Cabala e o Sentido da Vida
2010-05-06 16:01A cabala é um conhecimento milenar que pode abrir as portas do passado e revelar conexões que vão além do tempo e do espaço.
Alex Alprim, baseado em texto enviado pelo Cabalista Rav Mishael Halevi, da Sinagoga Elijah Kibbutz
A cabala parte do pressuposto de que existem significados ocultos e revelações nos livros sagrados da cultura judaica e que, para decifrá-los, devem ser usados métodos apropriados, como a gematria e o notarikon.
A gematria é o calculo dos valores numéricos das letras hebraicas que compõem os nomes. Já o notarikon é o estudo do significado das letras que compõem o alfabeto hebraico.
Para a cabala, cada letra hebraica tem uma vibração e um significado único e, por meio da diminuição dos nomes, das palavras e até de sentenças inteiras, podemos compreender os textos ocultos em cada uma dessas situações. Com a utilização dessas técnicas é possível determinar as causas de eventos, tanto de nossa história conhecida quanto da oculta. Podemos citar como exemplo a comemoração do Purim e sua relação com os eventos que envolvem a ascensão do nazismo e de Hitler na Alemanha.
Purim significa “sortes”, e é comemorada pelos judeus a 2400 anos. Ela teve início quando um homem chamado Haman se tornou uma espécie de primeiro-ministro, indicado pelo rei persa Achashverosh. Ele tinha uma grande animosidade contra os judeus e, na busca por poder, arquitetou um plano para destruir todos os judeus das 127 províncias do reino.
Como era costume na época, lançou "sortes" (um sistema semelhante a um jogo ou oráculo), e a sorte caiu no dia 13 do mês de Adar (décimo segundo mês hebreu). Haman considerava seu plano perfeito, pois dessa forma poderia obter mais poder e uma grande fortuna como resultado dos saques que seriam realizados. Só que ele não contava com a interferência de um judeu chamado Mordecai, que frustrou seu plano interferindo junto ao rei e mostrando o quão maligno era Haman, e que sua ação traria grandes problemas para a Pérsia.
Com isso, o rei derrubou seu primeiro-ministro e o fez sentir o peso de sua própria maldade. Em seu ódio, Haman havia mandado construir uma forca na qual pretendia matar Mordecai. O resultado é que ele mesmo foi pendurado nela, assim como seus dez filhos, todos no dia em que o pai havia escolhido para destruir os judeus. Mas por que Haman tinha um ódio enorme dos judeus e em especial de Mordecai?
Segundo os textos bíblicos, no tempo do profeta Samuel, Deus teria ordenado ao rei Shaul que destruísse a nação de Amalek e tudo que houvesse nela; a população, o gado e seus governantes. Contudo, Shaul não obedeceu, poupando o gado e o governante dos amalekitas, o rei Agag. Deus teria condenado Shaul por essa transgressão de suas ordens. Nesse caso, foi o profeta Samuel quem matou Agag, num lugar chamado Guilgal.
O segredo do ódio de Haman por Mordecai reside aqui. No Livro de Esther (que narra a história de Purim), Haman é chamado de Agagi. Ele conhecia Mordecai de “outros tempos”. Mordecai era filho de Jair, que era filho de Shemei, filho de Quis, que era o pai do rei Shaul, que havia destruído o reino de Amalek. Utilizando as ferramentas do notarikon e da gematria, podemos extrair informações importantes dos nomes envolvidos nessa história, como veremos a seguir.
Em hebraico, Mordecai é escrito como Mordechai; dessa forma, o seu valor numérico é 274. Nos escritos de Esther, Haman é chamado de Agagi, tendo a letra “I” (em hebraico, Yud) acrescentada ao seu nome. Haman é o Guilgul (reencarnação) de Agag. Lembrando que o rei Agag foi morto pelo profeta Samuel em um lugar chamado Guilgal. Este é o termo hebraico para "Roda”.
O termo para reencarnação, em hebraico, é guilgul neshamot, que significa literalmente “a roda das almas”. Haman era, nesse caso, a reencarnação de Agag, e Mordechai era a reencarnação do rei Shaul. O valor numérico de Shaul é 337 (3+3+7=13). Mordechai é 274 (2+7+4=13). O número 13 alude à reencarnação, pois ele encerra um segredo, o qual se escreve em hebraico com apenas duas letras, “Yud" e "Guimel”, que são o notarikon (interpretação das letras hebraicas) de yahuv guilgul, que literalmente significa “retornar à roda”. Mas a alma de Haman não parou aí.
Após o término da Segunda Guerra Mundial, se estabeleceu um Tribunal de Guerra para julgar os crimes cometidos pelos nazistas. Hitler tinha 12 principais líderes que, juntamente com ele, formavam 13. Onze deles foram condenados à forca. Um deles, Hermann Goering, se suicidou na prisão; os outros dez foram enforcados. Mas o que isso nos diz? Haman tinha, na realidade, 10 filhos e uma filha, que se suicidou antes de ser enforcada.
Na história de Esther, estranhamente é pedido que, no futuro, os filhos de Haman sejam enforcados novamente. Os nomes dos 10 são escritos nessa história. O valor numérico desses dez nomes é 5031, que, adicionados ao nome do pai Haman, filho de Hamedata, o Agagi, é 5650.
Este número, por sua vez, encerra um segredo assombroso: 5650 é o ano hebreu correspondente a 1889/1890, ano em que nasceu Adolph Hitler. Por sua vez, Hitler também esconde um segredo. Aplicando-se o método de notarikon ao nome Hitler, descobrimos que ele significa Haman Yashuv Torquemada Lê Rotzeach, ou seja, Haman Retornará Em Torquemada Para Assassinar.
Torquemada, foi o inquisidor espanhol que matou milhares de judeus durante a inquisição espanhola. Tanto ele quanto Hitler possuíam a mesma alma, a alma de Haman. Da morte de Thomaz de Torquemada até o nascimento de Hitler são 391 anos. Ora, 3+9+1=13, que é yashuv guilgul (retornar à roda).
Dessa forma, fica claro que não existem eventos desconectados, e que tudo está dentro de uma ordem maior, que pode ser revelada pela cabala e pela compreensão das forças espirituais que atuam nos diversos planos de existência e encarnação. Mas para isso é necessário estudar e ir além das ilusões iniciais, absorvendo o conhecimento e escalando as diversas esferas de entendimento da energia divina em nosso mundo.
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