O Tempo da Revelação
2009-05-06 16:58O Apocalipse de São João é um dos livros da Bíblia mais discutidos nos últimos anos, e mais ainda depois dos atentados terroristas aos EUA. As interpretações do texto variam desde mensagens simbólicas até a chegada de seres extraterrestres liderados por Jesus.
Gilberto Schoereder
Quando ouvimos falar em apocalipse, imediatamente nos vem à mente a imagem de um confronto de proporções mundiais, quando não cósmicas, seguido de um período de transformações profundas e benéficas para a humanidade. Ou, pelo menos, é o que ocorre com a maioria das pessoas. Para o mundo ocidental, cuja cultura é a que prevalece no mundo hoje, o apocalipse está diretamente relacionado com a Bíblia, mais exatamente com o Apocalipse de São João, o último livro do Novo Testamento, anunciando a volta de Jesus Cristo.
Apocalipse vem do grego apokalypto, significando ‘revelar’, daí em várias culturas o livro escrito por São João ser chamado de Livro da Revelação. O texto diz que João estava na ilha de Patmos quando lhe foi concedida, por um anjo enviado pelo Senhor, a visão do que aconteceria no futuro. O texto também é claro ao afirmar que se trata da descrição daquilo que João viu após ser “arrebatado em espírito” e subir pela porta aberta no céu.
As imagens do Apocalipse já são clássicas e bastante conhecidas, como os Quatro Cavaleiros, a Queda da Babilônia, a Abertura dos Selos e as Trombetas que, quando tocadas pelos anjos, indicam uma série de males que recaem sobre a terra e a humanidade, com exceção da sétima e última, que anuncia o estabelecimento do reino do Senhor sobre a terra.
É importante notar que a noção de apocalipse tal como a conhecemos popularmente hoje implica na existência de outro conceito básico, que é o da luta entre o Bem e o Mal. Esse momento decisivo de transformação nada mais é do que o ponto final nesse conflito, com a vitória definitiva do Bem. Entretanto, para alguns especialistas, o que se lê na Bíblia nada mais é do que uma série de metáforas e simbolismos para explicar a expansão do cristianismo. Mas nem todos pensam dessa forma.
Vários historiadores entendem que essa noção começou a se desenvolver com Zoroastro, por volta de 1500 a 1200 a.C. Até então as sociedades conhecidas tinham uma idéia de um mundo imutável, apesar de muitas vezes sob ataques diretos das forças do mal sempre combatidas por um herói ou guerreiro. Essa tradição remonta a 3000 a.C. com a Suméria, e para alguns pesquisadores há bem antes disso – de modo que a idéia do confronto entre forças do bem e do mal sempre existiu em nosso planeta.
Para os que entendem que fomos colonizados por seres de outros planetas, a noção torna-se ainda mais clara: determinadas raças extraterrestres teriam realizado intervenções nefastas na humanidade, talvez de natureza genética; outras raças tentariam impedir essas intervenções. Na verdade, para grande parte dos estudiosos independentes de hoje, não é mais possível pensar em Jesus sem pensar em extraterrestres.
Visão do Futuro
É comum que historiadores vejam os textos do Apocalipse como mensagens simbólicas de uma situação real, ou um desejo. O estudioso Norman Cohn, por exemplo, diz que “...a visão obsessiva de João identificava um antagonismo radical entre a Igreja e o mundo. Isto bastava para sustentar seu entusiasmo pela derrubada da ordem estabelecida”. Cohn, como vários críticos das chamadas “tendências milenaristas”, que constantemente se referem a esse momento de transformação da humanidade, diz que os acontecimentos descritos nas previsões não se concretizaram, mas sobreviveram ao longo dos séculos, sempre sendo reinterpretadas de forma a se adequarem às circunstâncias.
