A Torre de Babel

2009-05-05 18:54

Apesar de pouco aparecer na Bíblia, o relato sobre a construção da Torre de Babel tornou-se um dos mitos mais conhecidos da civilização ocidental, e pode estar relacionado com a presença de OVNIs no passado distante do planeta.

Ubiratan Schulz

    Muita tinta foi gasta – e nem sempre respeitando a verdade – para divagar sobre a existência remota e o desastre envolvendo a Torre de Babel. Mas não se pode deixar de lado o estranho fato de que a Bíblia nos traz uma discussão com características muito peculiares. Elas convergem a um passado distante e a um quebra-cabeça histórico que constitui a base do homem ocidental sobre o planeta. Se alguma coisa aprendemos nesses caminhos do nosso mundo é que muito pouco ou quase nada acontece por acaso, e a mais humilde construção é importante, desde seu nome e localização até lembranças e lendas em geral.
    Ao estudarmos as religiões e escolas que levaram o homem a cada uma de suas crenças, veremos que nas entrelinhas de todas há uma semente em comum, e não estou me referindo às lendas, mas a uma lembrança adormecida de um momento histórico específico, em que os seres humanos tiveram contato com deuses em sua consciência mais primitiva. Em muitos mitos simbólicos, como o da famosa Torre, existe uma tradição inconsciente sobre o tempo e o lugar de onde procedem as divindades, ou seja, o Jardim do Éden. Ao se perder alguns valores, os povos procuravam, tanto quanto possível, reviver e recriar o mito.
    Quem já não ouviu falar da terra que se situava entre os rios Tigre e Eufrates, o berço da civilização ocidental? É a região que viu florescer inúmeros povos, como os sumérios, os acádios, os hititas, babilônicos e assírios, todos descendentes dos anunnaki, ou aqueles que vieram do céu à Terra, também conhecidos como hyksos. Do céu trouxeram a Terra todo o desenvolvimento conhecido na época, como a escrita, a astrologia, o sistema sexagesimal (60 minutos, 60 segundos), os códigos da lei, o conceito de que a Terra era redonda, a existência do Sol e seu preciso diâmetro, os nove planetas maiores e a Lua, o Sol como o  centro do universo, além do conhecimento de todos os planetas de nosso sistema solar e de um outro, desconhecido até cerca de cinco anos atrás e que só foi descoberto com os potentes telescópios modernos.
    Com seu conhecimento, os anunnaki sabiam que uma grande mudança climática estava por vir e que logo o grande planeta Nibiru se aproximaria do nosso. E por ser um planeta maior do que a Terra, certamente sua gravidade acarretaria mudanças enormes em nossos oceanos e nas camadas de gelo dos pólos. Enlil, que no momento estava no comando desses deuses, vendo que a hora do grande desastre se aproximava, refugiou-se com seus semelhantes em naves que estavam em órbita da terra, sem avisar os homens comuns.
    Segundo a versão babilônica, o irmão de Enlil, de nome Enki, sem conhecimento dos outros falou do desastre iminente a um sábio senhor, que no texto recebe o nome de Utnapishtim (Noé). Este construiu um grande barco e carregou-o com plantas e animais de todas as espécies, para que a humanidade sobrevivesse ao dilúvio que se daria. Quando as águas retornaram ao seu nível normal, os deuses desceram à Terra e encontraram Noé (Utnapishtim) no monte Ararat. A princípio, Enlil se sentiu ultrajado e enganado, mas depois ficou alegre com o fato, percebendo a importância da sobrevivência de Noé, seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos na reconstrução que teriam pela frente. A partir daí os deuses anunnaki prometeram não mais permitir que os homens sofressem, e passaram a fornecer todo o conhecimento que possuíam, implementando uma organização social rudimentar para, finalmente, surgir a Suméria ou Babilônia (Gênesis 8: 9). Daí surgiu a expressão: “Noé caminhou junto a Deus”.

