ASSIM NO CÉU COMO NA TERRA

2009-05-05 16:31

Muitas pessoas perguntam por que tantos espíritos desencarnados ficam apegados ao plano físico ou acabam envolvidos em tramas obsessivas. A explicação para isso é das mais simples: a morte não muda ninguém.

Wagner Borges

    O desencarnado de hoje é aquele mesmo que estava encarnado ontem. Extrafisicamente, ele é o reflexo exato daquilo que manifestava no plano físico. A morte não transforma a pessoa tacanha em gênio do além e nem o desequilibrado emocional em anjo sideral. Após a morte, a pessoa permanece literalmente a mesma que era quando ainda vivia em uma forma física, nem mais, nem menos. Ela é a mesma consciência, com os mesmos pensamentos e desejos de antes; somente foi ejetada para fora do corpo, finalmente. Uma mera questão de causa e efeito. Após a morte, nós continuamos sendo o que fomos em vida terrestre.
    Para entender bem a mecânica desse processo é só observarmos o que a maioria das pessoas procura na sua existência terrestre. Se ela busca desejos baixos, é óbvio que seu corpo espiritual também manifestará energias de baixo nível — razão pela qual encontramos tantos espíritos em estado lastimável depois da morte: eles já eram lastimáveis em vida, pois buscavam objetivos grosseiros.
Como dizia o mestre Leon Denis, "A morte não nos muda e, no além, somos apenas o que nos tornamos neste mundo. Daí a inferioridade de tantos seres desencarnados".
    Há inúmeros relatos antigos referindo-se à influência nefasta dos espíritos negativos sobre as pessoas. Dependendo da época, do povo e da cultura vigente, a denominação desses espectros variava: espíritos trevosos, almas penadas, fantasmas, espíritos inferiores, espíritos apegados, espectros malignos, demônios, etc.
Paulo de Tarso (?-67), o grande apóstolo cristão, sabia bastante sobre a ação desses entes infelizes, pois sofreu muitos assédios espirituais durante sua missão de espalhar os ideais de seu mestre Jesus. Por essa razão ele escreveu: "Porque nós não temos de lutar contra o sangue e contra a carne, isto é, contra as paixões vulgares, mas contra os principados e protestados; contra os governadores das trevas deste mundo; contra os espíritos da maldade nos ares" (Efésios, 6:12).
    Porfírio, grande iniciado espiritualista da antigüidade, também fez referência ao assunto: "A alma, mesmo depois da morte física, permanece ligada ao corpo por estranha ternura e uma afinidade tanto maior quanto mais bruscamente essa essência houver sido separada de seu envoltório. Vemos almas em grande número voltear, desorientadas, em redor dos seus restos terrestres. Ainda mais, vêmo-las procurar com diligência os despojos de cadáveres estranhos e, acima de tudo, o sangue fresco derramado, cujo vapor parece restituir-lhes, por alguns instantes, certas faculdades da vida. Assim, os feiticeiros abusam dessa noção no exercício de sua arte, evocando à força as almas, obrigando-as a aparecer, seja agindo sobre os restos do corpo que deixaram, seja invocando-as no vapor do sangue derramado" (Porfírio, Des Sacrifices, cap.II).
    Paracelso (1490-1541), o grande alquimista e ocultista do século XVI, escreveu o seguinte: "Vamos conhecer agora a maneira como os espíritos podem nos prejudicar. Se desejamos com toda a nossa vontade (plena voluntas) o mal de outra pessoa, essa vontade que está em nós acaba conseguindo uma verdadeira criação no espírito, impelindo-o a lutar contra o lado da pessoa que queremos ferir. Então, se este espírito é perverso (mesmo que o corpo correspondente não seja), acaba deixando nele (o corpo) uma marca de pena ou sofrimento, de natureza espirìtual”.


