A Música do Bem

2009-04-17 16:02

Eclético, inovador e aclamado internacionalmente, o musicoterapêuta Tomaz Lima canta e produz arranjos deliciosos para mantras milenares, destacando-se como um dos maiores astros da música new age.

    Em meio à modorra criativa da música brasileira, o nome de Tomaz Lima –conhecido pelo sugestivo nome artístico Homem de Bem –, vem ganhando grande projeção nos últimos anos. Além do respeito de alguns dos maiores críticos de música no país, Lima tem atraído a atenção de uma parcela significativa do público, principalmente depois da música Bhaja Shri Krishna, utilizada pela Rede Globo de Televisão na trilha musical da novela Sonho Meu, em 1993-94.
    O trabalho profissional de Tomaz Lima começou há mais de 11 anos, quando a produtora Lucia Lima o ouviu tocando mantras em um violão. Impressionada com a musicalidade dos sons, ela convidou o maestro Waltel Branco – um dos mais respeitados do país – para orquestrar os adaptações que Tomaz estava dedilhando. Em seguida, reunindo uma série de músicos, teve início o trabalho que viria a se tornar um dos mais pioneiros e criativos do país.
    Formado em musicoterapia pelo Conservatório Brasileiro de Música, Thomaz Lima tem verdadeira adoração pelas harmonias orientais que se tornaram sua marca registrada. “Eu costumava recitar mantras”, ele explica, “e descobri, como musicoterapeuta, que esses sons têm um efeito extremamente benéfico sobre as pessoas. Resolvi então fazer um trabalho que enfocasse os aspectos terapêuticos da melodia”. Com esse objetivo,     Lima  passou a elaborar canções combinando ritmos orientais e ocidentais, melodias que pudessem criar alegria e não desesperança, que fossem capazes de acalmar sem entristecer. E foi muito feliz. Assim como ocorre com os mantras – sons que têm a capacidade de concentrar a mente e elevar a consciência – a obra de Tomaz tem um ótimo efeito sobre o estresse e toca fundo a alma do ouvinte.

Um Homem de Bem
    Na verdade, o contato do músico com o misticismo vem de longe. Sua tia foi a primeira violinista da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro e, em sua casa, ele pode testemunhar ensaios de Sérgio Mendes e do MPB-4. Segundo ele brinca, a primeira coisa que cantou em público, aos 13 anos, foi um mantra – Om-ly You –, e seu primeiro grupo musical chamava-se Os Monges. Ainda no Jardim da Infância, Lima foi escalado para ser o regente da bandinha pois sabia tocar todos os instrumentos da escola. A idéia de misturar mantras com música ocidental veio logo depois de uma temporada no Via Brasil, em Paris, no Cassino de Monte Carlo, nos anos 70.
    Segundo o artista, “o nome Homem de Bem é uma crítica construtiva ao atual estado das coisas e serve para lembrar que, mais do que nunca, o Brasil precisa de homens de bem”. Lucia Lima explica que, em 1989, quando ainda estavam procurando um nome artístico para Tomaz, alguém disse que ele era o próprio ‘homem de bem” – o que a produtora imediatamente entendeu como uma perfeita denominação para alguém cujo trabalho almejava elevar as pessoas. Tomaz concordou e, a partir de então, passou a assinar seus álbuns como Homem de Bem.
    As canções que saem do violão e dos lábios de Tomaz Lime é inspirada nos vários aspectos de Deus e traz uma série de influências. Em suas mãos, os bhajans hindus e suas ragas se misturam aos ritmos indianos e à influência que receberam da música árabe; depois, são temperados com ritmos afros e recebem orquestrações tipicamente brasileiras. Sua obra também é fortemente influenciada pela música erudita, que ele adora escutar. Assim como os demais ritmos e melodias que ele utiliza, a música erudita também é ‘abrasileirada”, e é isso o que mais tem chamado a atenção da crítica musical. Exemplos dessa versatilidade podem ser encontrados em Canção da Índia, de Rimsky Korsakov, adaptada como samba;     Hava Naguila, música folclórica judaica milenar, que é um convite à alegria; no CD Himalaya, que traz música erudita contemporânea; e em um álbum só com canções de ninar, algumas das quais não eram gravadas desde os anos 50.
Ainda que toque e adapte mantras indianos e tibetanos, Tomaz não tem mantras de sua autoria. “Procuro adaptar os mantras sem descaracterizá-los”, ele explica, “para torná-los acessíveis aos ouvidos ocidentais. Mas eu não poderia compor mantras porque ainda não atingi o estado de Consciência Cósmica no qual o indivíduo tem percepção direta de Deus. Mas espero chegar lá o mais breve possível”.
    Muitos especialistas se mostram impressionados com o sucesso que os mantras vêm obtendo junto ao público, mas isso não é surpresa para Tomaz. “Os mantras estão no hit parade da humanidade há milhares de anos”, ele diz. “É o tipo de música ideal, por exemplo, para as rádios que só tocam sucessos. Além do mais, acredito que a minha arte é fundamentalmente uma das formas de expressão do Bem, e isso me faz desejar compartilhá-la com o maior número possível de pessoas.”