A Busca Egoísta por Deus
    O mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras. Ao emigrar do Oriente, os homens encontraram uma planície no país de Senaar (Shinear) e ali se estabeleceram. O texto (Gênesis 11:1–9) nos conta que os homens estabelecidos na planície depois do Dilúvio resolveram levantar uma torre gigantesca que chegasse aos céus. Não de pedra, mas de tijolos que eles mesmos fabricaram, e utilizaram piche em lugar de argamassa para juntá-los. Deus (Yahvé, Javé ou Jeová) desceu dos Céus para ver o que os homens estavam construindo, tanto a cidade como a torre, e vendo que isso era só o começo de seus empreendimentos, confundiu a língua que falavam para que um não entendesse o outro. Depois, espalhou os homens por toda a Terra, e eles pararam de construir a cidade.
    Certamente esse texto foi escrito num período não posterior ao domínio dos babilônicos. Em 597 a.C., esse povo deportou parte significativa da população de Jerusalém e, em 587 a.C., saqueou e ateou fogo à cidade. Assim, entendemos que é mais provável que o texto de que falamos seja da tribo de Judá, que na época estava mais ao sul. O escritor bíblico escreveu este texto possivelmente quando estava em cativeiro na Babilônia, pois é visível a presença de termos e palavras usadas pelos sumérios, interpretando a palavra Babel como confusão e, nesse caso específico, confusão de línguas. Na Bíblia está escrito: “Por isso a cidade recebeu o nome de Babel, pois foi ali que Javé confundiu a língua de todos os habitantes da Terra, e foi dali que Ele os espalhou por toda a superfície da terra”.
    O nome Babel deriva do verbo babal, que significa criar confusão, e não deixa de ser uma resposta, no folclore hebraico, para a questão da origem das diversas línguas. Também nos reporta ao Império Babilônico e à migração do povo para o Oriente, explicando assim o porquê do modo de construção adotado não ser uma tecnologia usada pelos hebreus.

Babilônia
    Todo esse texto retrata um conflito real e mostra como o Império Babilônico impunha sua cultura, seu poderio militar e seu idioma, mas não interferindo na religião ou no culto dos povos dominados. A Babilônia era uma cidade sem igual, o umbigo do mundo, sede de uma magnífica civilização construída com o intuito de se vincular ao sagrado. E, ao mesmo tempo, era um centro de reunião, um testemunho do seu poderio militar e tecnológico, um entreposto comercial e também um desafio às divindades que moravam nos Céus. Ou seja, uma torre gigantesca de três pisos, mais alta do que todas já construídas.
    Era uma metrópole agradável e cheia de vida, riquíssima e com acentuada tendência ao luxo. O nome Babilônia, ou Bab-ilani, significa Porta dos Deuses, e o ponto principal de culto e adoração era o Portal de Ishtar, com sua imponente avenida que a ele levava, com 22 metros de largura, lembrando bem uma pista de pouso.
    O portal com 12 metros de altura foi reconstituído no Museu de Berlim.  Heródoto nos dá uma idéia muito aproximada de como a cidade era construída numa planície, da seguinte maneira: com uma forma quadrada, com os lados medindo 120 estádios (21 Km), de modo que o perímetro é de 480 estádios. Foi construída com regularidade e circundada por um fosso largo e profundo, cheio de água, e depois por uma muralha de 50 cúbitos de espessura (26m) e 200 metros de altura, tudo construído de tijolos cozidos. Babel estava dividida em duas partes: a Babel velha, fechada pelos muros, e a nova, à esquerda do rio. Na cidade antiga, as ruas principais eram 24, dedicadas cada uma a um deus ou deusa. Ao longo de tais ruas surgiam estátuas, e só para Ishtar eram 180, as demais sendo repartidas entre Nergal e Adad. As capelas eram 900, feitas em honra dos deuses menores, os iguigui e annunaqui.
    No centro deste complexo estava construída uma torre maciça, com a base do comprimento de um estádio (177m) e larga outro tanto. Sobre essa torre se sobrepõe uma outra, e mais outra ainda sobre a segunda, e assim por diante até oito torres. A via de acesso ao topo destas foi construída externamente em espiral. A meio do caminho há um local para descanso, com alguns assentos, onde os homens podem retomar o fôlego. Na última torre há um grande templo, dentro do qual se encontra um amplo leito adornado de belos tecidos, e ao lado uma mesa de ouro junto a um trono, também de ouro, bem como uma estátua de Marduk. Os caldeus nos contam que essa estátua tinha 12 cúbitos de altura (5,20m) e era de ouro maciço. Nenhum ser humano passa a noite ali, só uma mulher, escolhida entre todas pelo deus, é o que nos contam os caldeus. Contam os sacerdotes que naquele leito se instala o deus em pessoa.

