A Dieta do Yin e do Yang - Macrobiótica Zen
2009-04-29 14:35Assis Leite Gondim
Um dos métodos de alimentação mais antigos do planeta, a macrobiótica também é vista por especialistas como a arte do rejuvenescimento e da longevidade.
Diferente do que muitos imaginam, macrobiótica não é apenas uma dieta alimentar baseada em arroz integral, carne desidratada e muita mastigação. Nada disso. Segundo seus adeptos, é um estilo de vida que prioriza o bem estar físico e mental do ser humano, inserido num contexto de paz, fraternidade, alegria e respeito mútuo, possibilitando um desfrute da vida em toda a sua plenitude. E também é, agora sim, uma das mais antigas e saudáveis disciplinas alimentares conhecidas pelo homem. Para muitos, é o segredo da saúde e longevidade. Através da macrobiótica zen é possível aprender que viver é respeitar e praticar a solidariedade, repelindo sempre o fanatismo retrógrado e a intolerância, causa de conflitos sociais e inúteis derramamentos de sangue.
Como norma de conduta, a macrobiótica preconiza a modéstia e a humildade, sempre levando em consideração que ninguém é dono da verdade e que o relativismo das coisas nos aconselha a ser prudentes e cautelosos, sem arrogância e vaidade. Ela alimenta o sonho eterno da humanidade, os sonhos passados, presentes e futuros, sonhos de saúde, paz e felicidade. Apesar de ser uma medicina filosófica, paradoxal e dialética, sua assimilação é fácil, pois baseia-se no famoso e antiquíssimo princípio único, ou lei do yin e yang, que rege os opostos complementares ou polaridade, fundamento cosmológico do universo.
As palavras chinesas yin e yang não têm tradução nem definição. Aliás, a antiga filosofia oriental não mostra nenhuma simpatia por definições. Para o modo de pensar zen, definições não passam de limitações desnecessárias, ou camisas de força, usadas para burocratizar e complicar. Segundo o zen budismo, as coisas são o que são porque não têm necessidade de definições. No entanto, para os ocidentais, educados na lógica aristotélica e no racionalismo cartesiano, as coisas somente se tornam inteligíveis quando são definidas. Os termos yin e yang não representam fenômenos ou coisas. Seriam apenas forças atuando dinamicamente. É a bipolaridade da criação.
Seguir as Leis e Normas
As leis do yin e yang seriam assim expressas, resumidamente:
*Tudo o que existe é uma diferenciação do uno infinito;
*Tudo muda;
*Todos os antagonismos são complementares;
*O que tem frente, tem verso;
* Quanto maior a frente, maior é o verso;
*O que tem princípio, tem fim;
*Yin e yang, unidos, produzem todos os fenômenos;
*Yin atrai yang, e yang atrai yin;
*Yin repele yin, e yang repele yang;
*Todos os fenômenos são efêmeros, modificando a sua condição de yin ou de yang;
*Yin se transforma em yang, e yang se transforma em yin
Assim, nada seria cem por cento yang ou cem por cento yin. Nada é cem por cento bom ou mau, pois tudo o que é bom tem um pouco de mau e vice-versa. Para entender a praticar a macrobiótica zen é necessário conhecer a lei do yin e do yang.
Como dieta alimentar, a macrobiótica zen se considera o primeiro passo em direção à saúde e alegria de viver, orientando-se nutricionalmente pelas seguintes normas:
Consumir alimentos naturais, cultivados ou criados sem agrotóxicos ou aditivos químicos;
Abstenção de bebidas alcoólicas, fumo, refrigerantes e afins;
Eliminação da inatividade, reduzindo ao mínimo o sedentarismo;
Praticar alguma forma de atividade física, exercício ou ginástica;
Praticar alguma forma de lazer ou recreação para combater as tensões e o desgaste da vida diária;
Evitar consumir enlatados ou produtos em conserva;
Como bebida, consumir água potável ou chás.
Com relação aos remédios ou medicamentos alopáticos, seu consumo irá diminuindo paulatinamente na medida em que a dieta macrobiótica for trazendo melhoras, reconquistando e mantendo a saúde. O objetivo, é atingir o ponto em que a alimentação seja nosso único medicamento —pensamento este que deve ser encarado como um lema.
Autoaplicável
Sem cunho metafísico ou mitológico, sem dogmas ou credos, a macrobiótica zen é uma terapia autoaplicável, tanto no aspecto físico quanto psicológico. Em outras palavras, você é seu próprio médico. No entanto, para iniciar corretamente a dieta alimentar é necessário o aconselhamento e o acompanhamento de uma instituição.
A macrobiótica zen tem suas raízes mergulhadas na China de Confúcio e Lao-Tse, com cerca de 5 mil anos de existência. Da China a disciplina foi para o Japão, onde teve grande desenvolvimento e responde pela longevidade daqueles que ainda não se renderam à dieta ocidental de hambúrgueres e Coca-Cola.