De certa forma, isso tem relação com as diferentes interpretações das profecias de Nostradamus, de acordo com o comentado na Sexto Sentido 26. É comum que, a cada importante acontecimento mundial, as profecias sejam revistas e adequadas ao momento. Quando a seqüência de eventos não se dá como se esperava ou como fora previsto, simplesmente imagina-se que a interpretação estava errada, e que o momento em questão ainda deverá ocorrer.
Contudo, para muitos investigadores a questão é totalmente diferente, e João realmente teve uma experiência de precognição, ou visão do futuro. Como já se sabe pelos estudos parapsicológicos a respeito desse fenômeno real, nem sempre os acontecimentos ocorrem da forma como foram previstos, por inúmeras razões que não cabe comentar no momento, mas sim numa matéria mais extensa. Entre as dificuldades de interpretação correta de uma visão do futuro estão, sem dúvida, o próprio filtro pelo qual a informação obtida passa, ou seja, a própria pessoa que recebe a informação. Uma pergunta óbvia que surge num caso como esse é: como João, ou qualquer outra pessoa de sua época, interpretaria as coisas que viu acontecendo no século XXI?
Preparação
Seja qual tenha sido o objetivo inicial do autor do Apocalipse, é inegável que a noção se sustentou ao longo dos séculos, aprimorando-se, na verdade, e originando inúmeros grupos e seitas milenaristas que vêm apontando datas para o Fim dos Tempos, o Julgamento ou a Segunda Vinda.
A partir de meados do séc. XX, no entanto, a quantidade de mensagens a respeito desse momento de revelação parece ter aumentado substancialmente, e quase sempre relacionadas à presença de extraterrestres entre nós. As canalizações de mensagens a respeito do evento são em quantidade surpreendente e, embora se elimine os erros de interpretação e os eventuais e inevitáveis charlatões, ainda resta um número considerável delas, o que torna o fenômeno, no mínimo, algo a ser considerado com maior seriedade e atenção.
Recentemente, a revista Sexto Sentido conversou com Jan Val Ellam, uma das pessoas que, no Brasil, vêm recebendo inúmeras mensagens, tanto de seres extraterrestres quanto de espíritos. A idéia básica em torno desse momento, conforme explica Jan Val Ellam, é que durante milênios a Terra ficou isolada da sociedade cósmica, que evoluiu enquanto permanecemos estacionados, ainda não aprendendo a amar uns aos outros. Devido a um processo que ocorre independente das conveniências e desejos terrenos, chegou o momento dos prisioneiros cósmicos que vivem na Terra voltarem à convivência.
As notícias e mensagens que Ellam e tantos outros vêm passando para a humanidade teriam como função exatamente preparar as pessoas para esse momento de transição, diminuindo o impacto que os eventos possam causar nas pessoas. Ellam explica que os seres com os quais entra em contato sempre lhe falaram a respeito da importância do Apocalipse como sendo o “maior sinalizador de todo o processo histórico de transformação, e que seria um manual seguro, ou razoavelmente seguro, se bem interpretado, para que entendêssemos o porvir imediato”.
Trabalho em Conjunto
Segundo Jan Val, os seres extraterrestres trabalham em conjunto com os espíritos. Os dois que estão escrevendo o livro Jesus e o Enigma da Transfiguração, que ele irá publicar em breve, são aqueles que viveram na Terra como Tiago e João Batista, cujos espíritos foram viver em outros mundos e, agora, vieram em uma nave que está estacionada próxima à Terra e acompanham a vida em nosso planeta. Potencializam seus espíritos através do desdobramento, e potencializam nos ambientes espirituais onde os espíritos desencarnados envolvidos com a questão terrena trabalham, formando como que equipes mistas de espíritos e extraterrestres.