Os dos Espíritos
    O surgimento do Espiritismo com Allan Kardec (1804-1869), que compilou seus contatos com o mundo do além no Livro dos Espíritos (1857), as almas negativas passaram a ser denominadas de obsessoras ou espíritos atrasados. Na verdade, esses espíritos deveriam ser chamados de enfermos extrafísicos ou doentes desencarnados, pois seu desequilíbrio é tão grande que os leva à obsessão e à loucura, fazendo-os se anexar na aura de vítimas incautas, que os atraem pela vibração mental, emocional ou energética que manifestam. Nesse ponto, não custa nada lembrar o velho axioma espiritualista: "Semelhante atrai semelhante".
    Considerando as dificuldades dos espíritos ligados à Terra, podemos classificá-las em:
* Apego psicológico
* Apego energético
* Apego psicológico e energético.
As causas podem ser variadas. O grande pesquisador inglês Robert Crookall (1890-1982) classificou-as da seguinte maneira:
* A atenção desses espíritos continua dirigida para questões físicas;
* Prevalece neles a necessidade de sensações grosseiras;
* Suas repetidas afirmações de que só existe o mundo material, atuando como sugestões pós-hipnóticas, dificultam sua aceitação da existência de algo além da morte;
* Alguns desses espíritos são turrões devido a sua absoluta estupidez, obstinação e desinteresse em aprender;
* Falta de determinação para seguir em frente, rumo a dimensões espirituais superiores.
Podemos acrescentar ainda mais duas situações que desequilibram muitos desencarnados:
* Corpo espiritual muito denso devido ao desequilíbrio espiritual, mental, emocional ou energético durante a vida física;
* Energias remanescentes do duplo etérico (campo energético do corpo humano) aderidas ao corpo espiritual, mantendo-o bastante denso e apegado energeticamente ao plano físico.
Em vista de tudo isso, para que manifestemos um bom nível de consciência na vida e possamos estar protegidos de influências espirituais negativas é necessário direcionarmos nossos esforços na aquisição de quatro coisas imprescindíveis na vida:
1. Discernimento mental: para entendermos as coisas e buscar objetivos claros. A leitura espiritualista, a meditação e a reflexão serena são aliados maravilhosos em nossa caminhada terrena;
2. Compaixão: para compreendermos outros e ajudar a todos. Perdão, paciência e boa vontade são as palavras de ordem para quem quer ser útil à vida. Contudo, sabemos na prática como isso é difícil. Mas também sabemos que estamos num processo de aprendizado e evoluindo. O próprio fato de estar estudando estes assuntos já é um bom passo para a melhoria de nós todos.
3. Energias salutares na aura: para irradiarmos luz ao mundo e expressar a plenitude de nossas capacidades anímico-mediúnicas na vida. Precisamos ter uma aura forte, limpa, colorida e chacras vibrantes.
4. Elevado nível de ética (Cosmoética): para que não julguemos e tampouco condenemos os outros. A técnica para fazer isso é simples: se observarmos nossos defeitos com mais atenção e menos orgulho, sem dúvida não nos sobrará tempo para observar o erro dos outros. Precisamos prestar atenção nas coisas que são positivas. Quanto às negativas, é bom ouvir o conselho do nosso bom amigo espiritual André Luiz: "Sigamos o que for correto e sensato. O que não for, tenhamos paciência e compreensão, sabendo que a previdência divina é magnânima e, no devido momento, impulsionará na direção certa a tudo e a todos, para o Bem maior”.

Amparadores, Virtude e Luz
    Além das aparências, além dos meros portais vibratórios, grupos muito especiais de almas — os chamados amparadores espirituais — estão constantemente agindo em nome do Altíssimo. Em seus trabalhos assistenciais, eles resgatam os espíritos perdidos nas trevas da consciência e todos os que se encontram enredados nas malhas do sofrimento.
    Usando sofisticados aparelhos extrafísicos preparados para essa finalidade, eles transportam os sofredores das dimensões mais densas para estações de tratamento adequadas, situadas nos climas extrafísicos mais amenos. Nesses ambientes salutares ocorre a maravilha da assistência espiritual, onde os enfermos conscienciais são submetidos a banhos de luz que restauram suas energias e corrigem o desequilíbrio em sua vibração.
    Os amparadores que operam nessas estações do Bem são exímios manipuladores de energia e profundos conhecedores da estrutura do corpo espiritual. São silenciosos, sutis, educados e muito conscientes da tarefa que lhes cabe. Tratam os pacientes com respeito e atenção, pois consideram todos dignos de receber a Luz que cura os distúrbios da alma. Elevando a mente ao Alto, de onde haurem a inspiração e a força que lhes norteia o trabalho, eles curam com a Luz repetindo silenciosamente a palavra virtude em seus centros frontais.
    Essa é a palavra-chave evocada em suas conexões mentais com as dimensões maiores, e também a que utilizam para manifestar seus próprios potenciais extrafísicos. Fazem isso agradecendo ao Todo (O Absoluto, Deus, Brahman, O Grande Arquiteto do Universo) pela oportunidade do serviço luminoso.
    A esses amparadores das luzes da cura, a nossa admiração e nosso profundo respeito. E que sua dedicação e amor possam inspirar todas as pessoas, na Terra e nas dimensões extrafísicas, a também evocarem a Virtude e a Luz que restauram as mentes, as emoções, os corpos e as energias.


Para Saber Mais:
http://www.ippb.org.br 

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