Musicoterapia
    Tomaz Lima costuma sempre dizer que precisamos despertar para a importância daquilo que entra pelos nossos ouvidos. Hoje em dia a medicina recomenda que as pessoas evitem certos tipos de alimento, especialmente as gorduras e carnes vermelhas, preferindo as carnes brancas, legumes, verduras, frutas e comidas ricas em fibras. Mas, segundo o artista, o que nós ouvimos é tão importante quanto o que comemos: “A música mexe com nossas emoções. Por que muitas vezes bailes funk acabam em briga e tiroteio? Quando ouvimos marchas militares, temos vontade de sair marchando, e quando queremos fazer uma criança dormir, preferimos as canções de ninar. Até as vacas dão mais leite quando ouvem Mozart. A música é muito poderosa, capaz de aumentar ou diminuir o batimento cardíaco e o tônus muscular, afetando nosso estado físico e mental.”
    Seus 20 anos de experiência tratando pessoas que sofrem de stress, angústia, medo, insônia, depressão e ansiedade leva-o a recomendar a mantra ioga, uma vez que os mantras têm a capacidade de proteger e libertar a mente. A prática é extremamente simples, uma vez que basta ouvir e cantar. E nem é necessário entender as letras, que geralmente são em sânscrito. “Ao ouvir uma música”, diz Tomaz, “entramos em contato com o estado de consciência do compositor. Mesmo que alguém não acredite no poder dos mantras, essa pessoa sem dúvida receberá algum benefício”.
    A qualidade indiscutível de seu trabalho levou-o a cantar para Sua Santidade o Dalai Lama, quando este veio ao Brasil durante a Eco 92. Aliás, o músico também está envolvido na luta pelos direitos humanos e liberdades civis do Tibete, e sua participação na Eco 92 não foi por acaso. Muito antes de virar moda a realização de concertos pela preservação da Amazônia – como fez o cantor inglês Sting – Lima já se empenhava nessa batalha, assim como na preservação da floresta da Tijuca, considerada a maior floresta urbana do mundo.
    Tomaz Lima é filiado à Self-Realization Fellowship, entidade internacional fundada por Paramahansa Yogananda (veja matéria em Sexto Sentido nº 2) cujo objetivo é divulgar a prática da Kriya Yoga. Ele já realizou concertos na Sede Central da organização na Califórnia,  e também em Vrindavan, Benares e Calcutá, na Índia. No momento, o músico está preparando um livro que irá tratar de sua vida e do poder do som.
Sem dúvida, mais uma grande obra de um homem de bem.

Os Mantras
    A Bíblia fala do Verbo, o som primordial criador da vida, que “estava com Deus, e era Deus”. A Cabala diz que as letras e palavras têm poder quando pronunciadas corretamente. O catolicismo prega que as orações e hinos também possuem a capacidade de elevar e modificar as pessoas.     Em algumas religiões primitivas e no esoterismo, certos nomes são secretos porque, segundo os adeptos,  pronunciá-los implica a realização de algo bom ou ruim.
    Na Índia e no Tibete, os sons que têm o poder de produzir efeitos extraordinários são chamados de mantras. A repetição constante desses sons – geralmente palavras em sânscrito elaboradas pelos antigos sábios, ou rishis, durante estados de Superconsciência –, tem a capacidade de elevar as pessoas a níveis muito profundos de experiência interna, inclusive a Superconsciência.
    Dizem que existe um mantra para cada tipo de problema a ser resolvido, para cada cura desejada ou situação a ser resolvida. A ramificação da ioga que trata desse tipo de prática é denominada mantra ioga.


Os CDs
Soneto
Haribol
Song Of India
Além dos Sonhos
Perto de Você
Jóias do Mantra
Himalaya
Canções Para Ninar

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