No dia em que recebeu a mensagem a respeito da interpretação do Apocalipse, foram os espíritos que falaram com ele, referindo-se, entre outras coisas, à dificuldade que João teria em narrar acontecimentos e descrever objetos para os quais sequer havia palavras. Vendo um avião soltando bombas chamou de gafanhoto com cauda de escorpião, vitimando os homens e fazendo barulho de milhares de cavalos. E, vendo a queda das torres do World Trade Center, teria encontrado um paralelo com a Torre de Babel. “No capítulo 18, versículos 2 e 3”, explica Ellam, “fala-se que caiu a Babilônia, os reis da terra choram vendo seu incêndio ao longe, o comércio pára porque ninguém mais da Babilônia pode comprar. Quer dizer, está tudo lá, impressionantemente claro e objetivo. Um homem, há dois mil anos, conseguiu colocar no papel fatos que lhe foram mostrados e que ocorreriam no futuro”. (“Caiu, caiu Babilônia a grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis, porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria, pecaram com ela os reis da terra, e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso de seu luxo”. Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, 18ª edição).
“Se está lá”, ele continua, “e se não é invenção, e se a interpretação estiver correta, é importante que se perceba que esse fato está colocado no final da sexta trombeta. Isso significa que João pegou todos os conjuntos de acontecimentos que lhe foram mostrados quando de seu desdobramento aos 100 anos de idade para escrever o Apocalipse, e formulou sete conjuntos de acontecimentos antes da chegada de Jesus, do retorno de Jesus, que é o termo principal do Apocalipse, cada selo sendo referente a um conjunto de fatos. Quando da chegada do sétimo selo, ele percebeu que era a última série de eventos antes da chegada de Jesus. O último momento da sexta trombeta era a queda da Babilônia. Depois disso ocorre um pequeno conflito, um pequeno tempo, e o sétimo anjo toca a sétima trombeta, anunciando a chegada iminente de Jesus”.
Mensagem de Amor
Jan Val diz que não é uma questão de crença, de fé. Jesus é um ser amoroso e não quer causar desconforto às pessoas quando voltar à Terra, daí as mensagens estarem sendo enviadas com tanta insistência à humanidade, através de tantas pessoas. “De forma insistente, durante 15 anos”, explica Jan Val, “eu venho escutando a mesma coisa. Esses espíritos e seres, através de diversas demonstrações, tentaram sinalizar que são muito evoluídos, estão fazendo o bem à humanidade”.
A idéia é que o maior número de pessoas esteja, pelo menos, com a mente aberta para a possibilidade das mensagens serem verdadeiras, e Jesus estar de fato prestes a retornar. “Só tendo escutado falar já ativaria alguns circuitos memoriais da alma, já que esse sentido de reintegrar-se ao cosmos é o arquivo memorial de nossa alma que está há centenas de milênios dormindo, prestes a ser despertado. Será, ou pela busca normal do auto-esclarecimento e conhecimento, ou através de eventos que possam despertar um certo susto psicológico. Esse susto é que os seres estão tentando poupar. Mas eles dizem claramente que o que está para acontecer, acontecerá independente de qual seja a postura dos que vivem na Terra. E eles não vêm para interferir. Eles se deixarão mostrar objetivamente. Todos os olhos o verão, como o próprio Apocalipse diz”.
Nem Deus, nem Jesus ou qualquer ser extraterreno ou espírito superior fará pelo homem o que cabe ao próprio homem fazer, que é promover seu progresso moral, espiritual e material. “Esses seres vão chegar e simplesmente mostrar que não precisamos mais ter aquelas dúvidas angustiantes”. Ou seja, vamos saber qual é nossa origem, quem somos, o que estamos fazendo e para onde podemos ir, com a certeza de que não estamos sós no universo.
Essa postura é bastante diferente daquela assumida por alguns grupos e seitas ufológicas que se referem à evacuação planetária, ao momento em que apenas alguns terrestres escolhidos serão levados do planeta. “Eles não vão invadir a Terra”, diz Val Ellam, “Não vão evacuar. Eu até fico um pouco constrangido de ir a fundo, porque vai de encontro a certas notícias que há décadas vêm sendo ventiladas. Mas, como eu próprio faço absoluta questão de pedir, o que eu estou dizendo ou o que venho veiculando e os amigos vêm levando adiante, é que seja tomado como reflexão, como padrão para reflexão. Não é questão de crença, de fé. Vamos respeitar todas as possibilidades, todas as notícias, porque a condição humana não permite ser possuidora de verdades absolutas”.