Na segunda metade do século XIX ela entrou no ocidente trazida por seu reformulador contemporâneo, George Ohsawa. No Brasil, foi introduzida por Flavio Zanata, nos anos 70, e continuada pelo Dr. Henrique Smith, hoje considerado o líder da causa macrobiótica em nosso país.
A disciplina é, em si, revolucionária. Exercitando-a é possível remodelar o caráter, o corpo e a mente. No início da prática pode haver alguma dificuldade de adaptação à nova dieta, mas logo com os primeiro resultados positivos na saúde a pessoa irá se sentir em paz consigo mesma. A macrobiótica deve ser encarada como uma escola de vida. Experimente o amargo, o azedo, o salgado e o doce. Equilibre-os de acordo com a lei do yin e yang. Então você vai descobrir que não precisará morrer para depois conhecer o paraíso, pois ele está aqui mesmo, em nosso planeta Terra.
No dia-a-dia, a dieta macrobiótica deverá ser equilibrada e sempre variada para combater o tédio da rotina. É preciso dosar a diversidade de alimentos disponíveis de acordo com sua natureza yin ou yang, destacando os cereais integrais, as leguminosas, verduras, hortaliças e, moderadamente, as carnes, de preferência brancas — ou seja, frango sem pele, peixes e afins, além das frutas da estação.
É importante utilizar a imaginação e criatividade, tendo sempre em mente o equilíbrio yin-yang. Com relação ao consumo de produtos de origem animal, é importante fazê-lo em quantidades moderadas, visto que a quantidade se transforma em qualidade. É nesse particular que se verifica a diferença entre a dialética do princípio único e a lógica formal, base do pensamento ocidental. O oriental, diferente dos ocidentais, compreende muito bem que um mesmo resultado pode ser produzido por dois fatores opostos, enquanto que dois resultados contrários podem ser produzidos por quantidades diferentes do mesmo fator.
Mas, colocando as teorizações de lado, o que devemos comer, afinal? O que é melhor: ser vegetariano, frugífero ou carnívoro? Essa é uma resposta que cada um deve encontrar individualmente. Pense, pense e pense ainda mais. Se optar pela dieta macrobiótica, faça uma avaliação de seu estado físico e psíquico a cada semana. Se não houver uma grande melhora depois de dois meses, procure uma instituição macrobiótica para descobrir se você está fazendo alguma coisa de modo incorreto.
Por último, a macrobiótica dá extrema importância à mastigação dos alimentos. Mastigue tudo muito bem e faça do alimento seu verdadeiro remédio, tendo em mente que essa dieta alimentar zen é o mais antigo, mais saudável, mais comprovado e eficaz método de emagrecimento que existe. Se duvida, é só conferir. Você ficará sabendo que, além de ser a maior inimiga da obesidade, a macrobiótica é a melhor amiga de sua saúde física e mental.
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Respostas
Considerado por muitos especialistas como o grande nome da macrobiótica no Brasil, o Dr. Henrique Smith respondeu várias perguntas de clientes em seus livros, que passam importantes informações sobre a disciplina:
* A macrobiótica não é um regime de emagrecimento, que pode ocorrer devido à eliminação de substâncias em excesso no organismo. O yin engorda, o yang emagrece. Os dois tipos de energia contrárias se complementam;
* Segundo Ohsawa, codificador da macrobiótica contemporânea, macrobiótica zen é a filosofia que cura; é a arte de comer e beber água pura ou chá para curar;
* A diferença entre a medicina convencional e a macrobiótica é que a primeira enxerga a doença e procura tratá-la com remédios e drogas, enquanto a segunda vê o doente e o trata com alimentação;
* A macrobiótica não cuida dos sintomas, mas vai à raiz das doenças, resultado de desequilíbrios orgânicos;
* A macrobiótica dá muita importância aos vegetais porque eles absorvem os elementos inorgânicos e transformam em alimentos orgânicos. Eles são a matéria prima para manter e construir nosso corpo;
* O açúcar branco é absolutamente proibido pela macrobiótica por seus malefícios e nocividade, que anulam seus poderes energéticos;
* Não existe incompatibilidade entre a macrobiótica e a homeopatia, ainda que a primeira seja considerada como uma dieta e filosofia que, por si só, basta para restaurar e manter a saúde;
* Arroz integral é o alimento básico da macrobiótica e continuará sendo usado por toda a vida, mesmo depois da cura;
* Bebidas alcoólicas não são aconselháveis, nem mesmo os vinhos;
* Aconselha-se usar pouca fritura; os laticínios podem ser prejudiciais; frutas geralmente são yin;
* A macrobiótica é contrária a tratamentos de radioterapia e quimioterapia;
Para Saber Mais:
Instituto Macrobiótico Henrique Smith
Macrobiótica Zen Para o Brasil - Henrique Smith (Ed. Hagaesse)
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