Confusão
    Essa descrição de Heródoto é extremamente exata, salvo nas medidas, onde, como de hábito, exagera. A realidade é que a primeira parte consistia de uma base quadrada de 90 metros de lado, sobre a qual se erigiam cinco planos de base quadrada e cujas medidas eram respectivamente 90x33m, 78x18m, 60x6m, 51x6m, 42x6m. Essa torre, com altura total de 69 metros, era o zigurate propriamente dito, e sobre a última plataforma erguia-se o templo em dois andares, de 33x11m e 24x21x10m, revestido de tijolos esmaltados azuis, com certeza para confundir a última plataforma com o céu azul.
    A altura de 90 metros é igual à largura da base. As marchas e contratempos na construção da torre, que evidentemente aconteceram, sugeriram o famoso episódio de que fala o Gênesis. A Bíblia não nos esclarece muito sobre essa famosa torre e sobre a Babilônia; só repete que sempre foi uma cidade em que se falavam muitas línguas.
    Sabemos que a construção da torre, bem como da cidade em geral, necessitou um grande número de operários, dadas as proporções do edifício. Naquela época eram convocados homens de lugares distantes, bem como escravos e prisioneiros de guerra de diversas regiões e países. Então, imaginem a profusão de dialetos e línguas. Como dizia Nabucodonosor (604–562 a.C.): “Todo o povo de numerosas nações contribuiu para a construção da Etemenanki”, ou a mansão do alto entre o céu e a terra.
    Em termos arqueológicos, sabe-se que a torre não foi destruída, mas desmontada pouco a pouco pelos homens, e seus tijolos serviram durante séculos para construir casas, sendo que muitos desses tijolos foram encontrados pelos arqueólogos que escavaram as ruínas, alguns levando o selo de Nabucodonosor. A torre era, provavelmente, um zigurate, uma estrutura alta, semelhante a uma pirâmide, mas com degraus em seu exterior, e a tradição bíblica é provavelmente inspirada na construção do grande zigurate da Babilônia (Babel ou Etemen-na-ki), o zigurate Etemenanki, o Templo da Fundação do Céu e da Terra, ou seja, a casa de fundamento do céu e da terra em honra do deus Marduk. E seu modo de construção é encontrado em diversos locais do mundo como Europa, África, Ásia, Pacífico, América do Norte e do Sul, Egito, México, China, Camboja, Guatemala, Peru, Bolívia, Índia e assim por diante.

Deuses na Terra
    Os zigurates eram templos na antiga Mesopotâmia, construídos geralmente em três plataformas de diferentes tamanhos, superpostas em um desenho piramidal. Os primeiros foram construídos por Ur-Nammu (2112–2095 a.C.), o primeiro rei da dinastia de Ur na época em que os deuses de Ashtar, os annunaki, ainda viviam na Terra. Foram achados pelos arqueólogos 16 zigurates em diversas escavações, e se sabe da existência de muitos outros por textos antigos. O autor Zecharia Sitchin faz uma interessante conexão entre as pirâmides como a de Gizé, no Egito, com as últimas pirâmides construídas, pois as primeiras tinham um ângulo de 52 graus, e as últimas de 43,5 graus. A Pirâmide do Sol, em Teotihuacán, México, e a de Gizé no Egito, têm em seus degraus um dispositivo para desviar os gases dos foguetes em funcionamento, pois a exaustão é o maior problema enfrentado pelos cientistas. A construção dessas torres minimizou o efeito, pois antes eles eram feitos em plataformas planas, também chamados de tronos de Salomão (Takht-i-Suleiman), não por acaso. Já se conjeturou que esses locais seriam campos de pouso para as naves aéreas e, conforme conta a história, o grande rei voava até as mais altas montanhas e atingia as maiores alturas. Às vezes a realidade é mais estranha do que a ficção.
    Então, entendemos que as pirâmides lisas são certamente mais novas que as de degraus e que os zigurates – desenvolvendo essa idéia podemos imaginar que os zigurates eram torres de lançamento de foguetes – junto com os antigos anunnaki são os antigos deuses que vinham do céu e são retratados na Bíblia, os criadores do homem ocidental.
    Será então que a Torre de Babel era só uma torre de lançamento, como muitas outras em todo o mundo, e que Peenemunde, Cabo Canaveral, etc. são exemplos modernos de antigos espaçoportos? Pois o maior atributo dos deuses sempre foi voar. Na Bíblia, em Êxodo 13:21-22 lemos: “Jeová ia na frente deles, de dia numa coluna de nuvem para guiá-los. De noite, numa coluna de fogo para iluminá-los. De dia, a coluna de nuvem não se afastava do povo, nem de noite a coluna de fogo”.
    Em Êxodo 19:16-25, Reis 19: 9-13, Ezeguiel 3:12, Miguéias 1:3-4, bem como no épico hindu Mahabharata, muito se fala sobre esses vôos. Temos ainda as descrições bíblicas como as da escada de Jacó ou a da subida do profeta Elias aos céus em uma carruagem de fogo, que simplesmente nos mostram ocorrências de contatos com OVNIs.
    Os grandes impérios, incluídos os da língua, não podem chegar à divindade, nem unir os homens. Por tudo isso pensamos que ontem, assim como hoje, o homem continua buscando respostas e tem a necessidade primaz em achar e encontrar os deuses, e depois crer em sua própria criação, o que nada mais é do que uma sobrevivência espiritual. E não devemos jamais deixar de tentar conhecer a realidade e o ultimo mistério de todos nós.

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