A Luz que vem dos Mortos

2009-05-05 19:09

É possível fotografar um espírito? Várias teorias recentes afirmam categoricamente que sim, e certos eventos podem ser uma prova bem convincente de que é possível estabelecer uma comunicação entre as diferentes dimensões de existência.

Gilberto Schoereder

    Além das pesquisas sobre o conceito de bioenergologia e as chamadas transfotos, o Instituto Medeiros de Pesquisas Conscienciais também realiza estudos de campo em outras áreas. Estudos muito interessantes. E, em determinados casos, os resultados acabam fornecendo evidências das mais interessantes.
    Geraldo Medeiros, diretor e fundador da instituição, conta que certa vez recebeu informações de que eventos inexplicados estariam ocorrendo numa área rural, próxima à cidade de Jaboticabal, no norte do estado de São Paulo. Ele se dirigiu ao lugar acompanhado por uma equipe de pesquisadores.
    Os habitantes da cidade diziam que os eventos estavam ocorrendo num local conhecido como Sete Catatumbas, um antigo cemitério abandonado, onde ainda existiam resquícios de covas, algumas lápides e uma pequena capela. O local era um tanto distante e a equipe foi guiada pelo caseiro, responsável pela vigilância.
    Chegando lá, o grupo constatou a existência das covas e começou a percorrer a região, buscando detectar qualquer anomalia. De repente, todos começaram a sentir que o chão estava tremendo, como se alguma coisa subterrânea estivesse se mexendo, ou como se um metrô passasse por ali. Sem ter a que atribuir o estranho fenômeno, o máximo que puderam fazer foi tirar fotografias de vários pontos, utilizando o método de deixar o diafragma aberto por cerca de 15 a 20 segundos. Como não tinham levado tripé, eles apoiaram a máquina em pedras e outros locais fixos, o que prejudicou a qualidade final das imagens.

Fazendo Contato
    O fato seguiu a exata tipologia de acontecimentos verificados em outros eventos, nos quais surgiram as chamadas transfotos. Conforme Geraldo Medeiros explicou, uma das características do fenômeno é o que acontece com as pessoas envolvidas. Antes das transfotos serem obtidas, é comum que a pessoa ou pessoas tirando as fotos – seja num ambiente controlado ou natural, como em Jaboticabal – comecem a experimentar sensações incomuns, como se sentissem várias presenças estranhas no local. Segundo sua teoria, isso pode ser indício de que algum tipo de ligação esteja se formando entre nossa dimensão e uma outra, com os seres humanos funcionando como canais para o estabelecimento desse vínculo.
    No caso em questão, as sensações seriam exatamente aquelas que as pessoas sentiram: como se algo estivesse vivo e se movendo no local. Sem condições de averiguar com mais exatidão o que ocorria, a equipe permaneceu na região até meia-noite. Mais tarde, as fotos reveladas mostraram a presença de inúmeros pontos de luz em vários locais do antigo cemitério, que não puderam ser captados pelo olho humano.
    Apesar da qualidade das imagens não ser excepcional, Medeiros não teve dúvida em afirmar que aquelas realmente eram transfotos. No local não havia qualquer ponto de luz postes ou residências, de modo que nada poderia ter causado os efeitos verificados.
    Fotos tiradas diretamente das tumbas apresentaram coloração excessiva, além de um brilho que, segundo Medeiros, não pode ser explicado como uma exposição normal de película fotográfica. Em uma das fotos obtidas no interior de uma capela foi possível perceber a luz de fora, através dos vitrais superiores, e duas silhuetas com forma humana no centro da capela, onde, segundo afirma o pesquisador, não havia ninguém e nenhuma sombra estava sendo projetada. A foto mais impressionante foi obtida num descampado: atrás de uma lápide surgem centenas de pontos luminosos, como uma floresta de luzes.

Explicações
    Sem saber a que atribuir tamanha quantidade de efeitos nas transfotos, Geraldo Medeiros estendeu sua pesquisa e resolveu conversar com o historiador da cidade, Aloísio de Almeida Castro, que forneceu dados sobre o local que a equipe havia visitado.
    Assim eles ficaram sabendo que nos anos de 1896, 97 e 98 a febre amarela atacou a região de forma violenta, fazendo inúmeras vítimas. Um dos locais escolhidos para enterrar os cadáveres foi justamente o Sete Catacumbas. Segundo o levantamento do historiador, cerca de 200 pessoas foram sepultadas na área, entre brasileiros e colonos italianos, portugueses, espanhóis e outras nacionalidades. Medeiros explica que nem sempre os sepultamentos eram realizados com as pessoas já mortas. Em alguns casos, o medo do contágio fazia com que os enfermos ainda agonizantes fossem enterrados nas valas, ou seus corpos queimados.
    Parece uma daquelas histórias de filme de terror, com os espíritos dos mortos permanecendo no lugar em que terminaram seus dias com grande sofrimento, sem conseguir abandoná-lo. Como pesquisador, Geraldo Medeiros não se referiu às teorias existentes sobre o assunto – e que não são poucas –, mas apenas registrou os fatos e obteve as transfotos que, independente das explicações fornecidas, indicam a existência de um fenômeno bem interessante na região.
    É comum dizer que as pessoas causam alterações físicas e energéticas no local onde vivem, assim como podem impressionar energeticamente o local de sua morte, especialmente quando a morte envolve grande dor física, mental ou emocional. Coincidentemente ou não, uma das características das transfotos é elas serem obtidas nos momentos em que uma grande carga de emotividade por parte de quem bate a fotografia ou das pessoas que envolvidas com o momento – como em comemorações, festas, batizados, aniversários, casamentos, ou mesmo numa investigação como a realizada em Jaboticabal.
    Seria interessante que mais estudos desse tipo fossem realizados por outros grupos, para que os resultados fossem comparados e novas luzes lançadas sobre o assunto.

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