinante. Quando o homem conseguir aperfeiçoar os meios necessários para esse tipo de comunicação ele terá, sem dúvida nenhuma, redescoberto o fogo.

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Idéias Contrárias
    Alguns parapsicólogos afirmam que tanto as imagens quanto as vozes que aparecem nas gravações são produzidas por uma ou mais pessoas com capacidade psíquica superdesenvolvida — utilizando a mente, esse paranormais conseguiriam influenciar a matéria, mesmo que de forma inconsciente. No entanto, Sonia Rinaldi cita, como provas do fenômeno, características idênticas em 100 por cento dos casos, o recebimento de informações que o transcomunicador desconhece e o fato de algumas respostas chegarem antes da pergunta ser formulada. Ela diz que é incontável o número de vozes com timbres diferentes nas gravações, e que seu grupo tem recebido mensagens cantadas por um coral. "Mais que isso", a pesquisadora explica, "descobrimos que quase todas as vozes paranormais trazem consigo outra mensagem no sentido reverso (quando a fita é ouvida de trás para frente). Mais complexo que isso, ambas as gravações — no sentido normal e reverso — estão sobrepostas sem se mesclar. Isso indica uma tecnologia desconhecida na Terra". (você pode acessar amostras dessas comunicações no site www.mythoseditora.com.br).
    Os espíritas também oferecem resistência quanto uso dos aparelhos, ainda que a proposta esteja dentro do aspecto científico idealizada por Allan Kardec ao estabelecer a doutrina do espiritismo. "Existem dirigentes de centros espíritas que, vendo o assunto de forma míope, receiam que a transcomunicação instrumental tire o lugar dos médiuns”, explica Rinaldi. “E outros, demonstrando profunda ignorância no assunto, chegam a dizer que transcomunicação é coisa de espíritos inferiores. Na verdade, a tecnologia empregada pelos comunicantes é de tal forma complexa que reduz a nossa ciência a pó".

Para Saber Mais:
Contatos Interdimensionais – Sonia Rinaldi (Ed. Pensamento.

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