A Chegada das Naves
Ao contrário de tantas interpretações simbólicas que se tem dado ao Apocalipse e ao retorno de Jesus, Jan Val diz que as mensagens que recebe referem-se a uma vinda no aspecto físico mesmo. “O que eles têm dito e sinalizado – posso ter entendido errado, mas é o que eles vêm dizendo há um bom tempo – é que, mediunidade à parte, outros mecanismos perceptivos à parte, todos os olhos verão. Eles dizem que todo mundo poderá vê-los; quem fechar os olhos ainda assim sentirá a vibração inigualável do nosso pastor cósmico. Quem ainda não quiser sentir vai ter de se esforçar muito para nada perceber, porque a insistência amorosa de Jesus é muito grande”.
Jan Val salienta o fato de que, hoje, bastante gente morre de medo de ETs; e, talvez, se o ET que se apresente primeiro à Terra for Jesus, esse medo deixe de existir, até pelo fato desses seres – como diz – somente se preocuparem em dar. “Por isso ele talvez exerça esse papel de ser o primeiro ser extraterrestre a ter contato conosco. Seguramente, muitos dos mestres que vieram à Terra estarão ao seu lado, já que ele disse que voltaria com suas hostes angelicais, com seus anjos, no grande dia da renovação, para pessoalmente presidir esse processo”.
Assim, Ellam descarta a idéia de extraterrestres do mal, participando de governos secretos do planeta e trabalhando contra os do bem, que tanto tem se falado nos últimos anos. “Eu quero crer que não precisamos de demônios extraterrestres, porque os próprios somos nós que vivemos na Terra. Quando Kardec falou sobre a noção dos espíritos para o mundo, ele disse que existem espíritos de todo o tipo, para o bem, para o mal, espíritos perturbados, há espíritos de tantas formas quantas sejam as formas dos seres humanos, já que eles nada mais são do que seres humanos desencarnados. Da mesma forma, o termo extraterrestre precisa de uma doutrina explicativa, de um processo explicativo para que entendamos que há um pouco de tudo lá fora.
A Terra sempre foi uma casa sem dono, já que desconfederada, até porque não há atitude ou mérito moral por parte de seus habitantes para estar confederada ou protegida por alguma coisa. Desde que ficou sendo o último mundo rebelado, ficou entregue à sua própria sorte. Aqui vieram diversas raças de fora ao longo da desconhecida história terrena, algumas tentando dominar, outras só extraindo isso ou aquilo, outras poderiam envolver projetos disso ou daquilo. Mas há dois mil anos atrás, quando a maior autoridade celeste nesse recanto cósmico resolveu se fazer homem para, entre os homens, falar e testemunhar o Deus Pai Celestial, depois que o seu perfume penetrou na atmosfera, esses seres de fora que não são tão elegantes assim começaram a perceber que esse mundo iria ser reconquistado”.
Conforme explica, em julho de 1989 Jesus solicitou a uma certa equipe que o assessora e estacionou as naves próximas à Terra. Então, os extraterrestres que chegam aqui e vêem as naves do Homem estacionadas, já não ficam por aqui e, desde então, são raríssimas as incursões de ETs perturbados.
Diversas interpretações do Apocalipse seguem por um caminho semelhante, ainda que as mais “religiosas” passem longe do tema extraterrestre. Muitas canalizações espíritas, espiritualistas ou como se queiram chamar, falam a respeito desse momento, com variações nas mensagens que podem perfeitamente ser atribuídas a interpretações diferentes das pessoas que as recebem, cada qual com seus valores morais, espirituais, com sua história particular de vida, seu ambiente cultural e psicológico.
Independente de qual seja a interpretação dada a essas mensagens e às diferentes visões do Apocalipse, não custa nada manter a mente aberta para, pelo menos, perceber que um fenômeno de proporções mundiais está ocorrendo.
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